Grampolândia pantaneira pode levar a prisões em massa de promotores, diz juiz do Mato Grosso em áudio



Matéria do Correio Braziliense afirma que teve acesso a um áudio do presidente da Associação Mato-grossense de Magistrados (Amam), Tiago Abreu, onde o juiz matogrossense afirma que investigações sobre supostas irregularidades cometidas por membros do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) no estado pode levar à "primeira prisão em massa de promotores de justiça" do país. A afirmação foi feita em mensagem de aúdio enviada por Abreu a um magistrado de Brasília.

Na mensagem, enviada por celular, Abreu comenta críticas que a senadora Juíza Selma (PSL-MT) fez às investigações sobre o Gaeco estadual. Após chamar a fala da parlamentar de "antiética", Abreu diz que uma "organização criminosa" se instalou no órgão do Ministério Público estadual. 

Abreu se refere a uma investigação que apontou suspeitas de que promotores do Gaeco de Mato Grosso realizaram escutas ilegais para investigar diversas autoridades. O episódio se tornou conhecido como Grampolândia Pantaneira.

"Acredito que, aqui no Mato Grosso, com todo o aparato e a investigação que está ocorrendo, nós vamos desbaratar essa, entre aspas, organização criminosa que se instalou no Gaeco estadual. Porque foi utilizado, e está mais do que comprovado com os depoimentos que já foram colhidos, que foi utilizado o aparato institucional para fazer perseguição política", relata o presidente da Amam no áudio. "Isso aqui está bem próximo de ser descortinado e a gente ter a primeira prisão em massa de promotores de justiça. Até uma forma de a gente dar uma lição para o nosso país", completa. 

Na última segunda-feira (5/8), a senadora Juíza Selma fez um discurso em defesa da Operação Lava-Jato; do ministro da Justiça, Sergio Moro; e do Ministério Público Federal, no qual mencionou a situação em seu estado. Para a senadora, há uma perseguição aos promotores de Mato Grosso semelhante à que estaria ocorrendo, no seu entender, com os participantes da Lava-Jato. 

"No caso da Lava-Jato, vivemos um novo ciclo, no qual os bandidos viraram mocinhos e os mocinhos viraram bandidos", disse (assista abaixo). A parlamentar também criticou a seccional mato-grossense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MT), que, segundo ela, "tem acompanhado e fomentado essa inversão de valores".

A fala de Juíza Selma, que teve as contas de campanha rejeitadas por caixa 2, acabou gerando uma resposta da Amam, que emitiu nota repudiando "todo e qualquer ataque feito ao Poder Judiciário de maneira gratuita e desnecessária" (leia abaixo). Foi ao enviar a nota por celular para um magistrado de Brasília que o presidente da entidade fez a previsão de que promotores podem ser presos em breve.

A esquema de arapongagem qur ficou conhecido com Grampolândia Pantaneira foi denubciado pelo ex-secretário de Segurança Pública Mauro Zaque, no fim de 2015. Ao deixar o governo, ele acusou o então governador, Pedro Taques de ter conhecimento das interceptações ilegais e pediu investigação à Procuradoria-Geral da República.

Ex-procurador da República, Pedro Taques (PSDB) construiu sua carreira política com base no discurso da luta contra a corrupção. Porém, no governo de Mato Grosso, o qual deixou no fim de 2018, passou a violar a lei com objetivos particulares. Segundo policiais, ele instalou um grande esquema ilegal, ou seja, sem autorização judicial, de grampos para perseguir adversários. 

Em audiência de ação que apura crimes militares no esquema de interceptações telefônicas, o ex-secretário da Casa Militar, coronel Evandro Alexandre Ferraz Lesco, afirmou que até o vice-governador de Taques, Carlos Fávaro (PSD), foi grampeado. Segundo ele, a ordem para isso foi dada pelo então chefe da Casa Civil, Paulo Taques - primo do ex-governador.

"O depoimento mostra de forma explícita à sociedade a mediocridade que foi o governo passado, que ao invés de se preocupar em resolver os problemas do estado – que são gigantes – estava preocupado em bisbilhotar a vida das pessoas. É revoltante", afirmou Fávaro ao site MidiaNews.

Já o coronel Zaqueu Barbosa, ex-comandante-geral da Polícia Militar, que é réu no caso das escutas clandestinas, disse que se sentiu usado por Pedro Taques e por parte do Ministério Público estadual no esquema de escutas clandestinas.

Zaqueu contou que, antes das eleições de 2014, Pedro e Paulo Taques foram à sua casa pedir para que ele participasse do esquema de interceptações ilegais. A partir de então, eles tiveram diversas reuniões para tratar do assunto. O policial disse sentir que foi usado pelo ex-governador, relata o MidiaNews.

"Hoje eu sou muito tranqüilo na minha cabeça. Isso é muito claro: eu fui usado. Eu tinha um interesse, e esse interesse foi atendido, que era a purificação da Polícia. Porém, se valeu disso na época o senhor Pedro Taques, porque tinha interesse político. E entendo eu que valeu-se disso também parte do MP, porque a Janaina Riva foi ouvida lá", contou, referindo-se a suposta escuta ilegal feita por promotores no celular da deputada estadual.

Em audiência, o cabo da Polícia Militar Gerson Luiz Corrêa Júnior declarou que tentou fazer uma delação premiada para revelar detalhes dos grampos. Porém, narrou, após acusar integrantes do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) do MP, o procurador de Justiça Domingos Sávio freou as negociações. Ele também atribuiu o comando do esquema ilegal aos primos Taques. "Eu disse que o dono da grampolândia pantaneira não era Lesco, Zaqueu, nem Gerson e muito menos a Polícia Militar, mas Pedro e Paulo Taques."

Corrêa Júnior também ressaltou que havia uma verba secreta do Gaeco, destinada a comprar e usar equipamentos para as gravações clandestinas. Conforme o cabo, promotores usaram esse dinheiro para fins pessoais. "Com dinheiro oriundo da verba secreta do Gaeco, Célio Wilson consertou sua moto, Marcos Regenold comprou cães e Marco Aurélio fez a manutenção de rastreadores de veículos", contou.

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