Resistência local de dirigentes partidários enfraquece postulaçôes de seus pré-candidatos no Recife



Pelo menos três pré-candidaturas postas na mesa para a sucessão de Geraldo Julio sofrem com a resistência de seus próprios Partidos.

Não é novidade para ninguém que a deputada federal Marília Arraes convive, desde que se colocou para disputar o governo de Pernambuco, com a resistência da maioria esmagadora dos dirigentes locais do PT, a seu nome, para disputas majoritárias. Declarações elogiosas às gestões do PSB, por líderes petistas, que inclusive ocupam cargos nessas gestões, são um entrave maior à construção de um discurso de oposição pela petista do que o próprio governo que pretende suceder, afinal, na hipótese de uma vitoria de Marília Arraes quem assumirá o governo junto com ela, serão seus colegas do PT que hoje soltam loas para o governo Geraldo Julio. Que mudança o PT estará propondo para algo que o próprio Partido integra e elogia?

Com a pré-candidatura de Tulio Gadelha, pelo PDT, não é diferente. Em visita a Pernambuco, cuja finalidade seria, supostamente, fortalecer a pré-candidatura própria de seu Partido, o presidente do PDT, Carlos Lupi, fez rasgados elogios a Paulo Câmara e a Geraldo Julio, ao mesmo tempo em que incensou o pré-candidato do PSB, João Campos. A situação no PDT é ainda mais bisonha do que a do PT, onde pelo menos o líder máximo do Partido, o senador Humberto Costa, afirma que se o PT tiver candidatura própria no Recife, rompendo a atual aliança que mantém com o PSB, os cargos ocupados terão que ser devolvidos. Nem isso o PDT está disposto a fazer. Segundo Lupi, Túlio Gadelha será candidato, mas o PDT não devolverá os cargos ocupados no governo do qual se colocará como oposição. A questão que se põe ao PDT é a mesma que se impõe ao PT, se consideram os governos do PSB tão bons por que mudar?

A pré-candidatura da delegada Patrícia Domingos, pelo Podemos, não encontra cenário mais fácil do que o dos seus concorrentes à esquerda. A exemplo de Marilia Arraes e de Tulio Gadelha, a delegada até conta com o apoio e o entusiasmo de lideranças nacionais de seu Partido, mas as recentes declarações do presidente estadual do Podemos, Ricardo Teobaldo, não disfarçam a contrariedade do deputado de ter que engolir uma candidatuta que veio de cima para baixo e que não foi acertada com seu comandante político no Estado, nem com seu grupo, que todos sabem ter como líder o senador Armando Monteiro.

Antes cortejada por nomes da oposição de centro-direita e de direita, que sonhavam em tê-la como vice, mas jamais numa cabeça de chapa, que pretendem para si mesmos, outros pré-candidatos como Daniel Coelho, do Cidadania e Mendonça Filho, do DEM, já se mostram mais comedidos nos elogios à provável concorrente e endossam a fala do presidente do Podemos de que ela, Patrícia, terá que se inserir na discussão junto à oposição, na escolha de um único nome para unificar essa oposição e esse nome, dificilmente, será o dela, que não conta com a preferência nem do presidente do próprio Partido que chegou a declarar que se não tiver o controle do processo eleitoral do Podemos preferirá deixar a legenda e isso significaria não apenas a saída de Ricardo Teobaldo que não fala apenas por ele, mas do grupo comandado pelo ex-senador Armando Monteiro que quer se queira ou não esteve a ponto de ir ao segundo turno com Paulo Câmara de modo que no campo da oposição não é uma força desprezivel.

A delegada vive, localmente, a mesma desconfiança da classe política que seu ídolo, Sergio Moro, desperta no cenário nacional. Afinal, ambos ganharam notoriedade e só existem politicamente por,  ironicamente, colocarem políticos da prisão. Dificil crer que a mesma classe política que foi alvo da delegada deposite nela confiança tal a ponto de lhe entregar, de bandeja, o comando de uma Capital como Recife, estratégica não apenas para a sucessão do governador Paulo Câmara, mas ainda para a sucessão de Bolsonaro, ele mesmo um politico profissional cujo familhismo tão criticado no PSB fez da politica o meio de vida de quase todos os seus filhos. 

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