PAULO CÂMARA MOSTRA DE QUE MATERIAL É FEITO E ESCOLHE CANDIDATO DE UCHOA E CADENGUE



O governador Paulo Câmara, a cada dia que passa e a cada ato praticado, deixa mais evidenciado que a escolha de seu nome para suceder Eduardo Campos, na cadeira de governador de Pernambuco, deu-se, muito mais, por suas fraquezas do que propriamente por suas eventuais virtudes.

É bem verdade que dentre os próceres do PSB, Paulo é tido e havido como um dos poucos que nunca se locupletaram pessoalmente do Erário, ainda que esteja indiciado no Supremo Tribunal Federal, a pedido do procurador geral da República, Rodrigo Janot, por supostas fraudes em licitações e no contrato assinado pelo governo de Pernambuco, para beneficiar a Construtora Odebrecht, na Parceria Público Privada da Arena Itaipava/Pernambuco, juntamente com outras figuras de seu partido, para as quais as línguas costumam ser bem mais ferinas quando o assunto é honestidade.

Mas o fato é que Paulo parece ser uma daquelas pessoas que foram colocadas no posto para furar todas as regras, a começar por aquela talhada na frase de Agamenon Magalhães, segundo a qual, "ninguém governa o governador". Ao que tudo indica, todo mundo governa Paulo e em seu governo quem menos governa é ele mesmo.

Ao se deixar governar por forças externas, que vão desde a viúva do ex-governador Eduardo Campos, Renata  Campos, passando pelos intocáveis e ultraproblemáticos secretários Antônio Filgueiras, Augusto Carreras e Pedro Eurico, cuja permanência no governo só se explica por uma ascendência sobrenatural sobre o governador e culminando com o eterno presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco, o deputado Guilherme Uchoa, Paulo Câmara só confirma  quanto não possui de estofo necessário para o cargo de governador de um Estado com os problemas e a importância de Pernambuco.

A crise por que passa a Segurança Pública e a falta de habilidade do governador para lidar com essa crise e com a própria natureza das categorias envolvidas também são indicativos de que lhe falta, inclusive, maturidade para exercer postos de comando de tamanha responsabilidade.

Por fim e lamentavelmente, quando se acreditava que não seria mais possível ao governador mergulhar ainda mais no poço profundo de seus deslizes, eis que sucumbe ao que há de mais atrasado na política nacional e permite ingerência repugnante - e ele melhor do que ninguém, bem sabe de quem - numa instituição como o Ministério Público, de modo a entrar para a história pela porta dos fundos, como o primeiro governador, desde Miguel Arras,  a não respeitar a escolha soberana dos integrantes dessa instituição sobre quem deveria comando-la. E com que propósito? E com que finalidade? 

O governador Paulo Câmara é um homem de bem, é o que dizem os que o conhecem mais de perto. Mas o que leva um homem de bem a cometer o que o governador Paulo Câmara cometeu hoje contra o Ministério Público de Pernambuco, ao permitir que figuras como Guilherme Uchoa e Sandoval Cadengue decidissem, por ele e por todos os membros da instituição, a quem caberá denunciar - ou não - os corruptos de Pernambuco? Com a palavra, o homem de bem Paulo Câmara.

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