Policiais da PF elevam críticas a Bolsonaro e não poupam nem Moro

O presidente Jair Bolsonaro e o ministro Sérgio Moro (Justiça) em evento em BrasíliaImagem: Pedro Ladeira - 13.ago.19/Folhapress


Eduardo Militão

Do UOL, em Salvador

22/08/2019 20h11Atualizada em 22/08/2019 20h11


- Quando ele era juiz lá em Curitiba, ele era o Sergio Moro. Agora, ele é o Sergio "Molho".
- "Molho"? Por quê?
- Porque ele é mole.

A discussão foi presenciada pelo UOLem Salvador na tarde desta quinta-feira (22), durante seminário anticorrupção promovido por delegados da Polícia Federal. Um policial do Rio de Janeiro dialoga com um assessor do ministro da Justiça, Sergio Moro, reclamando da falta de firmeza do ex-magistrado diante do presidente Jair Bolsonaro (PSL). O motivo: o fato de Bolsonaro mandar recados de que vai trocar o diretor geral da PF, Maurício Valeixo.




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Para esse delegado do Rio e vários outros com quem a reportagem conversou, o ministro da Justiça deveria se impor e defender a corporação. Uns falam em pedir demissão. Outros sugerem que Moro force ser demitido, exigindo que Bolsonaro vete integralmente o projeto de lei de abuso de autoridade, o que o Planalto não deve fazer.

A escalada do presidente contra a PF começou na semana passada, quando ele disse que o chefe da polícia no Rio, Ricardo Saadi, seria demitido por problemas de "produtividade".

No Rio, estão investigações que atingem a família Bolsonaro, como a Operação Furna da Onça, etapa da Lava Jato que descobriu um esquema de movimentações financeiras suspeitas envolvendo assessores do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ).

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Alguns já apostam na substituição de Valeixo pelo superintendente do Amazonas, Alexandre Saraiva. Ele é próximo de Flávio Bolsonaro, que conheceu na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.

Um delegado que acompanha Saraiva desde sua entrada na corporação o considera "extremamente" competente, principalmente na área do meio ambiente.

No entanto, em meio a uma crise de tentativas de intervenção na polícia, o momento para a troca seria péssimo sinal, na avaliação de policiais.

Essa possível mudança foi criticada abertamente, ainda na manhã de quinta-feira, pelo presidente da Associação Nacional dos Delegados, Edvandir Paiva, e pelo vice-presidente da entidade, Luciano Leiro.

Mais tarde, o coordenador do Simpósio Nacional de Combate à Corrupção, delegado Rony Silva, disse que Valeixo é o "nome certo no momento certo" para ficar "por muitos anos" à frente da PF.

Fora dos microfones e sob condição de anonimato, o presidente da República é chamado de todos os nomes possíveis. Uns preferem dizer apenas que é Bolsonaro é "despreparado" para o cargo. E questionam quem estaria por trás dele para incentivar suas críticas à PF.
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No evento, os policiais batem a todo momento na tecla de aproveitar a crise para apresentar à sociedade duas mudanças na lei para blindar a PF de interferências externas. Uma delas é um PEC para dar autonomia aos policiais, que não poderiam ser removidos de suas funções quando investigarem pessoas poderosas econômica, política ou socialmente.

A outra medida -- arquivada pelo Congresso-- é criar um mandato para o diretor-geral. Isso evitaria trocas como as ventiladas por Bolsonaro agora.

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