Primo de delator da Turbulência é apontado como líder de ORCRIM especializada em roubos de combustíveis, interceptação, sonegação e lavagem de capitais. O empresário está foragido



Em entrevista coletiva concedida na manhã de hoje, o Ministério Público de Pernambuco, a Polícia Civil e a Secretaria da Fazenda do Estado revelaram detalhes da Operação Reditus, deflagrada ontem para desarticular uma organização criminosa suspeita de praticar receptação de carga roubada (combustíveis), sonegação fiscal e lavagem de capitais por meio de laranjas. Há suspeitas de que os roubos de cargas seriam encomendados pelos membros da organização criminosa de empresários e "laranjas" e de que até homicídios tenham sido praticados para proteger o esquema criminoso, na chamada "queima de arquivos".

Foto: MPPE
Ao todo foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão nos postos de combustíveis e nas residências dos investigados. Em um dos endereços, foram apreendidos R$ 70 mil em espécie, havendo indícios de que a origem dos recursos seja do esquema criminoso investigado.

As autoridades revelaram que o fio da meada foi o posto de gasolina da bandeira Federal, na avenida Carlos Gueiros Leite, onde teria se originado o esquema. O posto, segundo os investigadores, permanecia fechado e só abria para comercializar o combustível roubado, em dinheiro e sem emissão de notas fiscais. Apenas nesse posto, a SEFAZ apurou sonegação superior a R$ 7 milhões.

A partir das atividades suspeitas do posto Oliveira & Pereira, no Janga, os investigadores chegaram aos demais integrantes do esquema e à liderança da organização criminosa, atribuída a Fernando Pessoa de Mello Neto, que está foragido. O empresário é primo do também empresário João Carlos Lyra Pessoa de Mello, que foi preso pela Operação Turbulência, da Polícia Federal, que investigou esquema de lavagem de mais de R$ 600 milhões oriundos de propinas pagas por construtoras a agentes públicos e políticos em vários Estados do Nordeste, em especial, em Pernambuco. João Carlos Lyra fez delação premiada. Além de Fernando Pessoa, um irmão de João Carlos Lyra também foi alvo da operação. Trata-se de João Paulo Lyra Pessoa de Mello Neto, que já tem uma condenação por homicídio ocorrida em 2011. Ivanoel Pereira da Silva, Iraquitan  José de Oliveira Correia, Tarcisio Ferreira Dornellas Câmara, que já responde pelo crime de receptação de carga roubada, na Comarca de Jaboatão, também foram alvos de mandados de prisão. Além do líder da organização criminosa, outros dois alvos permanecem foragidos.

Um fato que chama atenção é que um dos comércios também usados pelos alvos da Operação Turbulência, que teve como pivô o empresário João Carlos Lyra, para lavagem de capitais eram, por coincidência, os postos de combustíveis. Entretanto, não há, por hora, segundo os investigadores, indícios de que os crimes objeto da Operação Turbulência e da Operação de ontem, chamada de Reditus, tenham qualquer conexão.

A coletiva contou com a participação dos promotores de Justiça do GAECO, Frederico Vasconcelo (coordenador) e Sérgio Tenório, do Chefe da Polícia Civil, delegado Joselito Kehler e dos representantes da Polícia Militar,Tenente Coronel Cleto e da Secretaria da Fazenda, Anderson Freire.

No total, seis postos de gasolina foram alvos da Operação, sendo um no Bairro de Afogados, no Recife, dois em Jaboatão, um em Paulista e um no Cabo de Santo Agostinho e um em Olinda, cujo nome não foi revelado: Posto A & P (Jaboatão), Posto Oliveira & Pereira, no Janga (Paulista), Posto Xavier e a Loja de Conveniência desse Posto, Posto Arrows (Afogados), Posto Luzes (Jaboatão).

O Chefe de Polícia, Joselito Kehler revelou que as investigações prosseguirão sob o comando do DRACO e do Depatri.

Por sua vez, o GAECO informou que o combate à sonegação integra um dos eixos estratégicos o MPPE, estabelecidos pelo Procurador Geral de Justiça, Dr. Dirceu Barros, para o ano de 2020




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