"Lá no apartamento de Fernandinho...ali eu tenho acesso, toda hora, todo instante". Leia trechos da degravação da conversa entre agiota do jatinho e operador dos Bezerra Coelho revelada em primeira mão pelo Blog



Conforme o Blog da Noelia Brito já havia revelado, em primeira mão, o agiota João Carlos Lyra, conhecido como líder da organização criminosa que por meio da prática da agiotagem e da lavagem de dinheiro, emprestava recursos a políticos de vários Estados, em especial de Pernambuco, gravou pelo menos uma das conversas que teve com o operador de propinas da família Bezerra Coelho, Iran Padilha. A revelação levou pânico a diversos políticos e operadores que costumeiramente utilizavam a organização criminosa chefiada por Lyra para obtenção de recursos espúrios para o custeio de campanhas eleitorais e enriquecimento pessoal. Os pagamentos dos empréstimos eram feitos por meio da cobrança de propina a empreiteiras. A  revelação gerou o receio, na classe política, de que o delator também tivesse gravado outros acertos e tivesse realizado a entrega à Polícia Federal, à exemplo do que fez com operador dos Coelho, das respectivas gravações.

A gravação é citada na decisão do ministro Roberto Barroso e na representação criminal da Polícia Federal que desencadearam a Operação Desintegração, que resultou nas buscas e apreensões em endereços do pai senador e do filho deputado federal, ambos ex-ministros de Estado.

Além da citação à possibilidade de ser utilizada a Prefeitura de Petrolina, governada por um dos filhos de Fernando Bezerra Coelho, Miguel Coelho, para o pagamento dos empréstimos feitos pelo pai para custeio das campanhas eleitorais da família, já revelada aqui mesmo no Blog (confira em FBC poderia utilizar a Prefeitura de Petrolina para quitação da dívida, disse operador do prefeito a agiotas, em gravações entregues à PF). A menção à Prefeitura de Petrolina ocorre após João Carlos Lyra afirmar a Iran Padilha que o pagamento dos empréstimos poderia ser feito em carros: "Se o senhor quiser me dar isso em carro, não tem problema pra mim não, (pra MARCIO?) É ruim pra ele?" Iran Padilha então aponta meios pelos quais o pagamento poderia ser feito: "Então, isso aqui eles vão desmobilizar. Não tinha, não fizeram porque não tinha meio, se ele disser, você é testemunha disso, testemunha. Hoje ele já tem um meio, entendeu:...Petrolina, entendeu? Hoje tem um meio, você sabe disso, então veja, não foi feito não foi por sacanagem não."

A pretensão de Fernando Bezerra Coelho se utilizar da Prefeitura de Petrolina para pagar suas próprias dívidas e de seus filhos com agiotas é destacada tanto do Termo de Colaboração Premiada firmado por João Carlos Lyra, que foi corroborado pela gravação da conversa com o operador Iran Padilha, quanto na Representação Criminal da Polícia Federal que desencadeou a Operação Desintegração. As delegadas que subscrevem a representação criminal: "Primeiro, um momento em que IRAN PADILHA indica que FERNANDO BEZERRA COELHO poderia utilizar a Prefeitura de Petrolina para quitação da dívida, uma vez que o filho deste - MIGUEL DE SOUZA LEÃO COELHO - teria sido eleito em 2016 para o cargo de Prefeito daquele Município".



Chama atenção outro trecho da conversa em que o agiota João Carlos Lyra, também conhecido como "laranja do jatinho", afirma ter livre acesso ao apartamento de Fernando Filho, a quem trata por "Fernandinho". No trecho periciado e degravado pela Polícia Federal, João Carlos Lyra demonstra receio de realizar as operações em dinheiro no local indicado por Iran Padilha em São Paulo e sugere que os pagamentos fossem feitos no apartamento de Fernando Filho:

TRANSCRIÇÃO DE ÁUDIO:
[JOÃO CARLOS] Deixa eu perguntar uma coisa pro senhor: o senhor acha que São Paulo não é arriscado não?
[IRAN PADILHA] Rapaz eu não acho não. Não é que eu queira nada de armação num negócio desses não. Isso aí pode, isso aí eu boto minha mão no fogo...no fundo, no fundo, eles querem alinhar uma conversa com você.
[JOÃO CARLOS] Certo, mas eu só fico com receio em São Paulo e o empresarial o cabra ter que registrar. Num sei que lá, tê, tê, tê. Como seria isso? Deixar registro em Portaria. Não tem nenhuma fazenda ou um lugar pra gente ir, não?
[IRAN PADILHA] A gente pode, pode viabilizar um lugar.
[JOÃO CARLOS] Um interior desse aqui...
[IRAN PADILHA] Voltar a falar mas e se "nublar"?
[JOÃO CARLOS] Mas lá aonde?
[IRAN PADILHA] Brasília não pode ser não?
[JOÃO CARLOS] Lá no apartamento de Fernandinho...ali eu tenho acesso, toda hora, todo instante. Veja, eu estou querendo o melhor pra mim, o melhor pra o senhor.
...




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