PT e PDT vivem dilema entre cargos nos governos do PSB e candidatutas próprias


ANÁLISE

O PT e o PDT vivenciam situações análogas com relação à sucessão do Prefeito Geraldo Julio, do PSB: ambos ensaiam candidaturas próprias à Prefeitura do Recife, enquanto mantém cargos no primeiro escalão nas gestões de Geraldo Julio e de Paulo Câmara.

Tanto Tulio Gadelha, pelo PDT, quanto Marilia Arraes pelo PT, receberam sinalizações positivas dos principais caciques nacuonais de seus Partidos, mas não encontram o mesmo respaldo junto às direções estadual e municipal.

Em entrevista ao UOL, na semana passada, Lula declarou que seria favorável a uma candidatura própria do PT no Recife. O mesmo tipo de declaração foi dada por Lupi ao Jornal do Commercio hoje, com relação à postulação de Gadelha. Os dois sustentaram a importância dessas candidaturas próprias para projeção nacional de seus Partidos.

A resistência dos comandos locais do PT e do PDT, ao desatrelamento dessas legendas ao projeto de poder do PSB, no Estado e na Capital encontra suporte nos cargos comissionados ocupados por esses Partidos, os quais o próprio Humberto Costa, principal opositor da candidatura própria petista, dentro do PT, já afirmou que teriam que ser devolvidos.

Apesar da reunião de logo mais, dos petistas pernambucanos com Lula, agendada para definir se haverá ou não a candidatira própria, não será surpresa de a decisão ficar para depois, afinal, não é de hoje que o PT tem usado a tese de candidaruras próprias para fazer barganha por mais e mais espaços dentro do governo.

Por outro lado, tem sido aventada a hipótese de que a candidatura própria petista interessaria ao próprio PSB, a exemplo do que ocorreu na eleição passada, quando Geraldo Julio derrotou o hoje aliado, João Paulo, num segundo turno onde as duas candidaturas, apontadas como do campo à esquerda, conseguiram excluir os candidatos de centro direita da disputa. A fala de Lula de que no segundo turno o PT apoiaria o PSB só aumentou essas suspeitas.

O resto da história todo mundo já sabe, João Paulo fez um segundo turno apenas para cumprir tabela e logo em seguida virou o maior defensor de ninguém menos do que o próprio Geraldo Julio.

Para evitar a repetição da inteligente artimanha montada em 2016, pelo Consórcio PT/PSB, que juntos governam o Recife desde 2000, partidos da direita e do Centro têm analisado a possibilidade de unirem suas forças em torno de um nome só, mas o problema é que todos se acham o "nome" da vez.

O fato é que ainda demoraremos um pouco para saber, realmente, quem serão os candidatos ou candidatas no Recife.


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