Acordo "genial" de Gleisi, Humberto e Paulo Câmara foi rejeitado por 92% dos delegados do PT de Pernambuco. De quebra, Paulo Câmara ainda perdeu o PDT que debanda para a oposição

O PSB é especialista em eliminar mulheres do PT. Fez com Dilma e quer fazer com Marília. E Gleisi, uma mulher afiançando. Tempos sombrios esses vividos pelo PT

Um acordo espúrio fechado "nos esgotos do Palácio", como tem sido definida a aliança entre PT e PSB, pelo ex-deputado federal Fernando Ferro, do PT de Pernambuco, foi rejeitado por 92% dos delegados presentes ao Encontro de Tática Eleitoral do Partido dos Trabalhadores de Pernambuco, que se estendeu por toda a tarde e início da noite de ontem (2), no Recife Praia Hotel, Bairro do Pina, na Capital pernambucana. A decisão rejeitou a recomendação da Executiva Nacional do PT para que em Pernambuco fosse feita aliança com o PSB.

O acordo, que teve como principal mentor o senador Humberto Costa, previa a renúncia a uma candidatura própria do PT ao governo de Pernambuco, em troca da retirada da candidatura do PSB ao governo de Minas Gerais, supostamente para beneficiar os governadores daqueles Estados em suas tentativas de reeleição, já que ambos sofrem a impopularidade de suas gestões, de um lado Paulo Câmara, do PSB de Pernambuco e do outro Fernando Pimentel, do PT de Minas Gerais.

Além de beneficiar dois gestores pessimamente avaliados pelos eleitores de seus Estados, o acordo espúrio chama a atenção pela vantagem leonina dada ao PSB pelo PT, de maneira estranhamente graciosa, já que em Minas, Márcio Lacerda está apenas em terceiro lugar nas pesquisas e a retirada de sua candidatura faria migrar seus votos ao candidato do PSDB, Antônio Anastasia, líder das pesquisas, fazendo crescer o abismo entre este e Pimentel. O eleitorado de Lacerda é sabidamente mais identificado com o PSDB do que com o PT. Além de não aceitar uma vaga na chapa de Pimentel para disputar o Senado, Márcio Lacerda ainda manteve a própria candidatura, rebelando-se contra a decisão da direção nacional do PSB.

Não há lógica na utilização da retirada da candidatura de Lacerda em Minas como moeda de troca com o PT, exceto se o Partido de Lula estivesse trabalhando a favor da candidatura do tucano Anastasia.

Não se deve desprezar, porém, o fato de que um dos principais artífices do acordo para retirar Lacerda e Marília da disputa é o governador Paulo Câmara, eleitor e árduo defensor da candidatura de Aécio Neves à presidência contra Dilma Rousseff, hoje candidata ao Senado na chapa de Pimentel e líder nas pesquisas, enquanto Aécio disputará apenas um cargo de deputado federal "para não prejudicar a candidatura de Anastasia".

Paulo Câmara fez ardorosa defesa de Aécio Neves enquanto Geraldo Júlio gritava de cima do palanque do tucano pra tirarem Dilma da presidência: "Tira essa mulher dali", berrava Geraldo Júlio, prefeito do Recife. Foram do PSB de Pernambuco os votos decisivos para o impeachment de Dilma.
Enquanto reservava para Dilma Rousseff ofensas de toda ordem, chegando ao ponto de Geraldo Júlio, prefeito do Recife, esbravejar de cima do palanque de Neves, pra "tirar essa mulher daí", numa alusão à necessidade, para o PSB de Pernambuco de retirar Dilma Rousseff da Presidência da República. Incapazes de derrotar Dilma no voto, já que mesmo com o apoio do PSB, o candidato tucano, naquela eleição de 2014, teve derrota expressiva em Pernambuco. De fato, foram os votos do PSB de Pernambuco que pouco tempo depois se mostraram decisivos para tirar de Dilma o mandato que o povo brasileiro e o povo pernambucano lhe deu por sua vontade soberana. Foi o PSB de Pernambuco e Paulo Câmara, que chegou a liberar quatro secretários de seus cargos só para que não faltasse nenhum voto para a aprovação do impeachment quem "tirou aquela mulher dali."

Já em Pernambuco, a retirada de Marília Arraes da disputa beneficiaria diretamente Paulo Câmara e a mais ninguém! Câmara amarga 72% de rejeição e já teria caído para a segunda colocação nas pesquisas de opinião, atrás exatamente de Marília Arraes, a candidata confirmada ontem por 92% dos delegados do PT de Pernambuco que rejeitaram o acordo subterrâneo firmado entre caciques petistas e do PSB para beneficiar Paulo Câmara.

Feita essa conta, restam sérios questionamentos sobre os reais motivos e qual a verdadeira contrapartida do PSB nesse acordo  esdrúxulo afiançado por Humberto Costa e Gleisi Hoffmann, hoje sabidamente pretendente a candidata do PT à presidência no lugar de Lula.

A inabilidade de Gleisi Hoffmann na condução desse processo não passou desapercebida por petistas de todo o país que manifestaram espanto com a retirada da candidatura de Marília Arraes, em Pernambuco, supostamente em troca da candidatura de Márcio Lacerda, em Minas. Troca que sequer se concretizou, porque Lacerta manteve a candidatura e o próprio PT de Minas aprovou que naquele Estado não haveria aliança com Partidos golpistas e o PSB é um dos partidos golpista - é "apenas" aquele que deu os fotos necessários ao impeachment de Dilma.

Não foram apenas as rede sociais da presidente do PT e postulante a sucessora de Lula na chapa presidencial que se fizeram tomadas por milhares de comentários, críticas e desabafos contra o acordo. Em artigos, postagens em redes sociais e entrevistas, petistas de renome como o ex-governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, o deputado federal Wadith Damous, que inclusive é um dos advogados de Lula, a filósofa Marcia Tiburi, candidata a governadora do Rio de Janeiro,  o jornalista e amigo pessoal de Lula, Ricardo Kotscho, a ex-prefeita de Fortaleza, hoje deputada federal, Luizianne Lins são apenas alguns dos nomes que manifestaram espanto com a manobra. Kotscho chegou a escrever em artigo publicado em seu Blog e reproduzido em diversos outros portais e blogs que "ao rifar Marília Arraes o PT arriscava a própria sobrevivência do Partido."

Humberto Costa é o fiador da aliança
com o PSB em Pernambuco
Gleisi, influenciada por Humberto Costa que hoje claramente perdeu o comando do PT em Pernambuco, ainda que a presidência local esteja nas mãos de um indicado seu, acreditou que estava fazendo uma jogada digna do mestre Lula, ao fechar acordo com o PSB dando de bandeja a este partido, a reeleição para o governo de Pernambuco e em troca de quê? Em troca de nada, achando que com isso contaria com o apoio do PSB em vários Estados, inclusive em Pernambuco não à eleição de Lula, sabidamente inelegível, mas à própria eleição à presidência. Gleisi, por assim dizer, "legislou em causa própria".

Mas ficou muito claro que Gleisi não é e nem nunca será um Lula. Em Pernambuco, antes de desrespeitar a vontade majoritária do povo pernambucano e dos filiados de seu próprio Partido, Gleisi, a se confirmar como a candidata de Lula, teria não apenas um palanque com a candidatura de Marília, mas apoio da militância de esquerda e de seu partido. Depois de tratar Pernambuco como se trata uma vilarejo desprezível, Gleisi corre o risco de receber do povo pernambucano e até de seus próprios companheiros de legenda, o mesmo tratamento dado a Humberto Costa durante o encontro eleitoral onde ele, Humberto, e sua aliança e de Gleisi com o PSB, rejeitada por 92% dos petistas foi taxados por uma multidão enfurecida como "golpista". Os vídeos com os mais de dez minutos de vaias e xingamentos dos petistas contra Humberto circulam livremente pela internet e em grupos de WatsApp.

Leonel Brizola, Heroi da Pátria

Como costumava dizer Leonel Brizola, senhora Gleisi Hoffmann e senhor Humberto Costa, a política ama a traição, mas, logo em seguida, abomina o traidor.

O PDT de Leonel Brizola, aliás, ontem, anunciou que não integra mais a base de apoio do PSB em Pernambuco e que José Queiroz não poderá compor a chapa de Paulo Câmara. Anunciou que estuda lançar o advogado Túlio Gadelha ao governo de Pernambuco ou apoiar uma candidatura de oposição. Gadelha, que havia sido demitido de um cargo no governo de Pernambuco, por Paulo Câmara, porque ameaçava com seu trabalho junto aos movimentos sociais, tirar votos de deputados do PSB, é coordenador da campanha de Ciro Gomes em Pernambuco e sua candidatura daria ao pedetista um palanque no Estado. Segundo o PDT, quem não serve para uma aliança nacional também não deve servir pra uma aliança regional. Por manobras pessoais de Paulo Câmara, o PSB deixou de apoiar o PDT na disputa presidencial, mas também não apoiará o PT, já que a maioria de seus diretórios tem repugnância pelos petistas. 

A se confirmar logo mais, pelo Diretório Nacional do PT, a decisão tomada pelos 92% dos delegados do PT de Pernambuco, Paulo Câmara terá perdido, às vésperas de sua convenção, dois integrantes de sua chapa que já eram anunciados por ele como certos: Humberto Costa, do PT e José Queiroz, do PDT. Quem tudo quer...Realmente, a Política não é para principiantes.


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