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Butique das "finas e fofas" do Recife era "usada para desvios de recursos das empresas principais" do Grupo João Santos para fugir dos credores trabalhistas e fiscais

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Policial federal contando dinheiro apreendido na casa de um dos alvos da Operação Background - Foto: Divulgação/PF Em todo o período analisado pela Polícia Federal, o total de créditos nas contas da Dona Santa foi de cerca de R$ 102 milhões, enquanto a receita declarada no mesmo período foi de pouco mais de R$ 47 milhões. Aparentemente, R$ 55 milhões de origem desconhecida foram creditados nas contas da empresa, aponta a decisão de buscas e apreensões De acordo com a decisão que determinou buscas e apreensões nas empresas do Grupo João Santos e de pessoas ligadas a este, a Polícia Federal aponta no sentido "da lavagem de dinheiro", pois "analisando as movimentações bancárias suspeitas, foi possível identificar retiradas milionárias por sócios, utilização de contas bancárias de passagem, com valores entrando na conta e sendo transferidos para outras contas no mesmo dia ou em dias próximos, tudo isso para evitar bloqueios judiciais e rastreamento dos valores. Também

Mar Aberto:"Laranja do Jatinho" da Operação Turbulência depositou mais de R$ 2,2 milhões em contas das empresas de Pinteiro Neto. Queiroz Galvão tamém marcou presença, revela relatório da Polícia Civil

Crédito da foto: Revista Veja

Não passou despercebido pela delegada Priscilla Calabria Lima, titular da DECCOT, o fato de que um dos investigados pela Operação Turbulência, Eduardo Leite, conhecido como Ventola, teria feito dois depósitos de monta nas contas das empresas de José Pinteiro Neto, apontado como líder de uma organização criminosa que movimentou mais de R$ 372 milhões em apenas cinco anos, por meio empresas de fachada e sem emissão de notas fiscais que justificassem tamanha movimentação.

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Para a empresa INPA Indústria Naval da Paraíba, que tem como sócias a esposa e a filha de José Pinteiro, Eduardo Ventola depositou o correspondente a R$ 600.000,00. A empresa é do ramo de construção de embarcações para esporte e laser e movimentou entre os anos de 2012 e 2017, a quantia de R$ 21,5 milhões.

De acordo com a Polícia Civil de Pernambuco, a INPA possui endereço na Rodovia BR 230, s/n, Km 27, Oitizeira, João Pessoa, porém, "diligências de campo revelaram que a empresa não funciona efetivamente naquele local, o imóvel está, inclusive, para alugar".

Entre os maiores depositantes para a INPA estão empresas do próprio grupo comandado por Pinteiro, e o investigado na Turbulência Eduardo Leite, o Ventola e a Construtora Queiroz Galvão, que foi alvo da Operação Lava Jato, cada um tendo depositado R$ 600 mil na conta da INPA.



A delegada destaca na representação criminal em que pediu a prisão dos investigados na Operação Mar Aberto, que ao realizar "o cruzamento das notas fiscais emitidas pela empresa com os dados bancários obtidos na presente investigação, no período de 2012 a 2017, constatamos que o montante de R$ 22.461.727,46 foi creditado na conta da empresa sem a emissão de nota fiscal, sendo desde já questionável o motivo a justificar tais créditos, havendo, pois, fundados indícios de que tais repasses sejam uma forma de escoamento de valores locupletados."

Destaque-se, porém, que os depósitos feitos por Eduardo Ventola e pela Queiroz Galvão, antes referidos, não constam da lista dos que teriam feito pagamentos à INPA sem nota fiscal, sendo de se inferir que pelo menos para esses pagamentos teriam sido emitidas notas que podem, portanto, revelar o motivo dos pagamentos.

Para a Mariner Comércio e Indústria de Embarcações, porém, empresa registrada no nome de um empregado de José Pinteiro Neto, Rômulo Robério Tavares Ramos, também preso na operação, Eduardo Leite é citado pela delegada como um dos maiores depositantes: "Chama atenção que entre os maiores depositantes estão a LABOR FACTORING CONSULTORIA LTDA., JPN GESTORA E ADMINISTRADORA DE BENS, INPA INSDÚSTRIA NAVAL DA PARAÍBA LTDA, EDUARDO FREIRE BEZERRA LEITE, JOSÉ PINTEIRO DA COSTA JUNIOR, AQUARIUM COMÉRCIO E SERVIÇOS NÁUTICOS LT, ROMULO ROBÉRICO TAVARES RAMOS, ANDREA BANDEIRA VIEIRA DE MELLO PINTEIRO, conforme tabela a seguir:"



A MARINER tem o mesmo endereço cadastral das empresas Belmar, Jopin, WE DO e Aquarius.

E a delegada prossegue: "É de se notar que EDUARDO FREIRE BEZERRA LEITE, indiciado na Operação Turbulência da Polícia Federal por organização criminosa, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica, creditou R$ 1.630.224,00,na conta da Mariner, R$ 600.000,00 na conta da INPA e R$ 12.597,00 na conta de ROMULO ROBERICO."

Com relação a Eduardo Leite (Ventola), em seu relatório, a delegada aponta, por meio de um gráfico, os repasses para as empresas de Pinteiro e o inclui na lista daqueles que depositaram vultosas quantias, sem nota fiscal, para a empresa Mariner: "Ao realizar o cruzamento das notas fiscais emitidas pela empresa com os dados bancários obtidos na presente investigação, no período de 2012 a 2017, constatamos que o montante de R$ 36.429.746,53 foi creditado na conta da empresa sem emissão de nota fiscal, sendo desde já questionável o motivo a justificar tais créditos, havendo, pois, fundados indícios de que tais repasses sejam uma forma de escoamento de valores locupletados".



"Digno de nota que, dentre os depósitos realizados sem a devida nota fiscal constam o da LABOR FACTORING E CONSULTORIA LTDA., no valor de R$ 12.117.457,66, JPN GESTORA E ADMINISTRADORA DE BENS LT, no valor de R$ 4.322.620,00, EDUARDO FREIRE BEZERRA LEITE, no valor de R$ 1.630.224,00, INPA INDÚSTRIA NAVAL, no valor de R$ 1.487.093,00, JOSÉ PINTEIRO DA COSTA JUNIOR, no valor de R$ 369.000,00, AQUARIUM COMÉRCIO E SERVIÇOS NÁUTICOS LT, no valor de R$ R$ 186.000,00, ANDREA VIEIRA B. DE MELLO PINTEIRO, no valor de R$ 27.141,92, ROMULO ROBERICO TAVARES RAMOS, no valor de R$ 81.900,00," afirma Priscilla Calabria Lima.


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