Operação Torrentes: Alvos de 5ª Denúncia, Coroneis e Empresários já procuram novos advogados para negociar "delação"



O sempre bem informado Blog da Noelia Brito tomou conhecimento de que tanto os coroneis, quanto os empresários alvos da chamada Operação Torrentes, considerada a Operação Lava Jato de Pernambuco, dado o seu potencial explosivo contra políticos de alta patente do Estado e até de outras unidades da Federação, já estariam negociando a contratação de advogados especialistas em acordos de colaboração premiada por não verem outra saída após serem atingidos pela 5ª denúncia do Ministério Público Federal (MPF) em Pernambuco (PE), na última terça-feira (26/6), dirigida a Ricardo José Padilha Carício, Rafaella Carrazzone da Cruz Gouveia Padilha, Ítalo Henrique Silva Jaques, Taciana Santos Costa, Daniel Pereira da Costa Lucas, José Bezerra dos Santos, Carlos Roberto Souza Lima, Carlos Robério dos Santos, João Vanderley Costa Pereira, Manoel Henrique Santos Lima, Manoel Teixeira dos Santos, Rafael Lima de Araújo e Marcelo Martins Ribeiro, denunciados pela prática dos crimes de corrupção ativa qualificada, corrupção passiva qualificada, tráfico de influência, peculato e lavagem de dinheiro.

As denúncias, segundo o próprio MPF, não devem parar por aí, pois cada um dos contratos investigados (mais de dez) devem gerar um processo criminal contra os envolvidos, gerando penas altíssimas na hipótese de condenação. Conforme nosso Blog já noticiou anteriormente, reproduzindo documentos que constam no Inquérito que deu origem à Torrentes e em Relatório da CGU, os recursos desviados pelos denunciados das vítimas das enchentes em Pernambuco teriam "irrigado" as campanhas eleitorais de vários candidatos havendo citação expressa às campanhas de Geraldo Júlio à Prefeitura do Recife e de Paulo Câmara ao Governo do Estado.

Quanto à 5ª Denúncia, segundo o MPF, entre janeiro de 2013 e agosto de 2014, nos municípios do Recife (PE) e de São Luís (MA), Ricardo José Padilha Carício, Rafaella Carrazzone da Cruz Gouveia Padilha, Ítalo Henrique Silva Jaques e Daniel Pereira da Costa Lucas, agindo em conjunto e contando com o auxílio de José Bezerra dos Santos e Carlos Roberto de Souza Lima (que solicitaram vantagem), pagaram vantagem indevida de mais de R$ 185 mil a João Vanderley Costa Pereira, então comandante do Corpo de Bombeiros Militar do estado do Maranhão, Carlos Robério dos Santos, secretário-executivo de Defesa Civil do estado do Maranhão e a Manoel Henrique Santos Lima, assessor jurídico. 

Em troca do dinheiro recebido, eles deveriam praticar os atos de ofício necessários para que o Corpo de Bombeiros do Maranhão/Defesa Civil aderisse a duas atas de registro de preços celebradas pela Casa Militar de Pernambuco, contratando a FJW da Cunha Filho Alimentos, administrada por Ricardo Padilha, Rafaela Carrazzone e Italo Jaques, e, em seguida, desviassem, em favor da empresa e de seus administradores, aproximadamente R$ 7,2 milhões, por meio de pagamentos para aquisição, com sobrepreço, de filtros e cestas básicas (a investigação revelou a prática de sobrepreço apenas na aquisição dos filtros), que só foram entregues parcialmente.

O MPF argumenta que, para desviar as verbas em favor da empresa, João Vanderley Costa contou com o auxílio de Manoel Teixeira, Manoel Henrique Santos, Rafael Lima de Araújo e Marcelo Martins Ribeiro. As investigações apontaram que houve o pagamento pela aquisição de 116.181 filtros e 65.000 cestas básicas, mas, na verdade, apenas 54.501 filtros e 11.930 cestas básicas foram entregues. Após o desvio, Ricardo Padilha, Rafaella Carrazzone, Ítalo Jaques e Daniel Pereira teriam efetivado o pagamento de vantagens indevidas a João Vanderley, Carlos Robério e Manoel Henrique.

Para ocultar a origem criminosa e a propriedade dos recursos obtidos com esses desvios, destinados aos agentes públicos do Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão, conforme argumenta o MPF na denúncia, Ricardo Padilha, Rafaella Carrazzone, Ítalo Jaques, Daniel Pereira, João Vanderley e Manoel Henrique teriam acertado que os pagamentos seriam realizados a partir da conta bancária de Daniel Pereira e não da empresa contratada (FJW da Cunha Filho). Além disso, os valores também seriam repassados para as contas de Manoel Henrique e de uma terceira pessoa, apesar de serem destinados a João Vanderley.

O valor desviado, devidamente corrigido, equivale a um dano de mais de R$ 12 milhões aos cofres públicos. Caso sejam condenados pela Justiça Federal, os denunciados estarão sujeitos a penas privativas de liberdade – que, somadas, podem atingir 162 anos de prisão –, além de pagamento de multa, ressarcimento dos danos e perda dos cargos públicos ou cassação das aposentadorias, no caso dos oficiais.

Leia a íntegra da 5ª denúncia AQUI.


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