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Butique das "finas e fofas" do Recife era "usada para desvios de recursos das empresas principais" do Grupo João Santos para fugir dos credores trabalhistas e fiscais

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Policial federal contando dinheiro apreendido na casa de um dos alvos da Operação Background - Foto: Divulgação/PF Em todo o período analisado pela Polícia Federal, o total de créditos nas contas da Dona Santa foi de cerca de R$ 102 milhões, enquanto a receita declarada no mesmo período foi de pouco mais de R$ 47 milhões. Aparentemente, R$ 55 milhões de origem desconhecida foram creditados nas contas da empresa, aponta a decisão de buscas e apreensões De acordo com a decisão que determinou buscas e apreensões nas empresas do Grupo João Santos e de pessoas ligadas a este, a Polícia Federal aponta no sentido "da lavagem de dinheiro", pois "analisando as movimentações bancárias suspeitas, foi possível identificar retiradas milionárias por sócios, utilização de contas bancárias de passagem, com valores entrando na conta e sendo transferidos para outras contas no mesmo dia ou em dias próximos, tudo isso para evitar bloqueios judiciais e rastreamento dos valores. Também

Foragida: ex-deputada e ex-procuradora da Câmara dos deputados, Jozi Araújo é considerada foragida da Justiça juntamente com dois presidentes de sindicatos fantasmas

Ex-deputada Jozi Araújo, do Podemos, foi procuradora da Câmara dos Deputados na gestão Eduardo Cunha

Jozi Araújo, ex-deputada federal, seu pai João Mariano do Nascimento e Jonatas Bezerra Lisboa, presidentes de sindicatos fantasmas, são considerados foragidos pela Polícia Federal (PF). O trio tem mandado de prisão preventiva em aberto desde a deflagração da Operação Sindicus, na última terça-feira (29). A atuação conjunta da PF e do Ministério Público Federal (MPF) buscou desarticular organização criminosa chefiada pela ex-parlamentar que visa assumir, novamente, o controle da Federação das Indústrias do Amapá (Fieap) utilizando sindicatos fantasmas.

A atuação da organização criminosa iniciou em 2013, ano em que Jozi Araújo venceu as eleições para a presidência da Fieap. Até 2017, o grupo havia desviado mais de R$ 300 mil em contribuições sindicais. Os envolvidos no esquema são réus em ações propostas pelo MPF. Eles respondem na Justiça Federal do Amapá, na esfera cível, por improbidade administrativa, e na penal, por organização criminosa, falsidade ideológica e peculato. A Justiça do Trabalho também impediu a atuação dos sindicatos fantasmas. Contrariando as medidas judiciais, a organização criminosa chefiada por Jozi Rocha e seus familiares, continuou a atuar em 2019. Contando agora com novos integrantes, o grupo voltou a ser articular para se inserir, novamente, de forma ilícita, na instituição.

A Operação Sindicus foi deflagrada para interromper a atuação da organização criminosa. Estão presos preventivamente, desde a última terça-feira (28), Josevaldo Araújo Nascimento e David Correia Velasco Guimarães, irmão e cunhado de Jozi Araújo, respectivamente. Eles eram os responsáveis por articular a volta da ex-deputada federal à Fieap. Também foram presos o advogado José Enoilton Ribeiro Leite e a ex-tesoureira da Fieap Silvia Teresa de Sousa Pereira. Os dois, junto a Jonatas Lisboa, exerciam papel de destaque na organização, especialmente na ocultação do patrimônio obtido de forma ilícita.

Na decisão que autorizou o cumprimento das medidas judiciais da Operação Sindicus, a Justiça Federal atendeu pedidos do MPF para determinar o sequestro dos bens dos envolvidos no valor de R$ 600 mil e para suspender as atividades dos sete sindicatos fantasmas. São eles: Sindicato das Indústrias de Joalheria e Ourivesaria - Sinjap, Sindicato das Indústrias de Extração de Óleos Vegetais e Animais - Sindeva, Sindicato das Indústrias da Construção e Reparação Naval - Sinav, Sindicato das Indústrias de Papel e Celulose - Sinpel, Sindicato das Indústrias de Material Plástico - Sinpat, Sindicato das Indústrias da Pesca no Estado do Amapá - Sindesp e Sindicato das Indústrias de Mármore e Granitos - Sindmag.


Com informações da Assessoria de Comunicação Social do Ministério Público Federal no Amapá

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