Petrolina e Jaboatão também investiram recursos da previdência dos servidores em papeis das corretoras Gradual e Bridges, cujos donos foram presos na Operação Abismo que levou o prefeito do Cabo à prisão


Fernanda de Lima, sócia da Gradual, foi presa na Operação Abismo, que apura fraudes na Previdência do Cabo de Santo Agostinho. A empresária já havia sido presa pelos mesmos delitos na Operação Encilhamento (Foto: Valor Econômico)


A Operação Abismo, da Polícia Federal, desbaratou, na semana passada, uma organização criminosa especializada em subornar agentes públicos para que transferissem recursos das Previdências Municipais para aplicações em Fundos de alto risco e até em títulos podres.

A Operação teve como alvos principais, além do Prefeito do Cabo de Santo Agostinho,  Lula Cabral, que foi preso na Operação, um lobista responsável por fazer a ponte entre os gestores e as empresas golpistas, todas já alvo de outras Operações da Polícia Federal por fraudes contra Fundos Previdenciários (Leia mais em Operação Abismo: Lobista distribuiu mais de R$ 4 milhões em propina por meio de laranjas para pagar fraude milionária à Previdência dos servidores do Cabo de Santo Agostinho, revelam mensagens obtidas em celulares apreendidos na Operação Torrentes)

Entre as empresas alvos das Operações Encilhamento, Papel Fantasma e Abismo destacam-se a Gradual Corretora, que já foi inclusive liquidada pelo Banco Central e a Terra Nova / Bridges.

A presidente da Gradual Investimentos, Fernanda Lima, assim como outros executivos da corretora foram presos em abril, pela Polícia Federal no âmbito da Operação Encilhamento, por suspeita de envolvimento em esquema de fraudes de R$ 1,3 bilhão contra sistemas de previdência de pelo menos 28 municípios em sete Estados. Outro executivo preso da corretora foi Gabriel Paulo Gouvea de Freitas Junior. Os três voltaram a ser presos na Operação Abismo, da Polícia Federal em Pernambuco, por fraudes previdenciárias no Cabo de Santo Agostinho.

A Operação Encilhamento é a segunda fase da Papel Fantasma, que apura fraudes envolvendo a aplicação de recursos de institutos de previdência municipais em fundos de investimento. 

Na Encilhamento e na Papel Fantasma, os donos da Gradual respondem por crimes por crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, fraude à licitação, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro, com penas de dois a 12 anos de prisão. A Gradual também é gestora de pelo menos dois fundos que são investigados pela Abismo por terem recebido aplicações de recursos da Previdência do Cabo de maneira ilícita, segundo aponta a Polícia Federal.

Consulta ao CADPREV - Sistema de informações dos Regimes Públicos de Previdência Social - revela que o IGEPREV, Instituo de Previdência do Município de Petrolina,  credenciou a GRADUAL CORRETORA DE CÂMBIO E TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS, no dia 24/10/2017, vindo a aplicar um total de R$ 5.426.776,00 nos Fundos geridos pela Gradual ATICO RENDA FUNDOS DE INVESTIMENTOS IMOBILIÁRIOS (VALOR: R$ 2.814.283,00) e LEME IPCA MULTISETORIAL SENIOR (R$ 2.612.493,00).

GRADUAL CORRETORA DE CÂMBIO E TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS

CREDENCIAMENTO NA IGEPREV (PETROLINA): 24/10/2017
FUNDOS CREDENCIADOS: ATICO RENDA FUNDOS DE INVESTIMENTOS IMOBILIÁRIOS   VALOR: R$ 2.814.283,00
E LEME IPCA MULTISETORIAL SENIOR: R$ 2.612.493,00
TOTAL: R$ 5.426.776,00










Por outro lado, observa-se que a empresa Bridge Administradora de Recursos além de ter seus dirigentes como alvos da Operação Abismo, foi alvo da Operação Pausare que investiga fraudes contra os Fundos de Pensão das estatais, tais como Correios e Petrobras.

Apesar disso, observa-se que a Bridge também foi credenciada pela Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes, coincidentemente na mesma data em que a Gradual, que já foi associada da Bridges, foi credenciada pela Prefeitura de Petrolina.

Com o credenciamento, foi possível à JaboatãoPrev aplicar no Fundo Tower Brigde, o valor de R$ 1.945.669,00, tudo conforme dados oficiais registrados no CADPREV do MPAS:

BRIDGE ADMINISTRADORA DE RECURSOS
CREDENCIAMENTO PELA JABOATÃOPREV: 24/10/2017
APLICAÇÃO NO FUNDO TOWER BRIDGE RENDA FIXA IMA-B.5
VALOR: R$ 1.945.669,00






A Bridges é a mesma investigada pela Operação Abismo que flagrou as fraudes na Previdência dos Servidores do Cabo e que levou o prefeito daquele Município à prisão.

Referida empresa tem como sócio José Carlos Lopes Xavier de Oliveira, alvo das Operações Encilhamento, Pausare e Rizoma por fraudes contra Fundos de Pensão.

Muito embora os Municípios de Petrolina e de Jaboatão não tenham sido alvos da Operação Abismo, restrita até o momento ao Cabo de Santo Agostinho, seria oportuno que as autoridade se debruçassem sobre as aplicações realizadas por esses dois institutos de previdência, uma vez que contrataram com empresas sabidamente envolvidas em fraudes, tendo sido, inclusive, uma delas liquidada pelo Banco Central.


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