CRUSOÉ: Atual líder de Bolsonaro, FBC foi delatado pelos"agiotas" do jatinho por lavagem de propinas da OAS por meio de empréstimos e contratos fictícios

Juntos e misturados
Matéria publicada na Edição de hoje, da Revista Crusoé, sob o título "Os agiotas do líder", assinada por Fabio Serapião revela as ligações do líder do governo Bolsonaro no Senado, o pernambucano Fernando Bezerra Coelho e de seus filhos, com os agiotas apontados pela Polícia Federal como "laranjas" na compra do jatinho que matou o ex-governador Eduardo Campos.


De acordo com a reportagem, o relatório 14.463 do Conselho de Controle de Atividade Financeira, o COAF, explicaria o motivo pelo qual os congressistas brasileiros teriam se unido para retirar o COAF do Ministério da Justiça.

Segundo a Crusoé, foi a partir desse relatório do COAF que os agiotas João Carlos Lyra e Eduardo Leite, o Ventola se viram obrigados a fazer delações premiadas de conteúdo considerado explosivo por quem já teve acesso a elas, mantidas até hoje sob sigilo apesar de já homologadas.

Um dos citados nas delações de João Lyra e Ventola é ninguém menos que o senador Fernando Bezerra Coelho, do MDB, mas com tentáculos e outros partidos em Pernambuco, onde seu filho Fernandinho, ex-ministro do governo Temer, está filiado ao DEM. 

A Revista conta que teve acesso, com exclusividade, a trechos das delações que se encontram na posse do Ministério Público Federal e da Polícia Federal e verificou que Lyra e Ventola descreveram operações feitas para FBC, como é conhecido o líder de Bolsonaro, apontado por Crusoé como "líder de uma das principais oligarquias políticas de Pernambuco que tem no adesismo amplo, geral e irrestrito uma de suas principais marcas. Foi aliado de Lula, Dilma Rousseff, Michel Temer e, agora, desponta como braço direito de Bolsonaro. De Dilma, ele foi ministro da Integração Nacional de 2011 a 2013."

Crusoé aponta que depois do trágico acidente que vitimou o então presidenciável Eduardo Campos, do PSB, ocorrido no dia 13 de agosto de 2014, o COAF encaminhou à Polícia Federal o relatório com informações sobre operações atípicas de duas empresas dos também pernambucanos Eduardo Leite "Ventola" e João Carlos Lyra, utilizadas na compra do jatinho Cessna Citation, cujo acidente matou Campos. As irregularidades apontadas pelo relatório do COAF sobre as atividades atípicas das duas empresas resultou, dois anos após o acidente, na Operação Turbulência, da Polícia Federal.

João Carlos Lyra, preso pela "Turbulência", conta a Revista, aparecia como "dono" do avião, surgindo ao lado de Eduardo Leite como "líder de uma rede de empresas de factoring e outras empresas de fachada que recebiam altos valores de empreiteiras e de outros operadores detidos pela Lava Jato."

A reportagem ainda conta que Lyra e Ventola "eram conhecidos agiotas do Recife, capital do estado governado por Eduardo Campos entre 2007 e 2014. Acabariam denunciados pelo Ministério Público Federal como operadores da Camargo Corrêa e OAS. Descobriu-se que ambos eram o elo financeiro entre as empreiteiras e Campos e Bezerra, na obra da refinaria de Abreu e Lima, da Petrobras."

Apesar da negativa inicial de Lyra e Ventola, diz a Revista, a contundência das provas levou os dois a firmarem acordo de delação premiada no ano passado, onde confirmaram "ter atuado tanto para as empresas como para os dois políticos. Nos depoimentos, mostram detalhes de como eram levantados recursos financeiros para campanhas eleitorais. Os fatos narrados compreendem de 2010 a 2014. Basicamente, são três situações descritas por Lyra e Ventola: empréstimos pagos por empreiteiras, remessas para o operador pessoal de Bezerra e retiradas de dinheiro em espécie em empresas de São Paulo."

Durante a eleição municipal de 2012, prossegue a Revista, quando Fernando Bezerra Coelho Filho, o Fernandinho, disputou a Prefeitura de Petrolina, o pai, FBC, teria ido até o Recife para pedir à dupla de agiotas um empréstimo de R$ 1,5 milhões: "Após as tratativas sobre quais seriam as taxas de juros praticadas, o repasse foi acertado. Lyra conta que, do valor total, cerca de 1 milhão de reais foi repassado por meio de transferências bancárias para empresas ligadas ao próprio Bezerra e Iran Padilha, apontado pelo MPF como operador pessoal do político. Entre as empresas citadas como receptadoras do montante estão a Bari Veículos, que é ligada à família do senador, e outra empresa também atuante na venda de carros - que, de acordo com Lyra, é de propriedade de pessoas próximas a Iran Padilha. Os 500 mil reais restantes, diz o delator, foram entregues pessoalmente a Iran Padilha e para uma gráfica, a pedido do operador."

Ainda segundo os agiotas, diz a revistas, "após o vencimento do prazo para o pagamento, começaram a cobrar Bezerra. É nesse momento que surge a OAS. Indicada pelo próprio político, a empresa aparece como disposta a honrar o pagamento da dívida assumida pelo, à época, ministro da Integração Nacional de Dilma Rousseff. Com juros e correção monetárias, a empreiteira pagou a dívida de Bezerra com agiotas por meio de contratos fictícios e outros superfaturados firmados com empresas ligadas a Lyra e Ventola. Os contratos eram relacionados com as obras tocadas pela pasta de Bezerra, como a transposição do Rio São Francisco, o Canal do Sertão, em Alagoas, e uma obra no porto de Suape."

Além desse empréstimo, prossegue a Crusoé, quitado com juros cobrados pelos agiotas, Lyra e Ventola delatam a existência de outro modelo de operação realizado em favor de FBC. Ambos teriam retirado, em São Paulo, entre 2010 e 2014, recursos em espécie de empresas indicadas pelo senador e que também mantinham contratos de obras com o governo federal no Nordeste tocadas pelo Ministério da Integração Nacional, pasta comandada,na época, por FBC.

De acordo com Lyra e Ventola, segundo a Crusoé, "como não podiam levar o montante em mãos para Pernambuco, contrataram os serviços de outra dupla de criminosos que foram alvos das primeiras fases da Lava Jato, Rodrigo Morales e Roberto trombeta. Os dois mantinham uma rede de empresas de fachada apenas para simular contratos e esquentar valores ilícitos."

O esquema, ainda de acordo com a Crusoé, consistia em deixar o dinheiro em espécie para Trombeta que firmava contratos entre suas empresas de fachada e as dos agiotas pernambucanos Lyra e Ventola que, por sua vez, enviavam, por transação bancária, os recursos financeiros que eram levantados em São Paulo para serem retirados no Recife. Na delação, conta a revista, não fica claro o montante movimentado por meio dessas operações em São Paulo, mas de acordo com o relatório da operação Turbulência "há provas cabais (documentos de transferência ou depósitos bancários) de que, somente com esse esquema criminoso engendrado por Rodrigo Morales e Roberto Trombeta, João Carlos (Lyra) teria sido beneficiado em sua conta pessoal com R$ 2.850.000,00 (dois milhões, oitocentos e cinquenta mil reais)".

A Crusoé conta, ainda, que quando FBC foi candidato, em 2014, o hoje líder de Bolsonaro teria novamente batido na porta dos dois agiotas para pedir um empréstimo de R$ 1,7 milhão a ser novamente pago pela OAS por meio de contratos fictícios. A dupla de agiotas, então, teria arranjado o dinheiro o dinheiro: "Aí se dá uma situação curiosa. Passadas as primeiras semanas, a empreiteira não só deixou de pagar essa dívida, como solicitou os serviços da dupla para que eles arrumassem recursos para bancar oura despesa de campanha de Bezerra, no valor de 600 mil reais. Os agiotas reclamaram, pois Bezerra estava contraindo mais uma dívida com eles sem pagar a anterior. Entretanto, para não perder a clientela, resolveram fazer o serviço. Os recursos foram entregues pela dupla ao publicitário André Gustavo Vieira, dono da Arcos Propaganda, que também foi preso na Lava Jato (ele operava para o ex-presidente do Banco do Brasil Aldemir Bendine). Ocorre que até hoje nem o 1,7 milhão nem os 600 mil foram pagos aos agiotas. O motivo: a queda do avião colocou-os sob a mira da Lava Jato. E um relatório do COAF levantou todas as operações suspeitas em suas contas."

"IMUNE A DENÚNCIAS E INQUÉRITOS"

A revista destaca que "Fernando Bezerra Coelho continua a levar adiante sua exitosa carreira política, imune a denúncias e inquéritos. O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, por exemplo, contou à Polícia Federal, em delação premiada, que o político atuou como intermediário de uma doação ilegal de 20 milhões de reais a Eduardo Campos, na campanha para o governo de Pernambuco, em 2010. Dinheiro que foi entregue a Bezerra pelo doleiro Alberto Yousseff. o Acusado negou veementemente. Na semana passada o senador viajou ao lado de Bolsonaro na primeira visita presidencial à região Nordeste. A viagem gerou um constrangimento grande para o presidente. Enquanto ambos divulgavam, sorridentes, um vídeo em que posavam lado a lado no avião, o Tribunal Regional Federal da Quarta Região determinava o bloqueio de até 258 milhões de reais nas contas do senador em razão de uma ação de improbidade administrativa movida pela Lava Jato."

Ouvida pela Revista, a defesa de FBC disse que não teve acesso à colaboração dos agiotas, mas, que "confia que o caminho natural dessa investigação será o arquivamento." "Será mesmo?", questiona a Crusoé.

A matéria completa pode ser acessada apenas por assinantes no link https://crusoe.com.br/secao/reportagem/os-agiotas-do-lider/




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