Ex-assessor que delatou Ciro Nogueira e Eduardo da Fonte diz ter apanhado de Dudu da Fonte durante bebedeira do deputado. Propina foi registrada em vídeo pela Polícia Federal



Matéria do site Gazeta do Povo revela mais detalhes sobre o depoimento prestado por José Expedido Rodrigues Almeida contra o deputado Eduardo da Fonte e senador Ciro Nogueira, do PP.

À Polícia Federal José Expedito contou que carregava bolsas de dinheiro para os dois congressistas e que o transporte das quantias era remunerado com o salário da Câmara dos Deputados.

O depoimento se soma ao vídeo e às escutas ambientais feitas pela PF em ação controlada e que flagrou as tratativas e o pagamento da propina destinada a comprar o silêncio do ex-assessor parlamentar e que desencadearam buscas nos gabinetes e nas residências de Eduardo da Fonte e Nogueira. O ex-deputado Márcio Junqueira, de Roraima, foi preso preventivamente por ter intermediado a negociação que incluiria o pagamento de despesas pessoais, ameaças de morte e até proposta para recuar das declarações que incriminam os dois parlamentares.

Nas casas de Nogueira, em Brasília e Teresina, foram apreendidos R$ 200 mil em espécie.

No depoimento, Almeida disse que conheceu Eduardo da Fonte há mais de 20 anos e que foi lotado tanto no gabinete dele quanto no de Nogueira, quando ainda era deputado.


A reportagem da Gazeta do povo revela ainda que José Expedito teria admitido o papel de “mula” de recursos em espécie para os congressistas e ainda indicado outro servidor do gabinete do senador, identificado como “Fernandão”, como “homem do dinheiro” de Nogueira.

“O próprio declarante transportou valores no interesse de Ciro Nogueira em diversas oportunidades, inclusive após ter deixado o seu gabinete, pois manteve-se vinculado a Eduardo da Fonte, que pertencia ao mesmo grupo político”, afirmou Almeida, segundo transcrição feita pela PF. “Acondicionava essas quantias em uma bolsa que levava consigo a bordo.”

No depoimento de cinco páginas, prestado à PF em Brasília, Almeida relatou o transporte de ao menos R$ 500 mil, em quantias que variavam de R$ 50 mil a R$ 200 mil. As viagens se deram a partir ou para cidades como Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo, Teresina e Recife, afirma a reportagem.

Em algumas ocasiões, segundo ele, os recursos eram recebidos dos parlamentares e levados para endereços deles próprios; em outras, os congressistas estavam no local de destino, à espera dos recursos.

O ex-assessor contou que Nogueira e Eduardo da Fonte atuavam como parceiros. Dividiam um flat na avenida Vieira Souto, no Rio, o qual visitou para buscar dinheiro. Numa oportunidade, disse, viajou de São Paulo para o Rio conduzindo uma Pajero Full que pertencia a ambos.

“Ao chegar ao Rio, o declarante tomou conhecimento de que havia maços de dinheiro nas malas, em meio a roupas e calçados. Só viu o dinheiro porque Ciro Nogueira precisou apanhar algum item do interior da mala”, disse. O episódio teria ocorrido num prédio em Copacabana. Um dos apartamentos é usado pelo senador.


Outra viagem teria sido feita para levar R$ 200 mil do Recife a Teresina. “O declarante não utilizou transporte aéreo por causa do volume que as quantias representavam, tendo seguido a orientação de Ciro Nogueira para que fosse de ônibus ou carro”, comentou.

No retorno, segundo ele, teve direito a um bilhete de avião. “A passagem foi comprada por um valor elevado, cerca de R$ 1.800, razão pela qual Ciro Nogueira reclamou com o próprio declarante.”

Ainda segundo a reportagem da Gazeta do Povo, o ex-assessor revelou ter decidido prestar o depoimento “espontaneamente porque passou a desconfiar da ilicitude dos valores que transportava”.

Ele enumerou outras razões, entre elas o fato de ter sido obrigado a viajar ao Rio de Janeiro para buscar dinheiro, em 2015, mesmo em recuperação de uma cirurgia. Outro motivo teria sido uma humilhação sofrida em 2015, após apanhar Eduardo da Fonte bêbado em uma boate de São Paulo. O deputado teria dado dois socos na cabeça do ex-assessor gratuitamente.


Já a gravação das tratativas para concretizar o suborno e a entrega do dinheiro foi revelada pela GloboNews, que teria tido acesso ao vídeo, ao áudio e ao depoimento de José Expedito à Lava Jato onde também afirma que Eduardo da Fonte, Ciro Nogueira e o advogado pernambucano Marcos Meira e Davidson Tolentino, este ex-assessor do Ministério da Saúde e que teria repassado dinheiro por intermédio de José Expedito, a Eduardo da Fonte e Ciro Nogueira manteriam um apartamento num hotel de São Paulo destinado ao armazenamento de dinheiro "vivo". A testemunha, que era uma espécie de arrecadador de propinas e que afirma ter sido ameaçada até de morte para não delatar Eduardo da Fonte e Ciro Nogueira, revelou, ainda, no depoimento, que Eduardo da Fonte teria repassado R$ 1,250 milhão para o advogado Marcos Meira.


Conforme já revelamos em nosso Blog, Marcos Meira é sócio em um escritório de advocacia do ex-ministro das Cidades e presidente do PSDB de Pernambuco, deputado federal Bruno Araújo (AS MISTERIOSAS FÉRIAS DO MINISTRO BRUNO ARAÚJO e As misteriosas "Férias' de Bruno Araújo e as infelizes coincidências que as cercam), e foi apontado pelo ex-presidente da OAS, Leo Pinheiro, em mensagens de celular, como a pessoa a quem os executivos da empresa recorreriam para retardar ou modificar resultados de julgamentos no STJ, de onde o pai de Marcos Meira, Castro Meira, fora ministro até 2013, quando se aposentou. De acordo com a Polícia Federal, que interceptou as mensagens durante as investigações da Lava Jato, as trocas de mensagens entre Leo Pinheiro, já condenado na Lava Jato e outros executivos da OAS, teriam ocorrido entre 2012 e 2013 (Detalhes AQUI, AQUI).

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