Sem olhar para o próprio rabo, PSB de Santa Catarina chama aliança com o PT de "indignidade" e "conivência com a corrupção"

Paulo Bornhausen, que aparece na Lista da Odebrecht com a alcunha de "Filho", assina nota do PSB de Santa Catarina onde aliança com o PT é chamada de "indignidade" e conivência com a corrupção"


Apesar de ter vários parlamentares e integrantes sendo alvos de inquéritos, processos e operações policiais por crimes que vão de lavagem de dinheiro a corrupção, o Partido Socialista Brasileiro, por intermédio da Executiva Estadual e da Bancada Estadual do Partido em Santa Catarina soltou, hoje (15), nota em que rechaça a aliança com o Partido dos Trabalhadores que vem sendo alinhavada pelo governador de Pernambuco, Paulo Câmara, que é um dos vice-presidentes do PSB Nacional.

De acordo com a nota, assinada pelo presidente do PSB de Santa Catarina, Ronaldo Freire e pelo presidente de honra da legenda naquele Estado, Paulo Bornhausen, o partido em Santa Catarina considera "uma indignidade e um desrespeito à Lei da Ficha Limpa coligar com um partido que tem como pré-candidato à Presidência da República um preso condenado em segunda instância."

Na opinião das lideranças pessebistas catarinenses uma aliança desse tipo passa à sociedade "uma ideia errada de conivência com a corrupção que veio à tona nas investigações da Operação Lava Jato que fustigaram governos petistas." Interessante partir justamente de alguém que consta na Lista da Odebrecht uma nota com esse conteúdo. É que o presidente de honra do PBS de Santa Catarina tinha até uma alcunha na Lista da Odebrecht, ele era o "Filho", numa alusão ao fato de ser filho de Jorge Bornhousen, ex-ministro da Educação de José Sarney. O ex-deputado federal Paulo Bornhausen (PSB) teria recebido R$ 100 mil em dois repasses. Seu codinome no sistema que organizava as doações da Odebrecht era "Filho". Filiado ao DEM na época, Bornhausen foi reeleito naquele ano (leia em Nomes em planilhas indicam que Odebrecht teria doado para mais políticos em SC). Aos políticos catarinenses, entre eles Paulo Bornhousen, a Odebrecht teria destonados mais de R$ 20 milhões para bancar suas campanhas (Leia em Quem são os 23 catarinenses citados em delações e planilhas da Odebrecht)

A nota esquece, ainda, de mencionar que tanto o governador de Pernambuco, Paulo Câmara, quanto o prefeito do Recife, Geraldo Júlio, bem como o deputado federal Tadeu Alencar, que é líder do PSB na Câmara dos Deputados são investigados juntamente com o senador  Fernando Bezerra Coelho, hoje no MDB, mas que à época dos fatos era importante liderança do PSB, são investigados na chamada Operação "Fair Play" que gerou um inquérito contra os quatro, no Supremo Tribunal Federal, recentemente enviado ao STJ (leia em "Fair Play": Inquérito contra Paulo Câmara e Geraldo Júlio por "envolvimento em supostas práticas criminosas que por eles teriam sido perpetradas como Secretários de Estado" e como membros do Comitê Gestor das PPPs desce para o STJ que deve enviar inquérito para Primeiro Grau. Leia a decisão da íntegra:)

A nota ainda afirma que “o PSB deve preservar a sua história de lutas e sua dignidade, bens conquistados na defesa do estado democrático, nas lutas populares e no combate à corrupção”.

A nota explica que a posição do PSB de Santa Catarina foi externada ao Diretório Nacional do partido. No entendimento das lideranças estaduais do PSB, o momento é de dar resposta à sociedade sobre a corrupção que veio à tona nas investigações da Polícia Federal e do Ministério Público, corrupção esta que está atrelada, marcadamente, a governos petistas. Corrupção esta que precisa ser extirpada da vida pública brasileira, segundo a nota.

Ao atrelar a corrupção aos governos petistas, o PSB de Santa Catarina esquece que vários integrantes desse mesmo Partido foram delatados por investigados pela Operação Lava Jato, a exemplo do já mencionado governador Paulo Câmara, bem como do empresário Aldo Guedes que chegou a ser defendido em nota pelo PSB que agora se diz árduo combatente contra a corrupção (Leia em PSB Estadual sai em defesa de Fernando Bezerra Coelho e Aldo Guedes Recurso de Lula no TRF4 cita Aldo Guedes sobre suposta propina de 6 milhões para PSBPropinoduto do PSB de Pernambuco: Delação de Joao Carlos Lyra revela formas utilizadas para repasses de propinas para o PartidoAldo Guedes, aliado de Campos, teria recebido por obra em PernambucoDelações da Odebrecht: depoimento detalha pagamento de propina em obras de SuapeO esquema do PSBDelator da Odebrecht afirma que Aldo Guedes pediu R$ 90 milhões de propina em nome de Eduardo CamposObras na refinaria Abreu e Lima renderam R$ 90 milhões em propina a PP, PT e PSB).

O PSB catarinense afirma que com a Nota "responde às especulações noticiadas em esfera nacional sobre conversações do Diretório Nacional do partido que estão sendo postas no atual momento em relação às eleições deste ano. A nota é taxativa: o partido em Santa Catarina é absolutamente contrário a qualquer tipo de aproximação com o PT em qualquer nível."

No entanto, com relação a alianças do PSB com o MDB de Michel Temer, os catarinenses não parecem ter restrição, mesmo se tratando do Partido que mais se beneficiou dos esquemas criminosos investigados pela Lava Jato, a ponto de ter um presidente duas vezes denunciado por corrupção, em pleno mandato. No Rio Grande do Sul, o PSB aprovou, ontem (14) que deverá apoiar a reeleição de Ivo Sartori em detrimento de uma candidatura própria ao governo. Foram 60 voto a favor da aliança e 35 pela candidatura própria:



LEIA A NOTA NA ÍNTEGRA:

PSB de Santa Catarina se posiciona contra possível coligação com PT
 
A Executiva Estadual do partido e a Bancada Estadual do PSB divulgaram nota nesta sexta-feira (15-06) explicando as razões da decisão. A nota esclarece a posição do partido em Santa Catarina que considera uma indignidade e um desrespeito à Lei da Ficha Limpa coligar com um partido que tem como pré-candidato a  Presidência da República um preso condenado em segunda instância. 
 
Na opinião das lideranças pessebistas catarinenses uma aliança desse tipo passa à sociedade uma ideia errada de conivência com a corrupção que veio à tona nas investigações da Operação Lavajato que fustigaram governos petistas.
 
Para Paulo Bornhausen, que dirige o Conselho Político do Partido, “o PSB deve preservar a sua história de lutas e sua dignidade, bens conquistados na defesa do estado democrático, nas lutas populares e no combate à corrupção”.
 
A nota explica que a posição do PSB de Santa Catarina foi externada ao Diretório Nacional do partido.
 
No entendimento das lideranças estaduais do PSB, o momento é de dar resposta à sociedade sobre a corrupção que veio à tona nas investigações da Polícia Federal e do Ministério Público, corrupção esta que está atrelada, marcadamente, a governos petistas. Corrupção esta que precisa ser extirpada da vida pública brasileira, segundo a nota.
 
O PSB de Santa Catarina entende que a maneira de fazer as pessoas voltarem a acreditar na política é apresentar nestas eleições propostas inovadoras e factíveis que contemplem políticas sociais, de geração de emprego e renda, segurança, saúde e educação. Sobretudo, que é chegado o momento de renovar a fé na democracia e nas instituições, de reacender nas pessoas a crença na honestidade e nos bons princípios como forma inegociável de proceder a ação política.
 
A nota do PSB Catarinense responde às especulações noticiadas em esfera nacional sobre conversações do Diretório Nacional do partido que estão sendo postas no atual momento em relação às eleições deste ano. 
 
A nota do PSB do estado é taxativa: o partido em Santa Catarina é absolutamente contrário a qualquer tipo de aproximação com o PT em qualquer nível.
 
Mais informações:
Ronaldo Freire, presidente Estadual do PSB (48) 99981-0780

Paulo Bornhausen, Presidente de Honra, (48) 99142-9144

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