PF rastreou saque de R$ 2 milhões por empresa investigada na Torrentes a dois dias das eleições de 2014 e ida de coronel investigado à sede do PSB e mesmo assim TRE proíbe Armando de associar Operação Torrentes ao governo de Paulo Câmara



A Polícia Federal e a CGU revelaram, em entrevista concedida no dia 09 de novembro de 2017, data da deflagração da primeira fase da Operação Torrentes, que além do superfaturamento e das fraudes nas licitações feitas de maneira "grotesca" por empresas ligadas ao empresário Ricardo Padilha com a Casa Militar do Governo de Pernambuco e outros órgãos que a quebra de sigilo bancário de alguns dos investigados desvendou o pagamento de propina a servidores para os quais as empresas investigadas transferiram recursos inclusive por meio de "empréstimos" simulados ou mesmo diretamente, por transferência bancária.

Na ocasião, a Polícia Federal dividiu o esquema criminoso em cinco grupos distintos: um formado pelos militares responsáveis pelos contratos e outros quatro formados pelos empresários beneficiários do esquema.

Do Núcleo Militar foram presos temporariamente o Coronel Fábio Rosendo de Alcântara e o Tenente Coronel e conduzidos coercitivamente os Coroneis Mário Cavalcanti, Roberto Gomes de Mello Filho e Waldemir José de Vasconcelos Araújo.

O Coronel Mário Cavalcanti, ex-assessor especial do governador Paulo Câmara e que já foi denunciado pelo Ministério Público Federal por causa da Operação Torrentes e que atuou como interventor no Município de Gravatá despertou a desconfiança tanto da Polícia Federal, quanto do MPF, ao promover reunião com os investigados tão logo a Polícia Federal deflagrou a Operação Mata Norte, que revelou que o empresário Ricardo Padilha comandava uma rede de empresas "laranjas" para fraudar licitações para fornecimento de merenda escolar para diversos Municípios e para órgãos do Estado de Pernambuco. Conforme nosso Blog revelou, em primeira mão, só com a Casa Militar, as empresas de Ricardo Padilha, preso na Operação Mata Norte e na Operação Torrentes, também alvo de cinco denúncias de corrupção pelo MPF, teriam contratos superiores a R$ 40 milhões, justamente para o fornecimento de filtros, transporte e armazenamento, água mineral, dentre outros, destinados às vítimas das cheias (Leia em EMPRESAS INVESTIGADAS PELA POLÍCIA FEDERAL NA OPERAÇÃO "MATA NORTE" POR FRAUDES EM LICITAÇÕES DA MERENDA TÊM CONTRATOS MILIONÁRIOS SEM LICITAÇÃO COM SECRETARIAS ESTADUAIS LIGADAS À SEGURANÇA PÚBLICA E À RESSOCIALIZAÇÃO DE PRESOS E MENORES e EMPRESA ALVO DA OPERAÇÃO "MATA NORTE" DA PF CONTRA FRAUDES EM LICITAÇÕES DA MERENDA ESCOLAR RECEBEU MAIS DE R$ 40 MILHÕES DO GOVERNO DE PERNAMBUCO justamente os que foram alvo da Operação da Polícia Federal.

Além disso, de acordo com a Polícia Federal, na mesma entrevista, dois dias antes das eleições de 2014, no dia 03 de outubro, foi realizado um saque de R$ 2 milhões de uma conta da empresa FJW, empresa de Ricardo Padilha, por uma pessoa de nome Ewerton Soares da Silva, que, por sua vez, teria entregado o dinheiro ao Coronel da PM Roberto Gomes Filho, cujo celular, ao ser rastreado pela Polícia Federal, revelou que teria levado os recursos à sede do PSB - Partido Socialista Brasileiro. O Coronel Mário Cavalcanti era o coordenador financeiro da campanha de Paulo Câmara ao governo de Pernambuco. Tudo o que aqui está dito é apenas a reprodução do que publicamos no dia da deflagração da Operação Torrentes, conforme se pode conferir em OPERAÇÃO TORRENTES: POLÍCIA FEDERAL RASTREOU ENTREGA DE R$ 2 MILHÕES POR EMPRESA DE RICARDO PADILHA NA SEDE DO PSB A DOIS DIAS DAS ELEIÇÕES DE 2014) e foi revelado, conforme visto acima, na mencionada coletiva de imprensa da Polícia Federal, tendo repercutido em vários órgãos de imprensa, não sendo, portanto, novidade para ninguém (Leia em PF mira saque de R$ 2 milhões às vésperas da eleição de 2014 e Quebra de registros telefônicos ligou coronel preso pela PF ao PSB):










Apesar de ficar evidenciado que a Operação Torrentes investiga também o desvio de recursos das vítimas das enchentes para campanha eleitoral do PSB, em 2014, quando Paulo Câmara foi candidato pela primeira vez ao governo de Pernambuco, sagrando-se, inclusive vencedor, a Justiça Eleitoral proibiu que Armando Monteiro exiba em seu guia eleitoral imagens referentes a operação Torrentes, sob o entendimento de que a Operação Torrentes nada tinha a ver com o governador Paulo Câmara. Confira a decisão:

"Ora, resta claro que da análise do conteúdo impugnado há propaganda com intuito de desconstruir a imagem do candidato à reeleição, pois o que investigação deu-se no âmbito de outros setores do Palácio do Campos das Princesas e não no Gabinete do governador como induz a propaganda ora suspensa por esta decisão judicial.

Assim, pelo exposto, presentes os requisitos autorizadores, excepcionalmente, DEFIRO A PRETENSÃO LIMINAR, para suspender imediatamente a veiculação de toda a propaganda impugnada, integral ou parcialmente, em programa eleitoral de bloco ou em inserções, na TV, no rádio e na internet, sob pena de pagamento de multa de R$ 100.000,00 (cem mil reais) por cada descumprimento, ao veicular novamente os mesmos vídeos.

Determino, ainda, sejam oficiadas as emissoras responsáveis pela veiculação da mídia impugnada para imediato cumprimento da presente decisão.

Notifique-se o Facebook para cumprimento da presente decisão, a fim de que seja suspensa imediatamente a veiculação do conteúdo exibido por meio da URL: https://www.facebook.com/armandomonteironeto/videos/1846493878798094/, bem como que não publique em nenhuma outra URL.

Considerando as proximidades da eleições, inclua-se o presente feito na pauta de amanhã, dia 26/09/2018, na sessão das 14 horas, para apreciação colegiada desta decisão, facultando aos advogados sustentar oralmente."


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