CRÉDITO VICIADO: POLÍCIA CIVIL DO DF REALIZA OPERAÇÃO CONTRA EMPRESAS DE COBRANÇA QUE APLICARAM GOLPE MLIONÁRIO CONTRA O BANCO DO BRASIL. COM ALVOS EM 8 ESTADOS E NO DF, OPERAÇÃO PRENDEU UMA PESSOA EM PERNAMBUCO E FEZ BUSCAS E APREENSÕES



Um esquema de fraude no Banco do Brasil entrou na mira da Polícia Civil do DF. Na manhã desta quinta-feira (09/05). Policiais da Divisão de Repressão à Corrupção e aos Crimes contra a Administração Pública (Dicap) cumprIRAM 17 mandados de prisão temporária — pelo prazo de cinco dias — e 28 de busca e apreensão na Operação Crédito Viciado.
O objetivo é combater uma organização criminosa voltada para prática de peculato contra o Banco do Brasil e lavagem de dinheiro. Os alvos da operação são dois ex-funcionários do Banco do Brasil e empresários de 11 empresas terceirizadas que tinham contrato com a instituição financeira para cobrar dívidas de clientes.  

Os policiais civis identificaram que um dos responsáveis por esse pagamento, à época, chegou a receber R$ 4 milhões em créditos ao longo de dois anos. O suspeito foi demitido pelo próprio banco em janeiro. Um outro ex-funcionário também teria recebido R$ 900 mil na conta. A operação foi batizada de Crédito Viciado.

Foi o Banco do Brasil quem denunciou o esquema para a polícia após uma auditoria interna que descobriu o rombo. Com a investigação, a Justiça autorizou o bloqueio de R$ 16 milhões das contas dos suspeitos.

Durante a investigação, foram identificados os responsáveis pelo desvio R$ 15.758.738,49, tendo sido expedida a determinação do bloqueio desses valores.

Os mandados foram cumpridos no Distrito Federal, Goiás, São Paulo, Minas Gerais, Pernambuco, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso e Rio de Janeiro.

As investigações começaram em janeiro de 2019, em virtude de ameaças sofridas por executivos da instituição financeira, motivadas pela decisão estratégica do Banco do Brasil de não renovar contratos com 117 empresas de cobrança de dívidas para que o serviço de recuperação de créditos passasse a ser feito pela empresa BB Tecnologia e Serviços – BBTS.

Segundo a PCDF, funcionários do Banco do Brasil aproveitavam um erro técnico para realizar o pagamento das comissões de forma manual e, assim, repassavam mais dinheiro do que o devido às empresas de cobrança. Em contrapartida, esses funcionários recebiam vantagens financeiras a título de propina.

Entre 2017 e 2018, segundo a investigação, o grupo investigado desvio R$ 26 milhões.

Os envolvidos são investigados pelos crimes de Organização Criminosa com aumento de pena em virtude da participação de funcionário público (Art. 2º, § 4º, Inciso II da Lei 12.850/2013), peculato (Art. 312 do CP) e de Lavagem de Dinheiro (Art. 1º, da Lei nº 9.613/98).

Os nomes dos investigados não serão divulgados em razão de terem sido alvos de prisões temporárias, destinadas à investigação ainda em andamento.

A deflagração da operação contou com apoio operacional das Polícias Civis de Goiás, São Paulo, Minas Gerais, Pernambuco, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso e Rio de Janeiro (Departamento Geral de Combate à Corrupção).

Até as 15h30, 15 pessoas já tinham sido detidas (veja lista abaixo). A Polícia Civil do DF informou também que, durante a manhã, apreendeu 23 carros de luxo.

DF: 3 buscas e 2 prisões
GO: 1 busca e 1 prisão
MG: 5 buscas e 3 prisões
MT: 3 buscas e 1 prisão
SP: 3 buscas e 2 prisões
PR: 4 buscas e 1 prisão
PE: 2 buscas e 1 prisão
SC: 3 buscas e 2 prisões
RJ: 4 buscas e 2 prisões





Carros de luxo apreendidos durante megaoperação da Polícia Civil que mira suspeitos de desviar quase R$ 30 milhões do Banco do Brasil — Foto: Polícia Civil do DF/Divulgação

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