AÉCIO, O "MINEIRINHO", NEGOCIOU PROPINA PESSOALMENTE, REVELA DELAÇÃO DA ODEBRECHT VAZADA HOJE PELA FOLHA DE SÃO PAULO

O "Mineirinho" é o primeiro a ser comido pela falta de transparência do STF das delações da Odebrecht

A Folha de São Paulo traz em sua chamada de capa de hoje, matéria em que revela trechos da delação premiada do ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura, Benedicto Júnior, onde BJ, como é conhecido, afirmou que se reuniu com Aécio Neves (PSDB-MG), quando este ainda era governador de Minas, para tratar de um esquema de fraude em licitação na obra da Cidade Administrativa para favorecer grandes empreiteiras.

Segundo a Folha BJ afirmou aos procuradores da  Lava Jato que, após o acerto, Aécio orientou as construtoras a procurarem Oswaldo Borges da Costa Filho, o Oswaldinho, a quem coube definir o percentual de propina que seria repassado pelas empresas no esquema e que variavam entre 2,5% e 3% sobre o total dos contratos.

A matéria ainda diz que o próprio Aécio decidiu quais empresas participariam da licitação para a obra.

A Cidade Administrativa, sede do governo mineiro, custou R$ 2,1 bilhões em valores da época. Foi inaugurada em 2010, último ano de Aécio como governador, sendo a obra mais cara do tucano no governo de Minas.

A delação de BJ foi confirmadas e complementadas pelos depoimentos do ex-diretor da Odebrecht em Minas Sergio Neves, a quem coube operacionalizar os repasses a Oswaldinho e é ele quem detalha, na delação, os pagamentos a Aécio.

Em razão das confissões de BJ e Sergio Neves, procuradores da Lava Jato exigiram dos advogados da Andrade Gutierrez, no fim de 2016, uma espécie de complementação das delações de seus executivos, que eles chamam de "recall". A Andrade Gutierrez integrava o Consórcio que construiu a Cidade Administrativa e seus  funcionários não detalharam o esquema de propina na obra e em outras duas obras especificadas nas delações da Odebrecht: a construção do Rodoanel e do Metrô, em São Paulo.

Nas próximas semanas, o ex-presidente da AG Energia Flávio Barra e o ex-vice-presidente institucional da empresa Flávio Machado serão ouvidos novamente em Curitiba. Outros executivos da empresa também podem ser incluídos no "recall".

Barra dará detalhes das obras em São Paulo, enquanto Machado vai confirmar a versão que Oswaldinho cobrou propina de 3% do valor dos contratos da Cidade Administrativa, o que chegaria a cerca de R$ 40 milhões somente na parte da Andrade.

O nome de Oswaldinho também aparece em uma troca de mensagens de setembro de 2014 entre o então presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, e Benedicto Júnior, que tratavam de uma doação de R$ 15 milhões "de recursos disponibilizados a Mineirinho via Sergio Neves".

Na campanha presidencial de 2014, em que foi derrotado por Dilma Rousseff (PT), Aécio Neves recebeu R$ 15 milhões da empreiteira baiana como doação oficial.

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