Presidente do Partido de Bolsonaro usou notas frias para justificar gastos de campanha e do gabinete, revelam Folha e Crusoé. Bivar e Antonio Rueda, presidente e vice do PSL silenciam, diz o Blog do Ricardo Antunes


Matérias publicadas hoje pela Folha de São Paulo e pela Revista Crusoé revelam que o presidente nacional do PSL, partido de Bolsonaro, o deputado Federal Luciano Bivar, apresentou à Câmara e ao Tribunal Superior Eleitoral, notas fiscais de duas empresas que negociam a venda desse tipo de documento.

A primeira empresa, ML Serviços de Comunicação, pertenceria a uma assessora de Luciano Bivar e teria sido destinatária de R$ 50 mil de verbas da Câmara de 2017 a abril deste ano, diz a Folha.

Filiada ao PSL desde 2013, a proprietária, Marta Patrícia Heitor Lemos, confirma ter fornecido as notas relativas a 2017 e 2018 sem ter prestado os serviços, que teriam sido feitos, na verdade, por uma outra assessora que não tinha empresa em seu nome.

Ela afirma que, anteriormente, a jornalista Maria das Graças de Lima, que morreu neste ano, era a responsável pela assessoria de imprensa do político.: "Ela não tinha empresa. Desta forma, eu passava a nota e ela pagava o imposto”, diz Marta Lemos, que afirma ter começado a trabalhar diretamente para o gabinete de Bivar apenas em fevereiro deste ano.

Tanto a Folha quanto a Crusoé tiveram acesso a uma conversa telefônica gravada em que ela negocia a venda de uma nota fiscal de sua empresa a uma pessoa que se passava por assessor de um deputado federal, mediante comissão de 25% a 30% do valor do documento. Na gravação, que pode ser ouvida pelos assinantes da Crusoé, Marta Patrícia cita o nome de Luciano Bivar como destinatário de uma nota fiscal.

Em anos anteriores, a ML figura como prestadora de serviços de assessoria de comunicação à fundação de estudos e atividades de militância do PSL nacional, com notas mensais no valor de R$ 2.500.

Em 2014, a empresa emitiu notas no valores de R$ 6.868,76 e R$ 5.000 para organizar seminários sobre as eleições daquele ano nas cidades de Recife e Petrolina.

É relacionada a essa associação do partido que surge o nome da segunda empresa, a Associação Pró Esporte e Cultural, também de propriedade de uma filiada ao PSL, Giselle Miller do Amaral, que foi candidata a deputada estadual pelo partido em 2014.

A Pró Esporte aparece na prestação de contas do PSL nacional como tendo realizado um seminário preparatório às eleições no Rio de Janeiro, em 2014, ao custo de R$ 15 mil.

A Folha também obteve acesso à troca de mensagens entre a dona da empresa e uma pessoa que se passou por assessor de um deputado federal e que adquiriu, mediante comissão, uma nota fiscal fria da Pró Esporte com valor de face de R$ 8.000.

O serviço descrito na nota, que jamais existiu, é a realização de seminário sobre participação das mulheres nas eleições de 2020.

Nessas conversas, Giselle indica ter fornecido notas frias a Bivar e afirma que sua candidatura em 2014 foi de fachada, apenas para cumprir a cota mínima de candidatas mulheres.

Essas notas da fundação foram entregues pelo partido ao Tribunal Superior Eleitoral nas prestações de contas anuais da legenda, como comprovantes do uso que a sigla fez do fundo partidário, o dinheiro público destinado às legendas.

De acordo com técnicos da Câmara ouvidos pela Folha, apresentar à Casa uma nota fiscal que não corresponde à realidade configura, em tese, crime de falsidade ideológica, com pena de 1 a 5 anos de prisão.

Luciano Bivar é fundador do PSL e é tratado como dono da sigla, considerada nanica até o ingresso de Jair Bolsonaro e seus aliados, no início de 2018. O vice de Bivar é seu advogado, Antônio Rueda.

De acordo com o Blog do Ricardo Antunes, Rueda, que além de ser advogado de Luciano Bivar é seu Vice, preferiu se manter em silêncio sobre as acusações da Revista Crusoé e da Folha, sobre o presidente do partido e seu amigo pessoal, Luciano Bivar, que noticiaram que o presidente do PSL comprava notas frias.
"No final da nota a gente já coloca que é como se fosse um recibo quitando a nota para não precisar de recibo”, disse á funcionária da empresa, em transcrição do áudio feita pela Crusoé.
O Blog do Ricardo Antunes ainda revela que estaria tentando um posicionamento dos dirigentes partidários mas até agora não obteve retorno.
Ricardo Antunes lembra, ainda, que em fevereiro desse ano, o Coronel Meira que ia ser candidato a deputado pelo PRP, denunciou um esquema milionário. Meira afirma que sua candidatura ao governo de Pernambuco foi retirada pelo PRP após negociação feita entre o presidente estadual da legenda, Ernesto de Paula, e o PSB do governador Paulo Câmara. Tudo teria sido apadrinhado pelo presidente nacional da legenda, Ovasco Resende, ao custo de R$ 1,5 milhão.
Segundo Meira, também participaram da negociação, que ele chama de “quadrilha” responsável por orquestrar as eleições no Nordeste, Julian Lemos (PSL), Gustavo Bebianno, Antônio de Rueda (PSL) e o deputado federal Luciano Bivar, presidente do PSL, que teria arrebatado um terreno no Recife Antigo como pagamento das negociações. A denúncia, gravíssima, de Meira, foi veiculada na época pelo site Portal de Prefeitura.

MAIS VISITADAS DO MÊS

Forbes: Lista de bilionários brasileiros traz 16 cearenses e 6 pernambucanos. Saiba quem são.

Entidades ligadas a empresário preso hoje pela PF, por desvios na Saúde, receberam mais de R$ 781 milhões do Estado e de Prefeituras pernambucanas

Radar: João Campos recebe mais de R$ 5,2 milhões do Fundo Eleitoral do PSB e é recordista nacional de doações

Pesquisa: Marília Arraes e Delegada Patrícia despontam empatadas na liderança da disputa para a PCR e podem protagonizar disputa inédita no Recife