Operação Abismo II: Empresa do prefeito preso do Cabo, Lula Cabral, é alvo de buscas e apreensões por suspeita de lavagem de dinheiro arrecadado com propinas na Caboprev


Transportadora de Lula Cabral, prefeito do Cabo ligado ao PSB e preso preventivamente por desvio de mais de R$ 92 milhões da Caboprev, foi alvo de buscas e apreensões determinadas pelo TRF5, por suspeitas de lavagem de dinheiro arrecadado com propina

A Polícia Federal em Pernambuco deflagrou na manhã de ontem, 31, a segunda fase da Operação Abismo visando colher mais provas dos crimes investigados relacionados ao desvio de recursos do Instituto de Previdências dos Servidores de um município da Região Metropolitana do Recife, envolvendo os gestores do município e da Autarquia Previdenciária, além de empresários e funcionários públicos. Ao todo foram cumpridos 10 (dez) mandados de busca e apreensão e 01 (uma) para a prisão preventiva de um empresário na cidade de Anápolis, Estado de Goiás. A prisão preventiva do empresário goiano que seria dono da empresa gestora dos títulos podres adquiridos pela Caboprev não se efetivou, pois o alvo não foi localizado e é considerado foragido da justiça. Para essa ação, 80 (oitenta) policiais federais foram mobilizados. 

As buscas foram realizadas em imóveis e empresas situadas no Cabo de Santo Agostinho, Distrito Industrial de Suape, Porto de Galinhas, Reserva do Paiva, Boa Viagem e Jaboatão dos Guararapes.

De acordo com o delegado Márcio Tenório, que comanda a Operação, uma empresa de um dos investigados teria sido alvo de buscas e apreensões em razão das suspeitas de que estaria sendo usada para lavagem do dinheiro da propina recebida por um dos sócios para que as fraudes de R$ 92 milhões na aquisição de títulos podres pela Caboprev fossem concretizadas. O Blog apurou que essa empresa seria a Transwinter, de propriedade do prefeito Lula Cabral, do Cabo, que se encontra preso preventivamente no Cotel, desde a deflagração da primeira fase da Operação Abismo. 

A Transwinter Transporte e Logistica Ltda. (CNPJ52.105.491/0001-39) tem Capital Social de R$ 1 milhão, sediada na cidade de São Paulo na R. Cabo Oscar Rossini, 651, Parque Novo Mundo e filial na Rod Pe 28 - Km 01, S/N, Galpao B, Distrito Industrial, Cabo De Santo Agostinho, apresentando como atividade principal o transporte rodoviário de carga, exceto produtos perigosos e mudanças, intermunicipal, interestadual e internacional, tendo como sócio, além de Lula Cabral, João Batista Cabral da Rocha. No mesmo endereço da Transwinter, em São Paulo, funciona outra empresa de Lula Cabral, a R4 Empreendimentos e Participacoes Ltda. (CNPJ 04.053.210/0001-07), dedicada à administração de imóveis próprios, com capital social de R$ 5 mil. O prefeito do Cabo ainda aparece como sócio de uma construtora com CNPJ 08.924.336/0001-52 e razão social Karanto Administracao de Bens e Empreendimentos Ltda, com endereço na Rua Cento E Sessenta E Três, 226, Sala 405 Bloco A, Garapu, Cabo De Santo Agostinho e capital social de R$ 2,3 milhões.

O delegado federal ainda confirmou a informação antecipada pelo Blog, na semana passada, de que outros municípios pernambucanos teriam sido procurados pela quadrilha e que são investigados para que se apure eventuais práticas criminosas nesses municípios procurados pelos alvos da Abismo.

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RELEMBRE A PRIMEIRA FASE OPERAÇÃO ABISMO

As investigações da Operação Abismo tiveram início em março de 2018 e segundo os dados coletados na investigação, que ainda se encontra sob sigilo, foram transferidos mais de R$ 90 milhões de reais do Instituto de Previdência dos Servidores de um município da Região Metropolitana do Recife - que antes se encontravam investidos em instituições sólidas – para fundos de investimento compostos por ativos “podres”, isto é, sem lastro e com grande probabilidade de inadimplência futura, colocando em risco o pagamento da aposentadoria dos servidores do município.

No curso da investigação coletaram-se indícios de que a alteração na carteira de investimentos do Instituto de Previdência foi efetuada a mando do prefeito Lula Cabral do PSB, por meio de ingerência indevida na administração daquele órgão, em razão do oferecimento de vantagem indevida. 

Na primeira fase da operação 220 policiais federais cumpriram 64 (sessenta e quatro) ordens judiciais sendo 42 (quarenta e dois) mandados de busca e apreensão, 10 (dez) mandados de prisão preventiva e 12 (doze) mandados de prisão temporária, nos estados de Pernambuco, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraíba, Goiás, Santa Catarina e no Distrito Federal. As medidas foram determinadas pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região, que ainda autorizou o sequestro e bloqueio de bens e valores depositados em contas em nome dos investigados. 

Os crimes que estão sendo imputados aos suspeitos são Lavagem de Dinheiro, Associação Criminosa, Crimes Financeiros, Corrupção Ativa e Passiva, cujas penas ultrapassam os 30 anos de reclusão. Os presos foram levados até a sede da Polícia Federal onde foram interrogados e logo em seguida encaminhados para os respectivos sistemas prisionais. 

* Com informações da Assessoria de Comunicação da PF/PE

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