Operação Harpalo II: Durante mandato, prefeito de Camaragibe multiplicou patrimônio por meio de suborno, usando nomes de "laranjas", revela inquérito da Polícia Civil

Prefeito de Camaragibe foi preso ontem pela DRACO, durante a segunda fase da Operação Harpalo, por corrupção, lavagem de dinheiro, fraudes em licitações e extorsão

Inquérito da Polícia Civil de Pernambuco, instaurado por requisição do Ministério Público Estadual, constatou que o prefeito de Camaragibe, Demóstenes Meira, do PTB, afastado ontem por determinação do desembargador Mauro Alencar de Barros, do Tribunal de Justiça de Pernambuco, montou vasto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro, extorsão, ameaças e fraudes em licitações, com o intuito de desviar recursos públicos da Prefeitura e enriquecer ilicitamente por meio de uma rede de "laranjas", nos nomes dos quais, Demóstenes Meira mantinha o patrimônio amealhado mediante o pagamento de propina por empresários beneficiados pelas fraudes nas licitações de Camaragibe.



Apesar de ter como renda declarada apenas os subsídios de Prefeito, inferiores a 20 mil reais, Meira adquiriu uma mansão num Condomínio de Luxo, em Gravará, por 2 milhões de reais, compra que foi cancelada logo após a deflagração da Operação Harpalo, sob o pretexto de que não poderia mais pagar.



A compra foi confirmada pelo proprietário do imóvel,  Helio Ferreira Lopes Sobrinho, em depoimento à DRACO, quando contou à Polícia Civil que assim que informou a Demóstenes Meira o valor da mansão que colocara à venda, pelo valor de 2 milhões de reais, o Prefeito de Camaragibe fechou a compra, cuja entrada foi paga com a transferência de um veículo Amarock, avaliado em 130 mil reais, ocasião em que a mansão foi transferida para Meira. Era o mês de dezembro de 2018.



A segunda parcela, no valor de 170 mil reais, teria sido paga em dinheiro vivo, em janeiro deste ano. Outros 170 mil teriam sido pagos, também em dinheiro, no mesmo mês de janeiro de 2019, seguindo-se a estes, pagamentos em dinheiro parcelados, no valor de R$ 70.833,00 (setenta mil e oitocentos e trinta e três reais), mensais, que deveriam perfazer, segundo o vendedor, 23 ou 24 parcelas. Entretanto, segundo Helio Ferreira Lopes Sobrinho, "após a deflagração da Operação Policial, Demóstenes Meira ligou para o declarante informando que não poderia arcar com o compromisso do contrato firmado", ficando o valor já pago, no total de 400 mil reais, como multa pelo distrato.



Além da mansão em Gravatá, uma casa em Maria Farinha, cuja conta de energia elétrica foi encontrada em poder do prefeito, costumeiramente usada por Meira, estaria em nome da esposa da pessoa que aparece como proprietária de um veículo BMW apreendido com Demóstenes Meira na Harpalo I. Em depoimento à Polícia, o dono da casa de Maria Farinha e da BMW contou que em princípio Meira teria alugado sua casa e manifestado interesse nesta e no carro, pelo qual ofereceu a quantia de 110 mil reais. Afirma o depoente, que para usar a casa, Meira teria gasto entre 8 e 15 mil reais e ainda mandou pavimentar a rua onde ficava localizada, no Município de Paulista. Sobre o pagamento do veículo, Edvaldo José da Silva contou à Polícia que Meira lhe teria "passado a perna", pois ficou com a BMW e depois sumiu sem pagar e ainda deixou de atender suas ligações.



No decorrer da primeira fase da Harpalo, a Polícia Civil ainda apreendeu com Meira comprovantes de pagamentos de um Consório (Portobens) que totalizaram mais de 29 mil reais e que teriam sido pagos por uma terceira pessoa, o secretário de Governo de Camaragibe, Ivanildo dos Santos Rodrigues que, por sua vez, em depoimento à Polícia afirmou não se recordar de ter feito os pagamentos.



Análise da evolução patrimonial de Demóstenes Meira, realizado pelo Laboratório de Lavagem de Dinheiro da Polícia Civil de Pernambuco, constatou evolução patrimonial atribuída ao prefeito afastado de Camaragibe, entre os anos de 2016 e 2017, da ordem de 75%. Por outro lado, a movimentação financeira do prefeito foi considerada "extremamente incompatível com os rendimentos declarados do investigado".



O Laboratório de Lavagem de Dinheiro ainda verificou que "no ano de 2018, DEMÓSTENES MEIRA envolveu-se em 14 transações de aquisições de imóveis" e que "veículos vinculados ao nome de Demóstenes, sem comunicação de venda, totalizam 22".



O Laboratório ainda localizou uma nota fiscal de aquisição de um veículo Cruze, no valor de 109,8 mil reais e uma operação de compra de uma L200, com emissão de duas notas fiscais no espaço de um dia, sendo que foi utilizado o endereço e o CPF de Meira, mas com o nome de um terceiro, Leonardo José Pessoa Gomes.



Foram apreendidos, ainda, com Demóstenes Meira, nas buscas realizadas na primeira fase da Operação Harpalo, documentos comprobatórios de aquisição de imóveis em Aldeia, pelo valor de 900 mil reais, além de veículos de luxo da marca Mercedes e Equinox, em nome de um certo Delano, adquiridos à Caxangá Veículos.



Contas de energia elétrica de imóveis em nome de Welmy José Dutra dos Santos e do Deputado Federal Marinaldo Rosendo também foram encontradas em poder de Meira.



Em sua decisão de afastar e decretar a prisão preventiva de Demóstenes Meira, o desembargador destaca que o prefeito de Camaragibe "estava pagando/movimentando as contas de várias casas, que estão em nome de terceiros, assim como contas de vários veículos, que também não se encontram em seu nome." Ainda segundo o desembargador, "Essas terceiras pessoas, que compõem a sua 'rede de colaboradores' são empresários, funcionários da Prefeitura de Camaragibe, deputados, sua noiva TATIANA DANTAS, dentre outras".








Na decisão que decretou a prisão de Demóstenes Meira, o desembargador afirma que "De fato, ante todos os indícios acima narrados, tem-se que o PREFEITO DEMÓSTENES E SILVA MEIRA tenta ocultar a origem espúria de todo o dinheiro que aufere, tentando reinseri-lo no mercado, através da compra de imóveis e carros em nome de terceiros, o que perfaz os indícios de materialidade e autoria delitiva quanto ao crime de lavagem de dinheiro.



Mais revelações no decorrer do dia.

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