Operação Tupinambá: Em São Lourenço, reuniões de integrantes da gestão em restaurante do irmão do Prefeito em sociedade com o Secretário de Governo gera especulações e questionamentos

Operação Tupinambá fez buscas e apreensões na sede da Prefeitura de São Lourenço da Mata e em residências de investigados
Alvo de uma Operação da Delegacia dos Crimes Contra a Administração Pública em parceira com o Ministério Público do Estado e o Tribunal de Contas de Pernambuco, a chamada Operação Tupinambá, que resultou em seu afastamento do cargo, juntamente com secretários de sua gestão, por determinação do Tribunal Justiça de Pernambuco, o prefeito reconduzido por uma liminar também do TJPE, Bruno Pereira, tem realizado uma campanha que inclui visitas a diretores dos três Jornais de grande circulação do Estado, para, segundo ele, "resgatar a imagem de São Lourenço da Mata". O desgaste seria resultado das denúncias de corrupção em sua gestão, provenientes dos responsáveis pela Operação Tupinambá (Leia em http://slm.pe.gov.br/prefeito-mostra-acoes-a-jornais-do-recife/ ).


A Operação, a 35ª de Repressão Qualificada de 2017, foi desencadeada em setembro de 2017, para investigar o envolvimento de empresários e funcionários públicos municipais em crimes de desvio de bens e rendas públicas, na Prefeitura de São Lourenço da Mata, Região Metropolitana do Recife. 



As medidas judiciais foram expedidas pelo Desembargador Odilon de Oliveira Neto, do Tribunal de Justiça de Pernambuco, que veio a falecer pouco tempo depois, que tiveram por suporte investigações da já mencionada Delegacia de Crimes Contra a Administração e Serviços Públicos - DECASP da Diretoria Integrada Especializada - DIRESP, sob a presidência da delegada Patrícia Domingos, assessorados pelo Núcleo de Inteligência da DECASP e Diretoria de Inteligência da Polícia Civil-DINTEL.

Dentre as informações que vieram a público depois do afastamento de Bruno Pereira, uma das que mais chamaram a atenção foi a suspeita levantada pelo Tribunal de Contas do Estado de que uma das empresas investigadas junto com o Chefe do Poder Executivo daquele Município, responsável pela limpeza urbana, seria controlada pelo próprio pai do prefeito. A suspeita levou, inclusive, à suspensão dos contratos por parte do TCE, por meia de medidas cautelares da relatoria das contas de São Lourenço e que depois foram confirmadas pelo Pleno daquela Corte de Contas (Leia em São Lourenço: TCE mantém cautelar que suspendia contrato do lixo Segundo o TCE, uma microempresa de fachada seria controlada por Jairo Pereira, pai do atual prefeito), de acordo com matéria do Jornal do Commercio.

Apesar das suspeitas sobre o envolvimento do pai de Bruno Pereira com uma das empresas que seriam alvo das investigações por corrupção em seu governo, até o momento nenhuma medida judicial ou policial foi endereçada ao pai do gestor, que não seria o responsável apenas pela empresa do lixo, alvo das denúncias mais graves contra Bruno Pereira, mas atuaria como uma espécie de "prefeito de fato" de São Lourenço, sendo seu filho apenas um instrumento pelo qual ele dirigiria a Prefeitura, para a qual não pode concorrer pessoalmente em razão de estar inelegível por práticas semelhantes àquelas hoje atribuídas a seu filho. Jairo Pereira foi condenado pelo TCE/PE a devolver mais de R$ 200 mil em razão de uma auditoria do próprio TCE/PE ter constatado "fraudes em todos os processos licitatórios analisados, inclusive com falsificação de certidões públicas, com o intuito de favorecer algumas empresas participantes" (leia matéria do Jornal do Commercio sobre o tema em Ex-prefeito de São Lourenço condenado a devolver dinheiro público)




Em visitas aos principais jornais do Estado, Bruno Pereira tem sido acompanhado por integrantes de sua equipe, entre os quais o atual secretário de Governo, que segundo nossas fontes, seria sócio do irmão de Bruno Pereira em uma churrascaria situada em Boa Viagem. Informações que chegaram a nosso Blog tão conta de que a churrascaria Galetus do irmão de Bruno Pereira e de seu secretário de Governo passara a  substituir informalmente a sede da Prefeitura de São Lourenço como local onde as reuniões da gestão passaram a ser realizadas. A churrascaria "Galettus", hoje, segundo a população de São Lourenço, seria o local onde Pereira se reúne com membros da sua equipe para decidir o que fazer e tudo longe dos olhos do povo de São Lourenço, que em razão desse deslocamento estaria privado de fiscalizar quem estaria participando de tais reuniões e decisões e principalmente que assuntos e decisões estariam sendo tratadas longe da sede da Prefeitura. Não há irregularidade em fazer reuniões em churrascarias, porém, para quem quer "resgatar a imagem de São Lourenço", depois de ser alvo de uma série de medidas e até uma Operação de Combate à Corrupção, seria de se esperar que a própria sede da Prefeitura fosse o local escolhido para que o prefeito administrasse a cidade e não por meio de reuniões em churrascarias de propriedade de seu irmão e do seu secretário de Governo. Será prudente a nomeação do sócio do próprio irmão para secretario de governo e ainda realizar reuniões da gestão na emersa de ambos, já que pesam sobre Bruno e sua gestão acusações feitas pelo MPPE, pelo TCE e pela Polícia Civil de certa promiscuidade entre o público e o privado, em razão de várias nomeações de parentes para seu governo, só afastados por Pereira, depois da Operação Tupinambá em razão das suspeitas sobre o envolvimento de seu próprio pai com uma das empresas investigadas? Será oportuna a nomeação de uma pessoa tão ligada por negócios privados, à sua família, para um posto importante como o de secretário de governo? Esses questionamentos foram enviados ao Blog por populares de São Lourenço, sob reserva. Questiona-se, ainda, o fato do prefeito Bruno Pereira ter substituído o irmão, na secretaria de Governo. É que Jairo Pereira Junior era anteriormente, quem estava nomeado para o cargo hoje ocupado por seu sócio. Questiona-se se essa não seria apenas uma artimanha para que o irmão do prefeito continuasse comandando a Secretaria de Governo do irmão. Vejam os dados cadastrais da Galetus Boa Viagem, que confirma a sociedade entre o irmão do prefeito Bruno Pereira e o atual secretário de governo que o substituiu:

Galetus Boa Viagem Restaurante LTDA - EPP - 13182931000108
CNPJ: 13.182.931/0001-08
Razão Social: Galetus Boa Viagem Restaurante LTDA - EPP
Data de Abertura: 11/01/2011
Tipo: MATRIZ
Situação: ATIVA
Natureza Jurídica: 206-2 - Sociedade Empresária Limitada
Capital Social: 100000.00
Atividade Principal
Atividade Principal: 56.11-2-01 - Restaurantes e similares
Atividades Secundárias
Atividade Secundária: 00.00-0-00 - Não informada
Endereço
CEP: 51.021-020
Logradouro: AV Conselheiro Aguiar
Número: 4214
Bairro: Boa Viagem
Município: Recife
UF: PE
Quadro de Sócios
Sócio: EVERTON FELIPE LEMOS DA SILVA 49-Sócio-Administrador
Sócio: JAIRO PEREIRA DE OLIVEIRA JUNIOR 22-Sócio

A empresa Esfera Construções, apontada pelo TCE/PE como ligada ao pai de Bruno Pereira, apesar de contratada inicialmente, por dispensa de licitação, para um contrato de R$ 1,7 milhão, a Esfera Construções chegou a receber R$ 5,4 milhões dos cofres de São Lourenço da Mata, de acordo com o Portal "Tome Conta" do TCE/PE:

Prefeitura Municipal de São Lourenço da MataDispensa
1/2017
LIMPEZA DE LOGRADOUROS PÚBLICOS
05/01/2017
1.798.717,051.798.717,05
Vencedor
1




07.432.457/0001-14ESFERA CONSTRUCOES LTDA. - ME 5.414.078,705.414.078,705.414.078,70



É interessante atentar para outros fatos e ligações de contratos da gestão Bruno Pereira com outras investigações da Delegacia de Crimes contra a Administração Pública. Por dispensa de licitação, Bruno Pereira contratou a empresa WJR Comercial Ltda. - ME para fornecimento de Merenda Escolar para a Rede Municipal de Ensino e pagou pelo menos R$ 806 mil a essa empresa que foi o principal alvo da Operação Companheiro II, por fornecer carne podre para várias prefeituras e por fraudes em licitações. Recentemente, o Ministério Público Federal também instaurou inquérito para investigar os contratos dessa empresa com prefeituras, com foco na Prefeitura de Gravatá (leia matéria da Folha de Pernambuco em MPF abre inquérito para investigar contrato de merenda escolar em Gravatá) :


17.327.548/0001-43WJR COMERCIAL LTDA - ME 806.278,26806.278,26806.278,26

Até o momento, a decisão liminar que reconduziu Bruno Pereira ao cargo, exarada por um desembargador durante as férias do Relator do processo, não foi referendada pela Câmara Criminal onde corre o inquérito policial contra o prefeito e seus secretários. Não se tem notícias também de que o MPPE tenha denunciado Pereira ou quaisquer de seus Secretários. A denúncia é da competência do Procurador Geral de Justiça, em razão do foro privilegiado de Pereira.









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