"A gente tem que calar a boca dele", frase foi ouvida por testemunhas da execução de cabo eleitoral de vereador ligado a milícias e que já foi ouvido pela Polícia no Caso Marielle

Alexandre com o colete com o nome do vereador Marcello Siciliano - Facebook / Reprodução

Testemunhas do assassinato do  líder comunitário Carlos Alexandre Pereira Maria, de 37 anos, morto a tiros, na noite deste domingo, na Taquara, na Zona Oeste do Rio revelaram aos policiais militares do 18º BPM que pouco antes de atirar contra a vítima, também conhecida como Alexandre Cabeça, um dos assassinos gritou: "Chega para lá que a gente tem que calar a boca dele". Depois do aviso, o assassino teria atirado no líder comunitário que é "cabo eleitoral" do vereador Marcello Siciliano (PHS), ouvido no inquérito que apura as mortes da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes. Segundo apuou o Jornal "Extra" do Rio de Janeiro, uma das linhas de investigação é sobre o envolvimento de Alexandre com uma milícia. A relação dele com o vereador também será alvo da investigação da DH.

Ao Extra, a assessoria do vereador Siciliano informou que Alexandre atuava junto aos moradores de algumas localidades da Zona Oeste, onde era líder comunitário. Ele identificava necessidades de quem vivia nessas áreas e as repassava para o parlamentar. Alexandre, inclusive, costumava usar um colete com o nome de Siciliano, prática comum a todos os colaboradores de Siciliano.

Ainda segundo o Extra, em seu perfil no Facebook, Alexandre dizia ser "assessor parlamentar" de Siciliano e informava que havia começado no cargo no último dia 3 de abril. 

Siciliano é um dos vereadores intimados para depor no inquérito que investiga a morte de Marielle e de Anderson. O depoimento dele foi na sexta-feira (6). O vereador — citado em relatório da Polícia Civil sobre a influência da milícia em Jacarepaguá, nas eleições de 2014 — chegou à delegacia por volta das 16h e saiu três horas depois. Ele não quis dar detalhes de seu depoimento e afirmou que as investigações estão sob sigilo.

Desde o início das investigações da morte de Marielle, pelo menos seis vereadores da Câmara Municipal já prestaram depoimento sobre o caso. Parte deles é do mesmo grupo político de Marielle e foram chamados para ajudar nas investigações, mas outros, segundo informações da especializada, são adversários políticos da vítima. Siciliano é um deles.


Conforme já publicamos anteriormente, a principal linha de investigação para os assassinatos de Marielle e Anderson é de crime político a mando de milicianos (Leia em Políticos ligados a milícias entram na mira dos investigadores do assassinato da vereadora Marielle e do motorista Anderson)

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