Lava Jato da Educação: ligado ao mercado financeiro, novo ministro do MEC deve fortalecer FIES privado, pelo qual bancos privados emprestam para estudantes das universidades privadas. Será o fim da Lava Jato da Educação? Insistência de Olavo em demitir militares gera desconfiança



A nomeação de um economista com fortes ligações com o mercado financeiro e que já foi diretor de bancos para o cargo de Ministro do MEC só surpreendeu àqueles que desconhecem que desde a criação do chamado FIES Privado, em 2017, a maior parte dos financiamentos dos cursos de alunos das universidades privadas passou do Poder Público e de instituições como o Banco do Brasil e a CEF, para bancos privados.

Abraham Weintraub é formado em Ciências Econômicas pela Universidade de São Paulo (1994) e mestre em administração na área de finanças pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Ele é professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e atuou no mercado financeiro por mais de 20 anos. Na iniciativa privada, trabalhou no Banco Votorantim por 18 anos, onde foi economista-chefe e diretor, e foi sócio na Quest Investimentos.

Está claro que o novo ministro da Educação, que foi indicado por Onyx Lorenzoni, de quem era o número 2 na Casa Civil, não tem nenhuma expertise na gestão da área educacional e ainda vem com a incumbência dada pelo autoproclamado filósofo, Olavo de Carvalho, de demitir os militares que foram recentemente nomeados para a Pasta. Interesante é que os militares que devem ser defenestrados do MEC por ordem de Olavo de Carvalho pelo menos têm experiência em Educação. Machado Vieira, por exemplo, já ocupava um cargo no ministério: ele atuava como assessor especial do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Na reserva desde 2014, ele foi chefe do Estado-Maior da Aeronáutica (segunda posição mais importante da Força Aérea Brasileira), chefe de Operações Conjuntas do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA) e secretário de Pessoal, Ensino, Saúde e Desporto do Ministério da Defesa. Em seu currículo também consta o posto de Subchefe de Inteligência do Estado-Maior de Defesa. Então qual seria o motivo de se nomear um banqueiro para o MEC, senão o de fortalecer o dominio dessas instituições sobre as políticas educacionais e, por consequência, dos bilionários financiamentos do FIES?  E por que defenestrar os militares do MEC? Será que a turma do Onyx está com medo da lupa militar sobre o que tramam para o orçamento bilionário do MEC, aliás, um dos maiores dentre todos os ministérios?

Pelo visto, a propalada Lava Jato da Educação que o ex-ministro Vélez anunciou junto com o ministro Sergio Moro não passará de mais uma falácia do governo Bolsonaro que coloca a raposa para cuidar do galinheiro ao nomear um representante de instituições financeiras pra comandar o MEC, instituições financeiras que deveriam ser alvos da Lava Jato da Educação e não os comandantes desta.

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