Eduardo da Fonte e Ciro Nogueira denunciados pela PGR por tentativa de suborno de testemunhas. Denúncia coincide com apoio à reeleição de Paulo Câmara em troca da presidência do Porto de SUAPE


No mesmo dia em que o governador de Pernambuco Paulo Câmara anuncia com pompa e circunstância que o PP, partido comandado por Eduardo da Fonte e por Ciro Nogueira, teria aderido à sua reeleição em troca de cargos no governo de Pernambuco, em especial a presidência do Porto de Suape, os dois dirigentes do PP são denunciados pela Procuradora Geral da República, Raquel Dodge, por obstrução da Justiça.


Conforme já noticiamos aqui mesmo em nosso Blog, no dia 24 de abril deste ano, a Polícia Federal em Pernambuco cumpriu um mandado de Busca e Apreensão no apartamento residencial do Deputado Federal Eduardo da Fonte, do PP, no Recife, por determinação do ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF. O deputado mora em um apartamento de luxo na Av. Boa Viagem, um dos metros quadrados mais caros do País. Durante as buscas, os agentes federais, que vieram especialmente para cumprir o mandado, apreenderam um celular do deputado federal Eduardo da Fonte, que se encontrava no local e acompanhou as diligências.

Dudu da Fonte, como é conhecido, é alvo de uma nova fase da Lava Jato por suspeitas de obstrução da Justiça que teria praticado juntamente com o presidente de seu partido, o senador Ciro Nogueira, do Piauí. Um ex-deputado do PP, Marcio Junqueira, de Roraima, foi alvo de mandado de prisão. Mandados de busca e apreensão também foram cumpridos nos apartamentos funcionais dos parlamentares e em seus gabinetes, no Congresso Nacional.

Ex-assessor parlamentar de Ciro Nogueira, que se encontra sob proteção do serviço de proteção a testemunhas, contou aos investigadores da Lava Jato que os parlamentares alvos da Operação do dia 24 de abril ameaçavam testemunhas até de morte para coagi-las a mudarem depoimentos que comprometessem os parlamentares do PP, partido que tem 21 investigados pela Lava Jato. O pagamento de suborno a testemunhas também teriam sido delatados pelo ex-assessor de Nogueira e de Eduardo da Fonte.

O Blog teve acesso à íntegra do depoimento prestado pelo pelo ex-assessor do deputado Eduardo da Fonte à Polícia Federal, no âmbito do Inquérito 4074, que tramita no Supremo Tribunal Federal e em determinado trecho, José Expedito revela que mesmo enfrentando sério problemas de saúde e sentindo dores em razão de uma cirurgia, foi obrigado por Eduardo da Fonte, a quem conhece há pelo menos 20 anos, tendo começado a trabalhar com Eduardo da Fonte quando este ainda vendia carros em São Paulo, a viajar para o Rio de Janeiro para buscar dinheiro. Além disso, expedito conta que 'foi agredido por Eduardo da Fonte em São Paulo, após tê-lo apanhado bêbado em uma nota no bairro Itaim Bibi; que no trajeto até o Hotel Emiliano, Eduardo da Fonte desferiu dois socos na cabeça do declarante, sem qualquer motivo, fazendo com que o declarante se sentisse bastante humilhado; que acredita que essa violência gratuita tenha sido efeito da bebida."

José Expedido contou ainda à Polícia Federal que "por conta de todos esses desentendimentos, que foram se agravando ao longo do tempo, o declarante resolveu falar com o pai de Eduardo da Fonte, 'Seu Maurício Albuquerque', para que ele intercedesse junto a Eduardo da Fonte no sentido de que o declarante não mais fosse acionado para transportar dinheiro", segundo, ainda José Expedito, "esse foi o 'seu fim', pois tem convicção que será perseguido por Eduardo da Fonte temendo, inclusive por sua integridade física e de sua família"

O depoimento foi prestado perante a Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado (DICOR/PF) do Grupo de Inquéritos do Supremo Tribunal Federal (GINQ), em outubro de 2016. 






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