REUNIÃO DE HADDAD COM PAULO CÂMARA VISAVA INTERFERÊNCIA JUNTO A MINISTRA ANA ARRAES NO TCU. INGENUIDADE OU ARROGÂNCIA?



A boataria em torno de uma esdrúxula aliança em 2018, entre PT e PSB, em Pernambuco, nitidamente fomentada pelo próprio PSB, chegou ao ápice com a agenda feita, à revelia da direção do PT de Pernambuco, que já se decidiu por lançar candidatura própria ao governo do Estado, em 2018, pelo ex-prefeito de São Paulo e ex-ministro da Educação, Fernando Haddad, ao governador Paulo Câmara, no sábado (12) e que foi alardeada pelo PSB de Pernambuco como uma reunião a pedido de Lula, tendo Haddad como emissário. 

Envolto em uma enxurrada de denúncias de corrupção e delações devastadoras, das quais não consegue se livrar e que atingem em cheio os principais nomes da legenda, como, aliás, muito bem destacou matéria publicada pela Folha de São Paulo, um dia após Haddad "beijar a mão" de Paulo Câmara (Leia em DELATORES DA TURBULÊNCIA PROMETEM DESVENDAR PROPINODUTO DO PSB DE PERNAMBUCO, REVELA MATÉRIA DA FOLHA DE SÃO PAULO DE HOJE), induzido a erro pelos chamados petistas "queijos do reino", o PSB tem "vendido" a falsa ideia de que pode livrar petistas de processos a que respondem quando, na verdade, não conseguem se livrar nem de seus próprios "rolos", que aumentam a cada dia, vide a recente prisão dos marqueteiros da Arcos, André Gustavo e Antônio Carlos Vieira Filho, que assim como o pessoal da "Turbulência" também caminham para fechar delação premiada.


Para quem não é de Pernambuco, uma pequena explicação: cunhou-se a expressão "queijo do reino" para definir o petista que é vermelho (cor do PT) por fora, mas amarelo (cor do PSB) por dentro, ou seja, queijo do reino é o petista que está no PT, mas para atender aos interesses do PSB, o chamado "quinta-coluna". 

Assim, agendas como a de Haddad com a cúpula do PSB e que só beneficiam o próprio PSB e sabotam o projeto petista de ter uma candidatura própria em 2018, seriam obra de petistas "queijo do reino", sabidamente ligados ao secretário de Administração de Paulo Câmara e ex-presidente do PSB, Mílton Coelho, também presente na conversa com ex-ministro da Educação,  ainda mais quando se sabe que o real motivo da visita foi a falsa ideia repassada por esses "queijos do reino" a Haddad, de que o PSB de Pernambuco poderia, de alguma maneira, influenciar a ministra Ana Arraes, relatora da Auditoria a que Fernando Haddad responde, perante o TCU (Acesse AQUI), por supostas irregularidades no FIES, ao tempo em que foi Ministro da Educação. 


Não se pode esquecer que também é alvo da mesma auditoria o ex-ministro da Educação Aloizio Mercadante, cujo filho foi vice-presidente da Petra e cujo dono, Roberto Vianna, seria o responsável pela indicação do nome de Paulo Câmara para suceder Eduardo Campos na governo de Pernambuco. Para quem não sabe, a esposa de Paulo Câmara é sobrinha de Roberto Vianna, por afinidade. Roberto Vianna, ao tempo da indicação de Paulo Câmara para suceder Eduardo Campos era casado com Malu Campos, prima de Eduardo e tia da primeira dama, Ana Luisa. Aliás, para quem não sabe, o empresário Roberto Vianna não é amigo apenas do petista de São Paulo, Aloizio Mercadante, mas é amigo pessoal do ex-prefeito do Recife, João Paulo e ligadíssimo ao hoje socialista Maurício Rands, mas que num passado não muito remoto foi deputado federal pelo PT e chegou a disputar prévias na pretensão de ser o candidato petista à Prefeitura do Recife. Para quem não lembra, ao abandonar a política por não se viabilizar como candidato do PT à prefeitura do Recife, Rands foi direto para a Petra, de Roberto Vianna, onde assumiu um cargo executivo no ramo do petróleo.


Feitas essas digressões, fica, porém, a dúvida se o ex-ministro Fernando Haddad foi ingênuo ou arrogante ao acreditar que ao pedir a bênção de Paulo Câmara e do PSB de Pernambuco obteria alguma vantagem junto à ministra Ana Arraes, quanto aos rumos do processo de seu interesse que corre no TCU. Primeiro porque temos que acreditar na isenção daqueles que julgam. Mas, principalmente, porque raciocinando a partir do pensamento daqueles que buscam o caminho das "relações sociais" para solução dos problemas que deveriam ser resolvidos apenas pelos caminhos da institucionalidade, então o ex-ministro da Educação e ex-prefeito de Sao Paulo é tão ignorante sobre a política pernambucana que não sabia ou nem quis se informar sobre a ruptura política de Ana Arraes e de seu único filho, Antônio Campos, hoje no Podemos, com o grupo político comandado por Paulo Câmara, Sileno Guedes, Antônio Figueiras, Milton Coelho e demais beldades do PSB de Pernambuco, com quem se reuniu no sábado (12), desde que preferiram apoiar o professor Lupércio, do Solidariedade, à prefeitura de Olinda a ver a ascensão política do único filho da ministra, então candidato do próprio PSB?

Quer dizer que não teve uma alma caridosa que avisasse ao "desavisado" Fernando Haddad que o chamado "homem forte do PSB", Romero Pontual, está sendo acusado e investigado por determinação da Justiça, de mandar invadir o email funcional da ministra Ana Arraes e de espionar seu filho, a mando do PSB, durante as eleições passadas (leia AQUI, AQUI, AQUI e AQUI)? Bem que o Ex-ministro Fernando Haddad poderia ter passado sem essa se não desse ouvido a golpistas e espertalhões ao invés de ouvir quem realmente vivencia a política em nosso Estado e sabe quem são as pessoas com quem ele se reuniu no sábado. Tivesse ouvido, por exemplo, o ex-deputado federal Fernando Ferro, não teria perdido a viagem.

Em entrevista ao radialista Alberes Xavier, por exemplo, o ex-deputado federal Fernando Ferro, ao ser questionado sobre declarações do presidente do PSB, Sileno Guedes, de que estariam em andamento "conversas" entre o PSB e o PT  com a finalidade de firmarem uma coligação para 2018 classificou tais conversas como uma "negociação delinquente".

Ferro ainda se disse terminantemente contra qualquer movimentação nesse sentido, chegando a afirmar que o PSB de Pernambuco era um "agrupamento de corruptos e golpistas" que votou em Aécio Neves e que apoia nacionalmente uma quadrilha. Disse ainda que se alguém do PT estava se reunindo com o PSB era às escondidas e que ele mesmo iria procurar saber se havia mesmo pessoas do PT fazendo esse tipo de conversa com eles do PSB, pra denunciar essa negociação delinquente. Escutem a partir de 8'25' e confiram o que pensa Fernando Ferro de uma reaproximação do PT com o PSB:





Fernando Ferro traduziu com todas as letras o sentimento que ecoa entre os petistas de Pernambuco, querer impor, por meio de factoides, o contrário é apenas negociar uma mercadoria que os "negociantes delinquentes" certamente não poderão entregar.

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