Operador do PSDB, Paulo Preto é condenado a 27 anos de prisão por corrupção no Rodoanel de SP. Ex-diretor da DERSA geria cartões de crédito de banvos suiços para tucanos envolvidos no esquema



A 5ª Vara Federal Criminal em São Paulo condenou nesta quinta-feira (28) o ex-diretor da Dersa, Paulo Viera de Souza, o Paulo Preto, conhecido operador das propinas pagas a cardeias do tucanato, por obras viárias em São Paulo, a 27 anos e oito dias de prisão.

A condenação decorre da participação de Paulo Preto na formação de um cartel constituído por várias construtoras – com o aval de agentes públicos lotados nas empresas Dersa (estadual) e Emurb (municipal) e na Secretaria Municipal de Infraestrutura e Obras – para a construção do trecho sul do Rodoanel, obra que conecta as principais rodovias da região metropolitana de São Paulo.

O esquema denunciado pelo MPF baseou-se no conluio entre construtoras que, a partir de 2004, atuaram para eliminar a concorrência e coordenar a definição dos preços de execução dos serviços. O processo que inclui, além de Paulo Preto, mais 32 réus, foi desmembrado em 8 ações penais a pedido do MPF, a fim de garantir maior celeridade à tramitação.

Paulo Vieira de Souza é apontado por manter o cartel do Rodoanel Sul a partir de janeiro de 2007 e de levar o acordo para as obras do Sistema Viário Metropolitano, de responsabilidade da Prefeitura de São Paulo, que contratou a Dersa para o gerenciamento das licitações.

 Íntegra da sentença

Desvios – Além desse processo, Paulo Vieira responde a outra ação na Justiça Federal de São Paulo por desvio de R$ 7 milhões que deveriam ser aplicados na indenização de moradores impactados pelas obras no entorno do trecho sul do Rodoanel e da ampliação da avenida Jacu Pêssego. No último dia 25 de fevereiro, a Força-Tarefa da Lava Jato em São Paulo requereu à Justiça que fosse proferida o quanto antes a sentença na ação penal em que Paulo Vieira de Souza é acusado de peculato. O processo já estava concluso para sentença quando, no último dia 13, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, concedeu habeas corpus solicitado pela defesa, determinando a realização de novas oitivas de testemunhas e o envio de documentos. Contudo, as diligências solicitadas ou já haviam sido cumpridas, ocupando nada menos que três volumes dos autos, ou são inexequíveis, por se tratar de testemunho de pessoa não identificada. Além disso, há risco de prescrição dos crimes caso a tramitação do processo se alongue, visto que o réu completa 70 anos em março, o que reduz o prazo prescricional pela metade.

A Força Tarefa da Lava Jato de São Paulo recebeu documentos das autoridades suíças que comprovam que o ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, solicitou cartões em nome do senador e ex-ministro Aloysio Nunes (PSDB). As informações fizeram com que o tucano se tornasse alvo de mandados de busca e apreensão cumpridos pela Polícia Federal , na semana passada, em São Paulo.  O teor de e-mails trocados por funcionários do banco suíço Bordier & Cie foi revelado nesta quinta-feira (28) pelo jornal O Estado de São Paulo.

Os documentos atestam que Paulo Preto encomendou a entrega de cartão carregado com 10 mil euros para Aloysio Nunes , mas com a orientação de que ele não deveria indicar seu nome. O envio do cartão ocorreu em 2007, quando Aloysio era chefe da Casa Civil do governo José Serra (PSDB) em São Paulo. Segundo os e-mails, a entrega do cartão foi efetuada no hotel Majestic, em Barcelona, na Espanha.  "Confirmo que entregamos um cartão ao Sr. Aloisio Nunes Ferreira em 20.12.2007 e que o creditamos com Eur 10’000. – de acordo com o pedido do gestor pelo conta 13’606-978”, aponta o documento.

A conta mencionada nos e-mails foi aberta no banco de Genebra em nome da offshore Groupe Nantes, controlada pelo ex-diretor da Dersa, que é suspeito de operar propina para agentes do PSDB com recursos desviados de contratos com empreiteiras como a Odebrecht e a Camargo Corrêa.

A Força Tarefa da Lava Jato ainda recebeu a informação de que Paulo Preto seria administrador de outros 11 cartões de crédito ebde viagem em banco suíço. As contas foram abastecidas com cerca de R$ 131 milhões de dinheiro ilegal de construtoras, segundo o Ministério Público Federal (MPF). Os procuradores suspeitam que políticos possam ter se beneficiado dos cartões. Pelo menos um tucano, Aluizio Nunes, há foi identificado como beneficiário de um dos cartões. A conta a que esses cartões eram vinculados eram alimentadas com propina de empreiteiras.

Matéria da Folha de São Paulo revelou que Aloysio Nunes Ferreira, do PSDB, arrumou um novo advogado para o ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza que funcionou como um “salvador da pátria” e tirou-o da prisão quando ele estava decidido a fazer uma delação premiada. A ação do ex-ministro está descrita de forma cifrada numa carta de Priscila Arana Souza, uma das filhas de Vieira da Silva, o Paulo Preto, apreendida pela Polícia Federal no último dia 19, quando ele foi preso.

Os disfarces nos nomes são bem primários: Aloysio, por exemplo, é chamado de Alo Alô. O ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto - Sergio Lima: “Há alguns meses nós decidimos que você iria fazer delação e chamou Alo Alô para informar-lhe. O Alô, a priori, disse achar que você devia fazer o que achava melhor para você, surpreendendo com a reação. Mas, algumas semanas depois, trouxe-lhe um salvador da pátria: Walt Disney (um cara sedutor).”

Pelos fatos narrados, diz a Folha, Walt Disney é o advogado José Roberto Santoro, que assumiu a defesa de Paulo Preto em abril do ano passado, quando ele estava preso pela segunda vez, no presídio de Tremembé. Foi Santoro quem conseguiu um habeas corpus do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, e tirou o ex-diretor da Dersa da prisão quando ele estava decidido a fazer uma delação, segundo a filha. Priscila chama Santoro de “advogado de tucanos”. Antes a defesa de Paulo Preto estava a cargo do criminalista Daniel Bialski e do civilista Eduardo Leite. 

Com informações da Assessoria de Comunicação Procuradoria da República no Estado de S. Paulo, do Estadão e da Folha.

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