HARPALO: "o que acontece em Camaragibe também acontece em São Lourenço da Mata, pois o nascedouro de toda essa corrupção envolve a participação de políticos dessas duas cidades". Reuniões da ORCRIM seriam em um motel, em Natal

BRUNO PEREIRA E DEMÓSTENES MEIRA: reuniões em motéis

Em um dos trechos da decisão que mandou afastar o prefeito de Camaragibe, Demóstenes Meira, do PTB, e na qual ainda foi determinada sua prisão preventiva, há expressa menção a uma denúncia anônima apresentada à Delegacia de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (DRACCO) e que teria servido como base para as investigações e para as ordens de prisão preventiva e afastamento cautelar, apontando para a existência do mesmo esquema na Prefeitura de Camaragibe, comandada pelo prefeito Bruno Pereira, também do PTB e que chegou a ser afastado pelo TJPE, no âmbito da Operação da Polícia Civil de Pernambuco, em conjunto com o MPPE.

A denúncia citada pelo desembargador Mauro Alencar de Barros, em sua decisão, reporta o envolvimento de uma certa Fabiana Adelina nos "esquemas em Camaragibe, nos anos de 2017 e 2018" e que ao ver "a coisa esquentar lá, saiu e foi para São Lourenço da Mata". De acordo com a denúncia, Fabiana Adelina teria "uma empresa de consultoria na qual ela presta assessoria nas prefeituras acerca das licitações e ela comanda os esquemas lá dentro". Diz o denunciante que "Fabiana sempre coloca mais duas outras pessoas na comissão que não entendam muito de licitações, justamente para que ela possa comandar tudo" e que o motivo da saída desta da Prefeitura de Camaragibe teria sido uma reclamação de Demóstenes Meira de que esta queria ganhar mais do que ele: "FABIANA QUER GANHAR MAIS DO QUE EU, AÍ NÃO PODE", teria reclamado Meira.

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Em sua Representação pela prisão e afastamento do Prefeito de Camaragibe, a DRACCO reporta que segundo as denúncias ali investigadas, "o que acontece em Camaragibe também acontece em São Lourenço da Mata, pois o nascedouro de toda essa corrupção envolve a participação de políticos dessas duas cidades. Explica-se: existia uma ligação pessoal entre as pessoas de CARLOS AUGUSTO BEZERRA DE LIMA e JAIRO PEREIRA DE OLIVEIRA (ex-prefeito de São Lourenço). JAIRO conseguiu se eleger prefeito de São Lourenço da Mata em 2000 e 2004. No ano de 2000, ele já trouxe CARLOS AUGUSTO da cidade de Natal/RN para São Lourenço. JAIRO começou a dar várias licitações a CARLOS AUGUSTO. Em 2004 essa relação já estava bem estabelecida e o filho de CARLOS AUGUSTO, THIAGO DANTAS, se elegeu vereador de São Lourenço da Mata/PE. THIAGO, CARLOS AUGUSTO E JAIRO tinham uma relação muito forte de corrupção e fraudes à licitação. No mandato subsequente, (de ETTORE LABANCA, como prefeito), eles ficaram sem ter como 'operar' e assim, passaram oito anos fora do circuito. Mas em 2016, BRUNO PEREIRA, filho de JAIRO PEREIRA, assumiu como prefeito de São Lourenço e foi quando todas essas pessoas voltaram ao circuito de corrupção". A representação da DRACCO ainda reporta que, segundo a denúncia, "em 2017, uniram-se BRUNO PEREIRA, JAIRO JUNIOR )irmão de Bruno), CARLOS AUGUSTO, THIAGO DANTAS e DEMÓSTENES MEIRA que sempre fazem dentro de um motel, cujo proprietário é CARLOS AUGUSTO (hotel oásis). Que eles acertaram que MEIRA iria dar continuidade ao processo de corrupção que eles faziam, em troca de parte do dinheiro. Que MEIRA aceitou. Que quando houve a Operação Tupinambá, em 2017, BRUNO PERERA foi afastado e quando o vice assumiu, cortou o acordo com CARLOS AUGUSTO, mas quando BRUNO voltou, voltou tudo de novo. Que quando BRUNO PEREIRA reassumiu, depois da Tupinambá, ele esperou terminar o contrato emergencial do lixo que o vice havia feito e fez outro contrato emergencial com a empresa comandada por CARLOS AUGUSTO, a ULTRA SERV, cujo sócio é um laranja."





Acordão do TCE/PE, publicado pelo Blog da Noelia Brito, em 21 de fevereiro de 2018, aponta para suspeitas lançadas no inquérito policial da Operação Tupinambá. de que o pai do atual Prefeito de São Lourenço da Mata, Bruno Pereira, seria um dos controladores da Empresa Esfera, apontada pela Polícia Civil como beneficiária de superfaturamentos e direcionamentos de licitações, naquela prefeitura e que teria como também controlador, o empresário Carlos Augusto, preso na Harpalo, pelos esquemas em Camaragibe (Leia a íntegra AQUI).



As investigações da DRACCO ainda apontaram para depoimentos que confirmariam informações levadas ao conhecimento da autoridade policial por meio da denúncia anônima acima mencionada. De acordo com "depoimentos colhidos pela autoridade policial, há claras referências ao vínvclo existente entre o Prefeito DEMÓSTENES E SILVA MEIRA e CARLOS AUGUSTO BEZERRA DE LIMA, no qual constam que há acertos de que parte do dinheiro oriundo dos contratos seria repassado ao gestor municipal, o que caracteriza, em tese, enriquecimento ilícito."






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