LARANJAL DO PSL: FOLHA ENCONTRA GASTOS MILIONÁRIOS DE CANDIDATOS PERNAMBUCANOS COM MINIGRÁFICA DE FILIADO. SÓ LUCIANO BIVAR TERIA GASTO R$ 848 MIL COM A EMPRESA QUE FUNCIONA EM SALETA EM AMARAJI


Foto: João Valadares (Folha de São Paulo)

Que a onda moralista trazida ao centro do debate político pelas mãos da Lava Jato foi a força motora para que o PSL chegasse ao poder não apenas pela eleição do presidente da República, mas pela eleição da segunda maior bancada da Câmara dos Deputados, ninguém tem dúvida, assim como ninguém diverge do fato de que dentre todos os Estados brasileiros, aquele onde a dita Operação passou mais distante foi justamente Pernambuco, mesmo diante da gravidade dos fatos relatados por um sem número de delatores em depoimentos que revelaram como o partido que dirige o Estado há mais de doze anos sangrava empresários e empreendedores com a exigência de propina de até 4% sobre toda e qualquer obra que se pretendesse instalar em Pernambuco.

Em Pernambuco, os delatados não foram presos ou sequer denunciados. Alguns até foram indiciados, mas,  por uma prerrogativa que não se deu nem mesmo a presidentes e ministros, tudo sob o mais absoluto sigilo. Tudo muito nebuloso e mal explicado. Talvez por isso, por saberem que para a Lava Jato Pernambuco não existe no mapa, os correligionários do presidente Jair Bolsonaro, candidato da Lava Jato, tenham se sentido tão à vontade para torrar uma verdadeira fortuna dos recursos públicos do Fundo Eleitoral com candidaturas "laranjas" e gráficas de fachada. Até bem pouco tempo, aliás, os aliados de hoje do presidente andavam de mãos dadas com os intocáveis de Pernambuco, para quem a Lava Jato nunca teve olhos para ver nem muito menos mãos para tocar.

Não surpreende, portanto, que os até agora inexplicados e milionários gastos do PSL de Pernambuco tenham sido flagrados não pela Polícia, não pelo Ministério Público, não pela Justiça Eleitoral (que de acordo com Luciano Bivar até aprovou suas contas), mas pela Folha de São Paulo, que desmascarou um verdadeiro "laranjal" de candidaturas "fakes", que sem o menor temor e até com despudorado desleixo declararam gastos com gráficas de fachada.

A Folha de São Paulo de hoje (Leia em Verba pública eleitoral liberada por Bebianno parou em minigráfica de filiado do PSL) revela que nada menos que R$ 1,23 milhão dos Fundos Eleitoral e Partidário destinados aos candidatos do PSL de Pernambuco foram gastos com uma tal Gráfica Vital, que funciona em uma pequena sala na cidade de Amaraji e que tem como dono o presidente do PSL daquele Município, que também foi o coordenador da campanha do presidente na Mata Sul de Pernambuco. Trata-se de Luiz Alfredo Nunes Vidal da Silva, que aparece em várias fotos ao lado de Bolsonaro na reportagem da Folha.

Foto e legenda: Folha de São Paulo

A reportagem da Folha, assinada pelos repórteres João Valadares, Camila Mattoso e Ranier Bragon, visitou a Gráfica Vital e constatou que no local só existem duas máquinas e uma recepcionista. O proprietário do estabelecimento disse não poder provar agora que prestou os serviços de mais de R$ 1,23 milhões prestados aos candidatos do próprio Partido, o que é estranho, já que os gastos milionários foram declarados à Justiça Eleitoral e representaram parcelas significativas alocados pelo então presidente nacional do PSL e atual Secretário Geral da Presidência, Gustavo Bebiano. 

A Gráfica teria prestado serviços a sete candidatos do PSL de Pernambuco e teria sido a empresa que mais recebeu recursos públicos dos Fundos Eleitoral e Partidário liberados por Bebiano para o PSL de Pernambuco. Somente Luciano Bivar teria declarado gastos da ordem de R$ 848 mil com a impressão de 5 milhões de santinhos e adesivos.

Disse Bolsonaro em entrevista à Record, que determinou à Polícia Federal que investigasse o laranjal. Disse ainda que autorizou o Ministro da Justiça Sergio Moro a investigar o laranjal de seu próprio partido, do qual, aliás, já correm os rumores de que estaria de saída juntamente com seus seguidores. Na verdade, conforme publicamos anteontem (12), o laranjal do PSL pernambucano já está sob investigação do Ministério Público Eleitoral e da própria Polícia Federal, por requisição daquele, tudo, obviamente, depois do trabalho de brilhante jornalismo investigativo da Folha de São Paulo. É prudente, porém, que a Polícia Federal e o Ministério Público Federal corram porque os inalcançáveis pela Lava Jato que governam Pernambuco já mandaram a delegacia criada por eles para substituir a Delegacia que combatia a corrupção no Estado, extinta a toque de caixa pelo governador, investigar o laranjal do Partido do presidente. 

Mas quem continua fazendo jornalismo investigativo da melhor qualidade é a Folha de São Paulo que na sua edição de hoje traz as revelações de que o próprio Luciano Bivar, dono do PSL e para quem Bebiano transfere a responsabilidade pelo laranjal pernambucano também apresentou gastos suspeitos com uma gráfica mal assombrada. 

Em Pernambuco, o PSL é dirigido por Antônio de Rueda, advogado particular de Luciano Bivar, tem, portanto, certa lógica na versão de Bebiano de que o laranjal pernambucano teria sido "plantado" pelo presidente do PSL, Luciano Bivar, ainda que este estivesse licenciado das funções durante a campanha presidencial, quando se elegeu deputado federal beneficiado pela onda bolsonarista, sem esquecer que foi o maior agraciado com repasses do Fundo Partidário dentre os candidatos do seu partido, tendo recebido cerca de R$ 2 milhões, dos quais, como visto, destinou R$ 848 mil para uma gráfica de "fundo de quintal" de um correligionário. De fato, o escândalo do laranjal do PSL surgiu a partir de candidaturas montadas nos Estados, precisamente em Minas e em Pernambuco, pelos dirigentes locais e, por óbvio, os maiores beneficiários dessas candidaturas, seja porque foram lançadas para compor as chapas e cumprir exigências da lei eleitoral referentes às cotas, seja porque ainda há muito o que explicar sobre o destino da verdadeira fortuna que foi levantada por esses dirigentes para os candidatos nos Estados e que teriam sido supostamente empregadas para alavancar candidaturas, sem que, porém, as notas fiscais das prestações de contas eleitorais se mostrem fidedignas com essa arrecadação. Além dos R$ 848 mil de Luciano Bivar, a gráfica do PSL pernambucano teria recebido, ainda, R$ 233,1 mil da candidata Érika Siqueira, R$ 40,5 mil de Thiago Paes, R$ 54,9, do Major Pedro Mendes, R$ 25 mil de Sílvio Nascimento, R$ 13,9 de Frederico França e R$ 13,7 mil de Fred Teixeira, pelo menos é o que mostram as reportagens da Folha de São Paulo.






  



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