DELEGADO DA POLÍCIA FEDERAL É PRESO EM DESDOBRAMENTO DA OPERAÇÃO ALCMEON QUE JÁ PRENDEU ATÉ DESEMBARGADOR APOSENTADO POR VENDA DE DECISÕES DO TRF DA 5ª REGIÃO


DELEGADO MARIO MENIN JUNIOR

Reportagem da Folha de São Paulo de ontem (10), assinada pelo repórter Mário Cesar Carvalho revela que a Polícia Federal prendeu, ontem, um membro da própria corporação, por extorsão a empresários na Região de Campinas, entretanto, a reportagem também apurou que as investigações contra o policial seriam um desdobramento da Operação Alcmeon, que apura venda de decisões judicias do TRF da 5ª Região, com sede no Recife.

Trata-se do delegado da Polícia Federal, Mario Menin Junior, que tem mais de 30 anos na corporação e já atuou na corregedoria do órgão em São Paulo investigando outros policiais e ocupou cargos importantes na entidade. Mario Menin já chefiou a delegacia contra o crime organizado em São Paulo e as operações no aeroporto internacional de Cumbica (SP).

Além de Menin Junior, outras três pessoas foram detidas, acusadas de se passarem por delegados da PF.

O delegado, segundo a reportagem da Folha, "chegou chorando à superintendência da Polícia Federal em São Paulo". A prisão do policial se deu a partir de uma investigação iniciada na corregedoria, seção que chefiou.

A ordem para prender Menin Junior foi dada pela Juíza Federal Valdirene Ribeiro de Souza Falcão, de Campinas que assim como a própria Superintendência da Polícia Federal não deu qualquer declaração sobre os motivos da prisão do delegado, entretanto, a Folha de São Paulo apurou que a prisão do policial faz parte da Operação Alcmeon, que investiga a venda de sentenças judiciais no TRF (Tribunal Regional Federal) da quinta região, cuja sede fica no Recife (PE), e envolve ações da Justiça Federal em segunda instância.

Procuradores envolvidos na operação revelaram à reportagem da Folha que havia a venda de sentenças da Operação Lava Jato que correm no Nordeste.

O nome de Menin Junior aparece em duas ações do TRF do Recife, ambas envolvendo o pagamento de precatórios emitidos pelo Estado de Alagoas.

Familiares disseram à Folha que podem ser ações envolvendo parentes do policial, já que ele não poderia advogar em tese.

A operação da PF que investiga a venda de sentenças foi deflagrada no fim de agosto no Recife e em Natal a partir da delação de um empresário que chegou a pagar para evitar ser preso e ter seus bens sequestrados.

Ele disse no acordo de delação que assinou que pagava R$ 350 mil por uma decisão favorável. Relatou que chegou a ter um veículo sequestrado pelos vendedores de sentença para garantir o pagamento.

OUTRO LADO

Procurado pela Folha, o advogado Pedro Luiz Aguirre Menin, tio do delegado e desembargador aposentado do Tribunal de Justiça de São Paulo, não foi encontrado para comentar a prisão.

Familiares disseram à reportagem que o advogado estava viajando de volta para São Paulo para cuidar do caso do delegado.

Amigos e familiares afirmaram à Folha que os outros três presos podem ter usado o nome de Menin Junior para extorquir empresários.

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