MPPE e Polícia Civil detalham Operação que afastou presidente da Câmara do Cabo e mais quatro vereadores

Representantes do MPPE do Cabo e da Polícia Civil detalharam a Operação Ghost
Em entrevista coletiva realizada na tarde de ontem (20), na sede da Delegacia de Policia de Combate aos Crimes Contra a Administração e Serviços Públicos - DECASP, o Ministério Público de Pernambuco, com atuação no Cabo de Santo Agostinho e a Polícia Civil, responsáveis pela deflagração da Operação "Ghost", que investiga a prática do delito de peculato por vereadores e servidores comissionados da Câmara do Vereadores do Cabo de Santo Agostinho divulgaram detalhes da Operação que resultou no afastamento preventivo por tempo indeterminado dos parlamentares e dos servidores de suas funções, por determinação da 1ª Vara Criminal daquela Comarca (Assista a entrevista completa em https://www.facebook.com/noeliabritoblog/videos/2054973761193451/).

Mário Anderson da Silva Barreto (PSB), o Anderson Bocão, Gessé Valério de Oliveira (PR), Amaro Honorato da Silva (PRP), o Amaro do Sindicato, Neemias José Silva (PV) e Ezequiel Manoel dos Santos (PT) e mais seis assessores tiveram gabinetes e residências vasculhados pela Operação Policial.

Anderson Bocão é o presidente da Câmara. Ezequiel exerce a função de primeiro vice-presidente e Amaro ocupa o cargo de 1º secretário.

De acordo com a Delegada Patrícia Domingos, titular da DECASP, a investigação se estendeu por um ano e meio e teve início em abril de 2017, por requisição do Ministério Público de Pernambuco, tendo constatado que servidores daquela Casa estariam emprestando seus nomes para que os Vereadores recebessem a maior parte dos valores pagos pela Câmara a título de remuneração, ficando os servidores apenas com pequena parcela desses valores e sem que estes dessem a respectiva contraprestação, caracterizando-se, assim, o crime de peculato desvio, que sujeira os autores a penas que variam de 2 a 12 anos.

Ainda segundo a delegada, a investigação foi feita por "amostragem", escolhendo-se alguns comissionados dos vereadores investigados, chegando-se à conclusão de que estes não prestariam serviços na Câmara: "durante o período em que eles deveriam estar trabalhando na Câmara internamente ou externamente - eles poderiam tranquilamente ter trabalho externo também, junto às comunidades -, mas a nossa equipe realizou um trabalho de vigilância e essas pessoas eram monitoradas durante alguns dias e foi constatado que em momento algum elas prestavam serviço à Câmara, nem comparecendo à Câmara e nem prestando trabalho externo também, certo? Inclusive, alguns deles têm trabalhos fixos em outros locais e em empresas privadas, inclusive e foram filmados trabalhando nesses locais".

Foram utilizados 80 policiais civis para o cumprimento de 13 mandados de busca e apreensão de livros de ponto, contra-cheques, documentos de pagamentos, celulares, notebook e uma arma de fogo.

Para garantir o ressarcimento dos valores que supostamente teriam sido desviados, calculados em torno de R$ 1 milhão, o Ministério Público pediu o sequestro dos bens dos 11 investigados. Os salário recebidos pelos comissionados variam, de acordo com o MPPE, entre R$ 7 mil e R$ 9,7 mil.

Os responsáveis pela Operação confirmaram que as investigações devem prosseguir, diante das suspeitas da existência de outros servidores "fantasmas" na Câmara, inclusive ligados a outros vereadores. 

A Promotora de Justiça Alice Morais revelou que os vereadores Jessé Valério e Amaro do Sindicato já respondiam outras ações por improbidade e criminais, em razão de práticas delituosas em mandatos anteriores, inclusive pela mesma prática de manutenção de funcionários fantasmas.

A delegada encarregada pela Operação revelou que o assessor do vereador Neemias trabalharia, na verdade, empresa de segurança Alforge, durante a noite e durante o dia teria sido monitorado fazendo atividades corriqueiras como ir à padaria, porém, sem qualquer ligação com a Câmara do Cabo.

Já o assessor do vereador Ezequiel trabalharia, segundo a delegada, numa empresa chama Vibromec Ltda., pertencente aos seus pais e sediada em sua residência, sendo o próprio funcionário quem atendia o telefone.

Uma trabalhadora rural, moradora de um engenho e que disse aos investigadores que sobrevivia do que plantava seria assessora do vereador Amaro do Sindicato.

Presidente da Câmara, Anderson Bocão (de barba, abraçado ao governador Paulo Câmara), do PSB, foi afastado pela Justiça, por tempo indeterminado, juntamente com os demais investigados (Foto: Instagram de Anderson Bocão)

Uma assessora do presidente da Câmara, Anderson Bocão, teria sido filmada trabalhando como atendente da Clínica Plus Med, enquanto outro assessor do mesmo vereador trabalharia no Shoping Costa Dourada, numa Loja Ortobom ganhando R$ 1,1, enquanto na Câmara receberia um salário de mais de R$ 9 mil.

Ao prestarem depoimento à Polícia na tarde de ontem, porém, todos os comissionados negaram qualquer prática criminosa e afirmaram trabalhar efetivamente na Câmara do Cabo.

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