Além de assédio sexual contra funcionárias, testemunhas reportaram ao MPPE e à DRACO que Prefeito de Camaragibe levava "prostitutas" para dentro da Prefeitura

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Diferentemente do que tem sido divulgado por alguns veículos de comunicação alinhados com a defesa do prefeito afastado de Camaragibe, que pretende liberá-lo por meio de um habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça para que continue ameaçando vítimas e testemunhas e assaltando o Erário, os motivos que levaram Demóstenes Meira à prisão não se resumem a meros superfaturamento em obras de escolas, crime que é praticado todos os dias por inúmeros prefeitos pelo Brasil a fora, sem que sejam sequer afastados, quanto mais presos.

Além de superfaturar e fraudar licitações, Demóstenes Meira ainda teria praticado extorsão contra vereadores e ameaças de morte contra teatemunhas e vítimas de seus crimes. O produto dos subornos recebidos de empresários, muitos deles seus laranjas, teriam servido para que Meira engordasse seu próprio patrimônio e de seus cúmplices para quem distribuía automóveis e dinheiro.

O Blog da Noelia Brito teve acesso, com exclusividade, a depoimentos de testemunhas que reportaram à Promotoria de Justiça de Camaragibe e à Delegacia de Combate ao Crime Organizado (DRACO), casos gravíssimos de assédio sexual contra funcionárias da Prefeitura de Camaragibe, que teriam sido praticados pelo prefeito afastado, Demóstenes Meira, do PTB. Os assédios, que consistiriam em beijos forçados dentro da própria Prefeitura, para onde o prefeito também levaria "garotas de programa" trazidas de São Paulo, também seriam praticados em restaurantes na presença de outros servidores, dos filhos das funcionárias e de empresários que tinham negócios com Demóstenes Meira. Ainda segundo os depoentes, os abusos sexuais eram acompanhados de declarações de baixo calão, em que o prefeito afirmava que as funcionárias seriam suas "jumentinhas".


Os nomes e as informações que podem identificar as testemunhas e as vítimas foram suprimidos para preservar suas identidades, já que nas denúncias e nas decisões judicias foram reportadas ameaças de morte contra testemunhas


Além de chamar as funcionárias de suas "jumentinhas", Meira contaria aos empresários sobre detalhes de supostos atos sexuais que teria praticado com a servidoras, além de afirmar que dava carros com valores de aproximadamente cem mil reais, como presentes às funcionárias. Em alguns casos, esses empresários chegavam a afirmar que queriam fazer sexo com as servidoras da prefeitura, humilhadas publicamente pelo Prefeito, que se dizia "dono" daquelas. Em um dos depoimentos à DRACO, a testemunha conta que "Meira ficava expondo (omitido) no Gabinete; QUE MEIRA tentou outras vezes beijar (omitido) de forma forçada, tendo inclusive feito tal ato na presença de vários empresários; QUE uma vez, na presença de empresários, MEIRA ficou dizendo aos mesmos que (omitido) era uma 'JUMENTINHA'; QUE (omitido) disse que MEIRA saiu espalhando na prefeitura que tinha feito várias coisas com (omitido), que tinha 'chupado, passado a noite com a mesma, que as partes íntimas de (omitido) era cheirosa (sic), além de diversas outras coisas baixas; QUE (omitido) de um episódio em que um empresário falou: 'vou ficar com essa morena aí', tendo MEIRA lhe chamado e mandado a (omitido) dizer o que ela era dele; QUE (omitido) ficou constrangida e sem reação, pois haviam (sic) vários homens na sala, que nesse momento MEIRA a puxou pela bochecha e lhe deu um beijo forçado na boca; QUE (omitido) saiu do Gabinete arrasada, mas como precisava do emprego para sustentar seus filhos terminava se submetendo a todos esses constrangimentos; QUE MEIRA além dos assédios que praticava contra (omitido) também fazia isso com outras mulheres; QUE sabe que (omitido) também sofreu muito assédio; QUE se recorda de ter visto (omitido) sair do Gabinete chorando uma vez; QUE (omitido) recorda de MEIRA ficar falando que (omitido) tinha 'bunda quadrada' e 'buceta de ouro'; QUE MEIRA espalhava que depois que tinha dado um carro ONIX para (omitido) ela não queria nada com ele".


Os nomes e as informações que podem identificar as testemunhas e as vítimas foram suprimidos para preservar suas identidades, já que nas denúncias e nas decisões judicias foram reportadas ameaças de morte contra testemunhas

Em outro trecho do depoimento, a testemunha conta que "teve um dia que o Prefeito levou duas prostitutas que havia trazido de São Paulo, afirmando que as mesmas eram empresárias que vinham abrir um bar 'topado, só de mulher topada' em Camaragibe, QUE depois soube que o Prefeito mandou as mulheres embora antes do tempo, tendo tido conhecimento de que foi (omitido) quem foi buscar as roupas das mulheres no Hotel no Bairro de Boa Viagem".

As testemunhas ainda contaram em seus depoimentos que Meira afirmava que só queria mulheres em seu gabinete. Entretanto, após o prefeito iniciar relacionamento com a cantora Tati Dantas, esta teria ordenado que todas as mulheres do gabinete de Meira fossem demitidas e, de fato, as funcionárias teriam sido exoneradas pelo prefeito que para contornar a situação teria mandado que empresários com os quais manteria sociedade empregassem essas servidoras. Um dos empresários apontados como sócio de Demóstenes Meira seria uma pessoa de nome João Mendes, com quem o prefeito afastado teria "participação de caixa" em uma empresa fornecedora de andaimes e blocos, situada nas proximidades da UPA da Caxangá (Auto 2019/61027 - Sistema Arquimedes do MPPE).





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