Transferência de Marcola para Presídio do DF vai na contramão das ações da Polícia e do Ministério Público do DF para impedir instalação da Facção no Sistema Prisional da Capital Federal, reclama governador Ibaneis

22 de mar. de 2019

/ by Blog da Noelia Brito
Governador do DT, Ibaneis Rocha, qualificou como "inadmissível" transferência de líderes do PCC para Presídio do DF
No mesmo dia em que o Ministério da Justiça realizou a transferência do líder e fundador do Primeiro Comando da Capital, o Marcola e de outros três líderes da Facção, para o Presídio Federal do DF, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios e a Polícia Civil realizaram a Operação Continuum, deflagrada na manhã desta sexta-feira (22), cumprindo 14 mandados de prisão e de busca e apreensão contra sete integrantes de organização criminosa, com atuação no sistema prisional. As medidas foram autorizadas pelo Juízo da 5ª Vara Criminal de Brasília e executadas no Distrito Federal e em São Paulo.

Esta é a sétima operação voltada ao enfrentamento das atividades de facções criminosas na região do Distrito Federal e entorno. O nome faz referência ao contexto investigatório que fundamentou a intervenção, iniciado com a Operação Fora do Ar, que na ocasião foi deflagrada em curto período de tempo em razão do planejamento de incêndios em transportes coletivos e atentados contra autoridades e servidores públicos locais pelos membros do grupo criminoso.

As apurações foram conduzidas pela Divisão de Repressão às Facções Criminosas da Cecor/PCDF e contaram com o apoio dos promotores do Núcleo de Controle e Fiscalização do Sistema Prisional do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (Nupri/MPDFT).

De acordo com as investigações, nove dos onze integrantes exerciam funções de liderança na Capital Federal. As provas reunidas pelos investigadores demonstram articulação entre os faccionados e discussão sobre os mais variados assuntos, como o tráfico de entorpecentes (atividade principal da organização criminosa); a cooptação de adolescentes para futura integração ao grupo; a implementação de um “setor do paiol”, para a aquisição de armas; e as movimentações ocorridas no sistema prisional, cujas tratativas já consideravam a possível vinda de outras lideranças nacionais ao Presídio Federal do DF.

Iniciativas visam evitar instalação de facções no DF

No ano passado, o Nupri e a Difac/PCDF realizaram quatro operações contra faccões criminosas que tentam se instalar no Distrito Federal. Recentemente, o MPDFT integrou uma ação nacional contra integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC); do Comando Vermelho (CV), do Terceiro Comando Puro (TCP), da Amigo dos Amigos (ADA); do Primeiro Comando de Vitória (PCV) e da paraibana Okaida RB, uma dissidência da Okaida.

Com o mesmo objetivo, já foram realizadas as operações Tabuleiro, em 2014; Palestina (51 denunciados), em 2015; e Legião (54 denunciados), em 2016. Em 2018, também foram realizadas as operações Prólogo (23 denunciados), Hydra (60 denunciados) e Fora do Ar, que cumpriu 16 mandados de prisão e de busca e apreensão.

Foto: PCDF

Durante a Operação, a PCDF apreendeu, com uma das pessoas presas, um caderno com dados cadastrais de filiados à facção. 

Segundo o Correio Braziliense, em uma das páginas divulgada pela PCDF, é possível ler a ficha de inscrição de um integrante, que seria um morador de Santa Maria de 19 anos. Na lista, informa-se que ele foi "batizado" (entrou no PCC) em 25 de junho de 2018, em Buriti (MS). Na ocasião, ele ficou conhecido como "Humildade" e, depois, teria passado a ser conhecido como "Gêmios".

Os dados ainda falam de uma espécie de faculdade na facção e de responsabilidades do membro dentro do PCC. Na ficha, ainda há a informação de que seu número de matrícula é 70.580, além de dados sobre padrinhos, punições, data de entrada e de saída.

Ao se pronunciar sobre a transferência dos líderes do PCC para o Distrito Federal, o governador Ibaneis qualificou como "inadmissível" a transferência quando há uma operação da Polícia Civil e do Ministério Público do Distrito Federal em curso para barrar a instalação de facções como o PCC no Distrito Federal e seu entorno.

Em entrevista ao Portal Metrópolis, Ibaneis revelou que a Polícia Civil do DF já havia rastreado a movimentação de pessoas ligadas ao PCC no DF, onde a facção estaria adquirindo imóveis e até um posto de gasolina para facilitar suas operações na Capital Federal (Saiba mais em PCC: Transferência de líder da facçã)o para o Distrito Federal pelo Ministério da Justiça gera reação do Governador Ibaneis: "Inadmissível!". Polícia Civil já teria detectado até aquisição de posto de gasolina pela facção no DF em razão da transferência .

Com informações da Assessoria Especial do MPDFT

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