Moro e procuradores se recusam a entregar celulares para perícia, segundo o Globo, vazamento teria partido de dentro do MPF, em Curitiba e não de "hacker"



Apesar de se dizerem vítimas de uma invasão hacker, tanto o ex-juiz Sergio Moro, quanto os procuradores da Lava jato que fazem tal afirmação, recusam-se a entregar seus aparelhos celulares para serem periciados pela Polícia Federal.

Pelo menos uma das pessoas com quem conversei acredita que há uma coincidência — o hacker existe, mas não é ele a fonte do Intercept. As informações recebidas pelo site teriam sido colhidas de dentro do prédio do Ministério Público de Curitiba, através da rede interna, violando a versão de computador do Telegram utilizado pelos procuradores.

Segundo Bela Megale, do Globo, a recusa das supostas vítimas em forneceer os equipamentos tem sido a maior dificuldade da PF para a elucidação do caso.

Para contornar a dificuldade criada pelo próprio Moro e pelos procuradores, a PF tem ido ao encontro destes para capturar os dados por meio de "espelhamento" dos aparelhos, mas os peritos adiantam que esse procedimento não tem a mesma eficiência da análise completa dos aparelhos.

Não há informações sobre as justificativas de Moro e dos procuradores para a recusa em entregar os aparelhos para perícia, mas, ao que tudo indica, não estão muito interessados na elucidação do caso.

A indisposição em colaborar com a Polícia Federal talvez tenha relação com o que foi divulgado pelo colunista Pedro Doria, também de O Globo, segundo o qual, pelo menos uma das pessoas com quem conversou descarta o hacker como fonte do Intercept. A fonte de Doria acredita que há uma coincidência. De fato, o hacker existiria, mas não seria ele a fonte do Intercept. De acordo com a fonte de Pedro Doria, as informações recebidas pelo site teriam sido colhidas de dentro do prédio do Ministério Público de Curitiba, através da rede interna, violando a versão de computador do Telegram utilizado pelos procuradores.

Já sobre os ataques hackers, Pedro Doria revela que desde abril, pelo menos doze pessoas, talvez mais que vinte, tiveram suas conversas eletrônicas invadidas por um hacker. Todas ligadas à Operação Lava-Jato: procuradores, juízes, jornalistas. As conversas reveladas até agora pelo Intercept Brasil entre o então juiz Sergio Moro e o procurador Deltan Dallagnol revelam um tipo de cooperação que não deveria existir entre juiz e acusação, afirma Pedro Doria, para concluir que "O fato de que a origem do vazamento é ilegal não muda o óbvio interesse público pelo material. Mas isto não quer dizer que a busca pelo hacker seja menos importante. Dentre as primeiras perguntas que qualquer jornalista se faz a respeito de suas fontes estão, sempre: a quem interessa e por quê?

Pedro Doria conta que teria conversado, nos últimos dias com algumas das pessoas que sofreram tentativa de hackeamento e, outras, envolvidas na investigação e que o que estaria chamando a atenção dos investigadores seria a alta capacidade técnica envolvida.

O hacker que anda invadindo dispositivos de lavajateiros seriam profissionais, dotados de habilidades técnicas raras, de acordo com pelo menos duas das pessoas envolvidas na investigação.

Para eles, o que chama atenção é que o hacker conhece bem os protocolos de telefonia. O TCP/IP, os códigos que fazem a internet funcionar, são acessíveis a todos. Mas quem clonou estes celulares demonstrou também conhecimento de SS7, os padrões que ditam o funcionamento das redes de telefonia. Assim, manipulando roaming internacional, escolheu trafegar por operadoras pequenas no Brasil, ao invés das quatro grandes. Não à toa: nas pequenas, os níveis de segurança são mais frágeis, revela Pedro Doria.

Todas as pessoas atacadas revelam um mesmo procedimento. Recebem uma ligação do próprio número, em geral à noite ou de madrugada. Então receberam um SMS pedindo para que se autorizasse uma nova instalação do app de mensagens Telegram. Alguns caíram, outros, não.

Segundo Pedro Doria, a Polícia Federal acredita que o hacker não está no Brasil por conta do que identificou como seu fuso horário, na região entre Europa e Ásia. De fato, esta é uma informação que aparece nos arquivos de log, embora possa ser falsificada.


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