Laranjal do PSL: Polícia Federal prende assessor e coordenador da campanha do Ministro do Turismo de Bolsonaro

Bolsonaro ironizou o escândalo do "laranjal" envolvendo seu partido: "também queria ser dono de um laranjal. Laranja é boa porque é redonda", chegou a declarar o presidente

A Polícia Federal acaba de prender um assessor especial e o coordenador da campanha de deputado federal do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, em desdobramento da apuração sobre supostas candidaturas laranjas do PSL em Minas Gerais. 

O assessor é Mateus Von Rondon foi detido em Brasília, ao passo que o coordenador da campanha de Álvaro Antônio em 2018, Roberto Silva Soares, conhecido como Robertinho, foi preso na mesma ação, em Ipatinga.

A Operação recebeu o nome de Sufrágio Ostentação e cumpre mandados de busca e apreensão e de prisão temporária em Aimorés e Ipatinga, na Região do Vale do Rio Doce, e em Brasília. 

Durante a primeira fase da Operação, desencadeada em 29 de abril,  a PF fez buscas em sete endereços de cinco cidades mineiras, inclusive na sede do PSL em Belo Horizonte. 

As investigações apuram a prática dos crimes dede falsidade ideológica eleitoral, emprego ilícito do fundo eleitoral e associação criminosa.

A empresa do assessor Von Rondon consta na prestação de contas de quatro candidatas à Assembleia estadual e à Câmara dos Deputados que teriam sido usadas pelo PSL de Minas como laranjas.

Lilian Bernardino, Naftali Tamar, Débora Gomes e Camila Fernandes, em depoimento à PF, afirmaram ter pago R$ 32 mil à companhia do hoje assessor do ministro. A PF acredita que a empresa tenha sido criada apenas para este fim, já que foi fechada após o fim das eleições. As quatro candidatas tiveram poucos votos no pleito, apesar do recebimento dos recursos do partido, o que levantou suspeitas sobre a regularidade dos repasses e motivou a abertura de investigação em fevereiro. 

O coordenador de campanha conhecido como Robertinho, de acordo com a PF, seria a figura central do suposto esquema de candidaturas laranjas e ocupava o cargo de primeiro secretário do diretório em Minas, mas deixou a posição depois de seu antigo chefe, o ministro Álvaro Antônio, se tornar alvo de suspeitas de participação no desvio de recursos públicos do fundo partidário nas eleições do ano passado. Robertinho é irmão do dono de uma das gráficas utilizadas no suposto esquema. Segundo a PF, empresa não funcionava há dois anos e emitiu notas fiscais para candidaturas do PSL no estado.
Bolsonaro, no entanto, trata o episódio envolvendo seu partido e o ministro de seu governo com ironia, chegando a firmar que ele próprio gostaria de ter um "laranjal" porque "laranja é um produto rendoso". 

Robertinho foi acusado pela então candidata do PSL de Minas Gerais, Adriana Moreira Borges, de condicionar um repasse de R$ 100 mil do fundo partidário do PSL para sua campanha à devolução de R$ 90 mil ao partido. 

O ministro Marcelo Álvaro foi acusado pela deputada federal Alê Silva (PSL-MG), de ameaçá-la de morte em razão das denúncias do laranjal.


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