Operação Abismo: Lula Cabral seria "cartão de visitas" para Orcrim desviar recursos previdencários em outros Municípios de Pernambuco. Gravatá e Bezerros já teriam acertado até percentual, revelam conversas interceptadas entre presos na Operação



A Polícia Federal apurou que vários municípios pernambucanos estariam sendo assediados pela quadrilha presa na semana passada, no âmbito da Operação Abismo, para que as mesmas fraudes praticadas no Município do Cabo de Santo Agostinho, onde mais de R$ 92 milhões dos recursos da previdência dos servidores foram desviados por meio de aplicações em títulos podres, também fossem realizadas.

A interceptação de diálogos realizados em dezembro de 2017, entre os investigados Daniel Lucas, conhecido lobista que já fora preso na Operação Torrentes e Anízio Mendes, representante da Terra Nova, empresa cujos sócios já haviam sido presos na Operação Encilhamento,  pelas mesmas fraudes,  revelou que pelo menos dois outros Municípios já teriam contactado diversos municípios da Paraíba e de Pernambuco, com previsão de que arrecadassem, somente em janeiro de 2018, pelo menos R$ 50 milhões com os desvios nesses municípios.

Outro áudio interceptado na Operação Torrentes revela um diálogo entre Deodoro Francisco da Silva Filho e o lobista Daniel Lucas onde o primeiro comunica ao segundo que já teria fechado um acerto nos Municípios de Gravatá e Bezerros, onde o contato seria uma pessoa chamada Acenildo de Souza Silva, conhecido como "Nido", que teria informado a Deodoro que até o percentual da propina estaria acertado: "1 para o prefeito e 1 para ele". Deodoro então pede para que Daniel Lucas informe isso aos "aos meninos, o Leonardo e a Zélia"

Outro áudio, interceptado na Torrentes revela que a organização criminosa considerava o prefeito Lula Cabral, preso na Operação Abismo, em razão do contrato com o Cabo de Santo Agostinho, uma espécie de "cartão de visitas" que lhes abriria as portas para a prática dos mesmos desvios em outros Municípios. Na conversa, realizada em setembro de 2017, entre Daniel Lucas e Gean Lima, da Terra Nova, o primeiro conta que estaria num restaurante esperando a chegada do prefeito do Cabo, Lula Cabral e que este iria chamar um grupo de prefeitos amigos dele pra também fecharem com os fraudadores: "É, nós estamos aguardando aqui eu e Leonardo, aguardando, já que a pessoa que vem tá praticamente resolvido né, o CABO tem 174.300 (cento e setenta e quatro e trezentos) e decisão já 99% tomada né, como a gente focou nisso aí. Agora é só a gente sentar com o pessoal que tá chegando daqui a pouco, que é o número 1 que está chegando aqui para a gente no restaurante nós já vamos almoçar e está praticamente decidido já, ele já no fim de semana conversou, analisou e tudo e aí agora é o nosso cartão de visitas, né, fechando lá ele inclusive vai chamar um grupo já de prefeitos amigos dele e vão fechar também, mas agora de cara estou dando a notícia em primeira mão CABO DE SANTO AGOSTINHO tem 174.300 e o homem comprou a ideia viu, tem o controle de 100% da turma que trabalha no órgão né, e ele mesmo já tá querendo saber é como é que eu vou resolver a vida dele, eu digo venha senhora pra gente combinar ahahahah viu?"

Consultamos os Portais da Transparência dos Municípios de Gravatá e Bezerros e constatamos que em ambos inexistem informações sobre as aplicações dos recursos da Previdência de seus servidores, não sendo possível, ainda, confirmar se naqueles Municípios foram efetivadas as mesmas fraudes que foram perpetradas no Cabo de Santo Agostinho. Entretanto, a falta de transparência quanto a essas informações já é motivo suficiente para que o TCE/PE e o MPPE com atuação naqueles Municípios entrem em ação para obrigá-los a cumprir a legislação que impõe às prefeituras obrigação de transparência com relação a esse tipo de informação.

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