Operação Abismo: ex-presidente da Caboprev revelou esquema corrupto comandado por Lula Cabral, em depoimento ao MPPE no Cabo. Prefeito chegou a aumentar alíquota imposta aos servidores para cobrir rombo causado com a fraude



A prisão preventiva do prefeito do Cabo de Santo Agostinho, Lula Cabral, do PSB, teve por principal motivação, a  possibilidade deste intimidar testemunhas no caso investigado pela Operação Abismo da Polícia Federal, que investiga um esquema criminoso de desvios da ordem de R$ 92 milhões da Previdência dos Servidores do Cabo.

O TRF da 5ª Região, que determinou a prisão, acatou o argumento da Polícia Federal de que Lula Cabral representa risco às investigações, diante da constatação de que logo após a então presidente da Caboprev, Célia Emídio, apresentar sua defesa junto ao TCE/PE, na Auditoria Especial que apura os desvios na Caboprev, o prefeito, que se encontra preso no Cotel, teria exonerado a presidente da autarquia previdenciária e ato contínuo conseguido que a Câmara dos Vereadores aprovasse uma lei permitindo que a Caboprev pudesse ser presidida por pessoa estranha ao quadro efetivo de servidores do Cabo de Santo Agostinho.

SAIBA MAIS

A revelação da manobra de Lula Cabral e a forma como se deu a fraude foi revelada por Célia Emídio ao Ministério Público Estadual de Pernambuco, em depoimentos prestados em julho deste ano, quando se encontrava acompanhada apenas por seu advogado, já que no depoimento anterior, quando acompanhada por representantes da gestão Lula Cabral, nada havia revelado, o que foi interpretado pela Justiça como como fruto de possível intimidação.

Em seu depoimento ao MPPE, Célia contou que estaria com medo e que a ordem para fazer a aplicação dos recursos da previdência em títulos podres da Terra Nova/ foi dada diretamente por Lula Cabral e ainda revelou como se deu a ordem. Segundo Célia Emídio, em seu depoimento à Promotoria de Justiça do Cabo, que em dezembro de 2017, foi chamada ao gabinete de Lula Cabral para tratar de assuntos diversos, oportunidade em que o prefeito a questionou sobre a política de investimentos da Caboprev, sem que entretanto fosse mencionada a Terra Nova. No mesmo dia, porém, representantes dessa empresa a procuraram para que fizesse aplicações em fundos geridos pela entidade, quando teria refutado a possibilidade dessas aplicações em instituição financeira que não fosse a Caixa Econômica Federal. Diante da recusa, Célia Emília teria sido convocada para nova reunião com Lula Cabral, na qual estariam presentes o representante da Terra Nova, conhecido como Lula Lima, e Osvir Thomaz, Secretário de Assuntos Jurídicos do Cabo, quando então teria sido pressionada por Lula Cabral a investir R$ 4,5 milhões dos recursos previdenciários dos servidores em fundos da Terra Nova. Alertado, porém, por Anízio Mendes, de que R$ 88 milhões estariam aplicados em um Fundo da Caixa Econômica Federal (IRFM1), Lula Cabral mandou que todo esse dinheiro fosse resgatado da Caixa Econômica e fosse aplicado nos Fundos podres da Terra Nova, o que foi feito após reunião do Comitê Gestor, sem qualquer análise prévia de viabilidade do investimento.

De acordo, ainda, com o Inquérito nº 3633, da Polícia Federal, Lula Cabral teria, com a ajuda da Câmara de Vereadores do Cabo, aprovado uma alteração na legislação municipal, no final de 2017, para majorar a contribuição dos servidores de 11% para 14% e ainda inserir na base de cálculo da contribuição, parcelas remuneratórias que não serão incorporadas à aposentadoria dos servidores, com isso, teria o prefeito pretendido aumentar a arrecadação da Caboprev com o intuito de suprir o rombo causado pelo desvio por ele comandado, da ordem de R$ 92 milhões e para aumentar a disponibilidade de recursos da entidade, possibilitando, assim, o aumento dos valores passíveis de desvios, tudo às custas dos servidores do Cabo de Santo Agostinho.






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