GAECO/MPRJ deflagra operação para prisão de quatro policiais acusados de extorsão em delegacia de Nova Iguaçu. Um dos presos por extorsão é consultor de segurança do governador Witzel



O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO/MPRJ) e da 1ª Promotoria de Investigação Penal da 3ª Central de Inquéritos, com apoio da Corregedoria Interna da Polícia Civil (COINPOL) realiza, nesta quinta-feira (28/02), operação que corresponde a desdobramento da Quarto Elemento, inicialmente deflagrada em setembro de 2017. Nesta terceira fase, foram cumpridos mandados de busca e apreensão e de prisão preventiva contra Ricardo da Costa Canavarro (vulgo ‘Ricardinho’), Helio Ferreira Machado, Thiago Bacelo Pereira e Flavio Pacca Castello Branco, todos policiais civis e denunciados pela prática do crime de extorsão. A ação também conta com o apoio do Sispen da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária.

Relata o MPRJ que, no dia 5 de julho de 2017, no interior da 52ª DP, os quatro denunciados extorquiram, mediante grave ameaça, duas vítimas e delas exigiram o pagamento de R$ 10 mil. As vítimas, no dia dos fatos, haviam sido surpreendidas pelos policiais em situação flagrancial dos crimes de receptação e furto de energia. No lugar das devidas medidas legais, os referidos policiais mantiveram as duas vítimas no interior da delegacia por cerca de uma hora, sofrendo pressões psicológicas, sem que qualquer formalização da presença das mesmas na distrital fosse adotada. Diante do cenário montado, as vítimas se submeteram ao exigido, isto é, concordaram com o pagamento de R$ 10 mil em duas parcelas iguais, tendo cumprido apenas o primeiro acerto de contas.

Cumpre ressaltar que o policial Ricardo da Costa Canavarro (vulgo ‘Ricardinho’), que participou de toda a ação criminosa, estava de licença médica na época dos fatos e jamais fora lotado na 52ª DP.

Somadas, as duas fases iniciais da Operação Quarto Elemento denunciaram 48 indivíduos, entre delegados de Polícia Civil, policiais civis, policiais militares, bombeiros militares, agente penitenciário e informantes, pela prática de crimes como organização.

O site DCM apurou que um dos presos, o policial civil Flávio Pacca,  foi colega do governador Wilson Witzel no curso de Direito, no Instituto Bennett, no Flamengo, Zona Sul do Rio. Ambos estão filiados ao PSC, e ambos compartilharam propaganda eleitoral, Wilson Witzel como candidato a governador e Flávio Pacca, deputado federal. Na propaganda, tinha também destaque Jair Bolsonaro. Dois deles foram bem sucedidos, diz o DCM. Pacca, no entanto, não ficou desamparado. Ele é apresentado como consultor de segurança do governador, e foi um dos especialistas que explicaram como concretizar o plano de Witzel de abater suspeitos de crime nas favelas quando estiverem portando fuzis.  Na sua campanha, divulgou vários vídeos em que se apresentava como o “candidato três oitão”, em referência a seu número no PSC, 2038. Nesses vídeos, aparece sempre atirando e associa suas propostas à auto proclamada habilidade com armas de fogo. “Eu sou instrutor de armamento, tiro e balística. Para se ter um bom resultado ou sucesso em treinamento como esse, nós precisamos, além dos requisitos básicos do tiro, ter também foco, dedicação, firmeza, habilidade e coragem. São essas as habilidades que quero levar para Brasília para ajudar a defender você, cidadão do Rio de Janeiro, das mazelas que nós temos sofrido, como, por exemplo, a corrupção”, diz em um deles.

Acesse aqui a íntegra da denúncia apresentada pelo MPRJ.

*Com informações da Assessoria de Comunicação do MPRJ

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