MPPE AFASTA PROMOTOR ALVO DA OPERAÇÃO PONTO CEGO INVESTIGADO POR FAVORECER PRESOS DE QUADRILHA QUE APLICAVA GOLPES EM IDOSOS



A Subprocuradoria-Geral de Justiça em Assuntos Institucionais, Laís Teixeira, divulgou nota, ontem (6), confirmando on afastamento em caráter cautelar do Promotor de Justiça Marcellus Ugiette, responsável pela Promotoria de Execuções Penais no Estado, de suas funções, "Após ser comunicada pela Polícia Civil sobre indícios de favorecimento a um membro do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) levantados no âmbito da investigação que culminou com a Operação Ponto Cego, na última sexta-feira (3)".

Embora não cite o nome do membro da instituição, o próprio Promotor Marcellus Ugiette tem dado entrevistas em rádios e outros meios de comunicação para se defender, depois que sua identidade foi revelada pelo Blog JC na Ruas (https://jc.ne10.uol.com.br/blogs/rondajc/2018/08/06/promotor-marcellus-ugiette-e-um-dos-alvos-de-operacao-da-policia/ e https://jc.ne10.uol.com.br/blogs/rondajc/2018/08/06/mppe-afirma-que-promotor-de-justica-teria-praticado-corrupcao-passiva/)

De acordo com a nota, a PGJ determinou a continuidade das investigações no âmbito criminal e encaminhou expediente à Corregedoria Geral para instauração de procedimento administrativo.

Em razão dos ditames legais que regem a investigação de supostos atos ilícitos praticados por membros do Ministério Público, o prosseguimento das investigações será feito de forma sigilosa tanto no âmbito da Corregedoria, que avalia a conduta funcional do promotor de Justiça, quanto no procedimento criminal, que está sendo conduzido pela Subprocuradoria Geral em Assuntos Institucionais, por delegação da Procuradoria Geral de Justiça, através do Grupo de Atuação Especial de Enfrentamento às Organizações Criminosas (Gaeco), em conjunto com a Polícia Civil.

Durante coletiva de imprensa, na sede do MPPE, promotores do GAECO revelaram que havia indícios de que Ugiette recebia até presentes de presos para facilitar que membros de uma mesma organização criminosa ficassem juntos no mesmo presídio. A intermediação era feita por dois advogados que foram presos durante a Operação e cujos nomes não foram revelados. A casa de Ugiette foi alvo de um dos 16 mandados de buscas e apreensões expedidos pelo Tribunal de Justiça na Operação Ponto Cego que também cumpriu 19 mandados de buscas e apreensões.

A quadrilha que teria sido beneficiada por Ugietti aplicava golpes em idosos, por meio de fraudes bancárias e mesmo presos continuavam comentando crimes.

Durante as eleições para prefeito do Recife, em 2016, Ugiette, atuando como promotor eleitoral, recebeu representação contra Geraldo Júlio, por abuso do poder econômico e político ao comprar o apoio político do Partido da Mulher Brasileira em troca de dar cargos comissionados a parentes de dirigentes da legenda que eram "fantasmas" no gabinete da representação do Prefeito do Recife. Apesar da denúncia não ter prosperado nas mãos de Ugiette, o TCE confirmou as contratações fantasmas. As representações foram do ex-vereador Sergio Magalhães.

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