"Grampinho", cujo avô usava a Polícia para grampear ilegalmente desafetos, diz que DEM vai expulsar estelionatário preso em Operação contra Hackers que roubaram mensagens de Moro e outras mil autoridades




O prefeito de Salvador Antônio Carlos Magalhães Neto, que preside o Democratas, divulgou nota em que afirma que seu Partido vai expulsar o correligionário que ficou conhecido como "hacker de Araraquara", após este ser preso sob a suspeita de liderar uma organização criminosa especializada em crimes financeiros cibernéticos e invasão de contas de autoridades em aplicativos de mensagens.

"Grampinho", como é conhecido o presidente do DEM, por ser neto e herdeiro político do ex-senador e ex-governador da Bahia, Antônio Carlos Magalhães, o ACM, que mandava grampear ilegalmente desafetos políticos, lamenta que seu Partido esteja sendo crucificado em razão de atitudes de um dos seus milhares de filiados. Entretanto, o fato é que o hacker do DEM, conhecido por "Vermelho", é filiado há 12 anos ao Partido de ACM Neto, período durante o qual foi processado e condenado por falsidade ideológica e responde a processos por crimes como estelionato, além de postar fotos em redes sociais apontando armas e portanto documento falso para se passar por delegado. Até ser preso pela PF como o hacker que surrupiou as mensagens de pelo menos mil autoridades, juizes e jornalistas, o DEM do "Grampinho" jamais cogitou de expulsá-lo.

Além disso, o DEM tem histórico de usar expedientes espúrios para grampear ilegalmente desafetos. Na sua edição de número 1741, de 12 de fevereiro de 2003, a ISTOÉ denunciou que ACM, o avô do atual presidente do DEM, montara um esquema na Secretaria de Segurança Pública da Bahia para monitorar os telefones de seus desafetos. Entre as vítimas do esquema estavam adversários políticos e pessoas da relação do ex-senador, como o então deputado federal e ex-ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, o deputado do PT Nelson Pellegrino e até uma ex-namorada de ACM, Adriana Barreto. 

ISTOÉ obteve cópia de um dossiê em que transcrições de conversas eram acompanhadas de comentários escritos à mão pelo próprio ACM.

O Ministério Público concluiu que Valdir Barbosa se aproveitou da investigação de um outro caso para inserir os números de telefones que interessavam a ACM. Os números dos adversários do senador eram acrescentados ao pedido de quebra de sigilo e autorizados pela então juíza da Comarca, Tereza Cristina Navarro Ribeiro. Já Alan Farias cuidava da parte técnica: coordenava as operações e monitorava os grampos. Numa das suas ações, Farias pediu a um funcionário da operadora TIM Maxitel que mudasse um dos números monitorados, alegando que a juíza tinha digitado o número errado. Na troca, foi grampeado o celular de Geddel Vieira Lima. Por falta de provas, os procuradores baianos arquivaram as denúncias contra outros seis ex-funcionários da Secretaria de Segurança Pública e da operadora de telefonia.

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