Operação Tira-Teima: investigação sobre esquema com "notas frias" junto a Youssef e Pozza por M. Dias Branco, controlador da Pilar, foi revelado em primeira mão pelo Blog da Noelia Brito que repercutiu denúncia contra Geraldo Julio que tentava favorecer grupo bilionário junto ao IPHAM.



A Polícia Federal deflagrou na última terça-feira, 10, a Operação Tira-Teima, para investigar pagamentos de vantagens indevidas, por meio de contratos fictícios e notas frias, por parte de um grupo empresarial a políticos, para obter benefícios em medidas de interesse do grupo econômico.

Os oito mandados de busca e apreensão que foram cumpridos em São Paulo, Ceará e Goiânia foram expedidos pelo Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin e foram executados por 40 policiais federais, com o objetivo de aprofundar a investigação sobre o senador Eunício Oliveira(MDB), presidente do Senado, que não foi alvo das diligências, focadas nas empresas do esquema fraudulento.

Eunício, que na lista da Odebrecht recebeu o apelido de Índio, porém, é alvo de inquérito no Supremo, aberto em abril de 2017, que o investiga por supostos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. 

O que não foi revelado no momento da Operação foi o nome do grupo econômico cearense alvo da Operação. Trata-se do  conglomerado empresarial M. Dias Branco, maior fabricante de massas e biscoitos do País e um dos maiores do mundo.

Não fosse o dever de comunicar a Operação da Polícia Federal aos seus acionistas, imposta pela Lei das Sociedades Anônimas, em seu artigo 157 § 4º, quando determina que "Os administradores da companhia aberta são obrigados a comunicar imediatamente à bolsa de valores e a divulgar pela imprensa qualquer deliberação da assembléia-geral ou dos órgãos de administração da companhia, ou fato relevante ocorrido nos seus negócios, que possa influir, de modo ponderável, na decisão dos investidores do mercado de vender ou comprar valores mobiliários emitidos pela companhia", a mídia teria ocultado da opinião pública que essa empresa era o alvo da operação.

De acordo com o site especializado Money Times, "Envolvida na Operação Tira-Teima da Polícia Federal, que também afetou as ações da Hypera (HYPE3), os papéis da M. Dias Branco (MDIA3) apresentaram desvalorização de 4,36%, a R$ 47,15. Em comunicado, a empresa informou que foi alvo de busca e apreensão em sua sede e 'que tem colaborado com as autoridades do país, e que continuará a fazê-lo, sempre sob ampla transparência e boa-fé, comprometendo-se, no mesmo sentido, a informar o mercado na forma da lei'."

Entretanto, os leitores do nosso Blog, desde outubro de 2015, já sabiam que o Grupo cearense M. Dias Branco, estava na Lava Jato em razão de ter sido delatado sob a acusação de emitir "notas frias" para encobrir doações para políticos conforme noticiamos na matéria MOINHO M DIAS BRANCO, BENEFICIADO PELO IPHAN, A PEDIDO DE GERALDO E CAMPOS, É ALVO DA LAVA JATO).

Na oportunidade, revelamos que uma matéria do Portal Marco Zero Conteúdo, intitulada "Moinho do Absurdo" e escrita por Luiz Carlos Pinto, com a colaboração de Inácio França, trazia a público denúncia do Superintendente do IPHAN - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Seção Pernambuco, de que uma solicitação feita pelo prefeito do Recife, Geraldo Júlio e pelo ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos, já falecido, teria levado aquele órgão federal a mudar de posição quanto a um empreendimento da empresa cearense M. Dias Branco, de alto impacto para o Bairro do Recife. Segundo a reportagem da Marco Zero Conteúdo, o parecer do órgão, datado de 2008 opinava pela inviabilidade do empreendimento, "por ser localizado próximo a monumentos tombados em nível federal (Igreja de Nossa Senhora do Pilar, e Fortaleza do Brum), além da Estação Ferroviária do Brum, que está em processo de tombamento em nível federal e estadual. Mas também porque as versões iniciais previam demolições e um gabarito (altura) de 72 metros. De acordo com o superintendente do IPHAN/PE, à época, o alegado pelos dois políticos pernambucanos para a interferência em favor da empresa cearense era seu papel imprescindível na viabilização do Porto do Recife.

Para atender ao pedido de Campos e Geraldo Júlio, ainda de acordo com com a matéria da Marco Zero, em 2013 um novo Parecer fora emitido, este de Nº 01/FA/2013, impondo medidas mitigadoras e compensatórias aos bens culturais impactados e contrariado tudo que até então havia sido emitido pelos técnicos de carreira do IPHAN, no sentido de proteger o patrimônio histórico e cultural do tradicional Bairro do Recife. 

O Marco Zero Conteúdo chega a afirmar que "O agressivo impacto que o complexo M. Dias Branco promete para esse trecho – uma das áreas urbanas mais antigas do País –, só se compara à sutileza dos artifícios burocráticos mobilizados para sua realização. Não é somente o diabo que mora nos detalhes. É também o urbanismo de exceção." A matéria completa e todos os detalhes do caso podem ser acessados diretamente no site da Marco Zero Conteúdo no seguinte link: http://marcozero.org/moinho-do-absurdo/

Em nossa matéria de outubro de 2015, revelamos, então, com exclusividade, a existência do Inquérito 5008041-43.2015.404.7000, que fora instaurado para apurar a emissão de quatro notas fiscais, na data de 27/12/2013, pela empresa Arbor Contábil Ltda. de Meire Pozza, contadora de Youssef, contra as empresas Grande Moinho Cearense e M. Dias Branco, do mesmo Grupo. No inquérito, que desencadeou a Operação Tira Teima, deflagrada na terça-feira última, contra o maior grupo empresarial brasileiro do fabrico de biscoitos e massas, os investigadores da Lava Jato já tinham interceptado e-mails de um Direitor do Grande Moinho Cearense para Alberto Youssef tratando da emissão das "notas frias", conforme revelamos já em 2015, quando questionamos as ligações de Geraldo Júlio e Campos, com o Grupo M. Dias Branco, a ponto de intercederem a seu favor junto a órgãos federais em detrimento dos interesses do povo do Recife: "Não bastasse a escandalosa confissão feita pelo superintendente do IPHAN de que pareceres técnicos foram alterados a pedido de políticos de alta patente de nosso Estado para atender interesses econômicos de empresas em detrimento do patrimônio histórico e cultural de nossa cidade, ainda temos que a empresa beneficiária é uma das citadas e investigadas no Inquérito nº 008041-43.2015.404.7000, da Polícia Federal, da Operação Lava Jato por operações fraudulentas com notas fiscais frias em conluio com o doleiro Alberto Youssef e operadores de partidos políticos. Vejam trechos de documentos oficiais onde se comprova a existência de investigação contra a Grande Moinho Cearense e a M. Dias Branco na Lava Jato. O Grupo empresarial, para mascarar a emissão de "notas frias", firmava contratos fictícios de "falsa consultoria tributária" com a delatora Meire Pozza. Quem mais teria firmado contratos fictícios de "consultorias tributárias" e "publicitária" com esse grupo? Seria oportuno que a Polícia Federal se debruçasse sobre certos prestadores de serviços:








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