Desembargador investigado por venda de habeas corpus no Plantão manda soltar ex-governadores do RJ presos por propina de 25 milhões. Decisão foi durante o Plantão


Não durou nem 24 horas a prisão do casal de ex-governadores do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho e Rosinha Garotinho. Uma liminar concedida pelo desembargador Siro Darlan, do Trinunal de Justiça do Rio de Janeiro, durante o plantão, determinou a soltura imediata do casal, preso ontem em Operação do GAECO do MPRJ, por suspeira de recebimento de 25 milhões de reais em propina paga pela Odebrecht em obra de 1 bilhão de reais na cidade de Campos dos Goyracazes, cidade que foi governada pelos Garotinhos.

Rosinha e Garotinho foram delatados por executivos da Odebrecht e a propina consta nas Planilhas da empreiteira. As delações de Leandro Azevedo e Benedito Junior foram homologada pelo STF. A propina foi paga ao casal durante os dois mandatos de Rosinha à frente da Prefeitura de Campos, no Rio de Janeiro.

O fato curioso vem do desembargador que concedeu a liminar no habeas corpus, o plantonista Siro Darlan, presidente da 7ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.

É que Darlan, que ganhou notoriedade nacional como juiz de menores, é investigado como suspeito de vender sentença no fórum da capital.

De acordo com denúncias publicadas pelo jornal O Globo, o desembargador usava os plantões judiciários para vender habeas corpus e assim, liberar os presos.

Em, pelo menos, dois casos, detentos teriam sido beneficiados por decisões de Darlan. Em um deles, a colaboração premiada foi anexada ao documento. Um delator contou à Justiça que ouviu de um preso ter pago R$ 50 mil a um intermediário do magistrado, conta o Globo.

A negociação teria sido feita em favor de Ricardo Abud, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Resende. Abud foi preso em 2015, acusado de praticar irregularidades na Câmara dos Vereadores de Niterói.

O outro caso apurado no inquérito é do preso Samyr Jorge João David, que teve a prisão decretada em junho de 2016 por tentativa de latrocínio (roubo seguido de morte), roubo e interceptação. Dois pedidos de habeas corpus teriam sido direcionados pelo advogado Hugo Sant'anna Onofre para o plantão de Siro Darlan.

Samyr foi solto, mas em outubro ele teve a prisão restabelecida pelo desembargador-relator, Flávio Marcelo de Azevedo Horta Fernandes.

Fernandes destacou que os pedidos do advogado do réu foram direcionados ao plantão de Darlan.

Numa interceptção telefônica autorizada, o advogado de Samyr - que em 2001 já respondeu pelo roubo de uma motocicleta - foi flagrado em conversa com Luís Soares, ex-motorista de Darlan.

O desembargador falou sobre as acusações durante a eleição para a presidência do tribunal. Siro Darlan disse que o sigilo bancário está aberto e não tem nada a temer em relação ao patrimônio.

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