JORNALISTA QUE DENUNCIOU DESVIOS DE MAIS DE R$ 50 MILHÕES NO TRANSPORTE ESCOLAR EM PERNAMBUCO E QUE FOI ALVO DE DOIS ATENTADOS TEVE DADOS SOBRE SEUS DESLOCAMENTOS VAZADOS MESMO ESTANDO NO PROVITA, PROGAMA DE PROTEÇÃO A TESTEMUNHAS DO GOVERNO DO ESTADO

Operação Carona foi desencadeada pela PF juntamente com a CGU contra Máfia que desviou mais de R$ 50 milhões de recursos públicos nas Prefeituras de Limoeiro e Glória de Goitá. Foto: CGU


ESPECIAL CORRUPÇÃO EM PERNAMBUCO

Conforme antecipamos (Leia em MPPE QUE TRABALHA: PROMOTOR MANDA SECRETARIA E CONSELHO DAREM EXPLICAÇÕES SOBRE DESCASO COM VÍTIMAS DE QUADRILHEIROS POR PROGRAMA DE PROTEÇÃO. BLOG APURA CASOS DE VAZAMENTOS DA LOCALIZAÇÃO DAS VÍTIMAS PARA POLÍTICOS QUE AS AMEAÇAM), a seriedade e a capacidade para dar proteção a defensores dos direitos humanos e a testemunhas e denunciantes de casos de corrupção pelos Programas de Proteção do Governo de Pernambuco, têm sido alvos de questionamentos por parte daqueles que deveriam ser protegidos por esses Programas.


Na matéria anterior (ver link acima), divulgamos que o Ministério Público de Pernambuco instaurou investigação contra essas denúncias e notificou a Secretaria de Justiça e Direitos Humanos do governo Paulo Câmara para garantir proteção a uma defensora dos Direitos Humanos, cujo filho foi executado por uma organização criminosa, crime que teria características de homofobia.


Mas o exemplo mais gritante do total descaso e desrespeito da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos de Pernambuco e de seus Conselhos e Programas com a segurança daqueles que deveriam proteger é o caso do jornalista que denunciou um dos maiores esquemas de corrupção, fraudes em licitações e desvios de recursos públicos cometidos no Estado de Pernambuco, profissional de imprensa cujo nome preservaremos, por hora, mas cuja situação é de conhecimento geral dentre os profissionais de imprensa.


O jornalista em questão é testemunha chave nas investigações que levaram a Polícia Federal, a Controladoria Geral da República e o Ministério Público Federal a desencadearem a chamada "Operação Carona" que envolveu diversos prefeitos e políticos de destaque no Estado, que juntos fraudaram e desviaram mais de R$ 50 milhões dos cofres públicos.


Essa importante testemunha sofreu dois atentados contra sua vida, sendo que no primeiro se encontrava com o filho de apenas 1 ano nos braços.


Pistoleiros contratados pela organização criminosa denunciada pelo jornalista dispararam rajadas de balas "preparadas", do tipo " dum dum" contra o jornalista que escapou por verdadeiro milagre.


Após os dois atentados, o jornalista em questão ingressou no programa PROVIDA, de proteção a testemunhas patrocinado pelo Governo de Pernambuco e, segundo o Blog apurou, estranhamente teve divulgados todos os voos que fez para outros Estados dentro do Programa, tornando totalmente vulnerável sua segurança, levando o mesmo a ser obrigado a pedir para sair do PROVITA, devido ao grave risco de morte, mesmo sendo do conhecimento de todos a existência de um prêmio de R$ 25 mil por sua cabeça oferecidos pelos corruptos denunciados.


O Blog apurou que a testemunha estaria de posse de áudios e gravações que comprovariam os vazamentos, atestando a fragilidade do PROVITA. 


Ouvido pelo Blog, o jornalista reportou ter sofrido "diversos constrangimentos e coação de parte do conselho deliberativo e de seus técnicos que o obrigaram a sair do programa."


Hoje, essa importante testemunha e jornalista que sempre combateu a corrupção política no estado de Pernambuco, vive em situação bastante delicada, inclusive passando por privações pessoais e materiais junto com sua família, enquanto os corruptos que o ameaçam e até instituíram prêmio por sua morte estão por aí livres, leves e soltos para ameaçar e tentar matar quem os denunciou.

OPERAÇÃO CARONA


Fotomontagem: CGU



A Controladoria-Geral da União (CGU), juntamente com a Polícia Federal, em Pernambuco, desencadeou, em 2015, a "Operação Carona", destinada a reprimir crimes de fraudes na contratação de empresas prestadoras de transporte escolar utilizando para isso verbas públicas, em especial do Programa Nacional de Apoio ao Transporte Escolar (PNATE) do Ministério da Educação. O principal foco da ação são as empresas A.R Resendis e A.G Serviços, que teriam recebido de forma fraudulenta, num período de quatro anos, , valores acima de R$ 50 milhões de reais.

Um dos trabalhos que embasou o inquérito policial foi o Relatório de Fiscalização da CGU elaborado por ocasião da 38ª edição do Programa de Fiscalização a partir de Sorteios Públicos, que registra superfaturamento na contratação de transporte escolar pelo município de Limoeiro (PE) com a A.R. Resendis e subcontratação integral dos serviços e restrição à competitividade.

Foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão nas cidades de Recife (01), Caruaru (01), Serra Talhada (01), Carpina (02), Limoeiro (03), Glória do Goitá (05) e Passira (02) expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região em razão da prerrogativa de foro privilegiado dos prefeitos investigados.

De acordo com a CGU, as investigações tiveram início em 2014 através de denúncias e informações. Com o decorrer das diligências chegou-se a descobrir que, mesmo antes da licitação, já se sabia qual empresa seria a vencedora para prestar o serviço de transporte escolar nas respectivas prefeituras.

A própria assessoria de Comunicação da CGU confirmou, em nota (leia AQUI) que no dia 10 de junho de 2015, ainda durante as investigações, uma das testemunhas que trouxe notícias dos crimes perpetrados em Glória de Goitá (PE) sofreu atentado e foi inserida no programa de proteção a testemunhas. Essa testemunha é justamente o jornalista mencionado nesta matéria.


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