Justiça diz que greves de policiais e professores são ilegais em Pernambuco, mas silencia sobre descumprimento da Lei do Piso por Geraldo Julio. Será que só quem tem direito a retroativos são juizes e desembargadores?



Duas decisões da Justiça pernambucana trouxerem revezes para os movimentos paredistas de policiais civis do Estado e professores da rede municipal da Capital pernambucana

Com relação aos policiais civis, o sindicato da categoria alega que o governo Paulo Câmara descumpriu acordo feito antes do Carnaval, para evitar paralisação das atividades policiais no período momino, garantindo que atenderia e negociaria com os policiais, que pedem melhorias salariais - Pernambuco é um dos Estados que pagam as piores remunerações a seus policiais - e condições de trabalho. Apesar do estardalhaço midiático do governo, proliferam denúncias de que nas delegaciasz até o papel tem que ser comprado por cotas feitas entre os próprios policiais. E quem denuncia ainda é alvo de perseguições por meio de procedimentos administrativos por motivos os mais insólitos.

No que se refere aos professores da rede municipal, chama atenção a nota da Prefeitura do Recife enviada a alguns veículos de comunicação (ao nosso Blog não enviaram, o que é estranho. Talvez, o boicote praticado pelas gestões Geraldo Julio e Paulo Câmara decorra do fato de que nossa politica editorial determina que mentiras devem ser desmascaradas).

Na nota, a Prefeitura mente sem nenhum pudor ao afirmar que foi surpreendida pela greve dos professores, já que teria oferecido reajuste de mais de 12,84% aos professores. O fato é que esse reajuste é previsto na Lei Nacional do Piso e já deveria estar sendo pago desde janeiro pela Prefeitura, a exemplo do que tem sido feito por diversas prefeituras do interior e de capitais como Fortaleza, por exemplo.

Provamos a mentira com ofício assinado pelo próprio Secretário de Educação da PCR:



Mesmo dispondo de R$ 38 milhões para torrar em um único prédio, numa desapropriação que segue suspensa por decisão da Justiça Federal, por suspeita de superfaturamento, por incrível que pareça, a gestão Geraldo Julio decidiu se apropriar do dinheiro dos professores, resolvendo que só pagaria a partir de dezembro de 2020, um reajuste que, por lei, é devido a partir de janeiro deste ano. Disse que vai pagar, mas parcelado e sem retroativos.

Com essa atitude, a gestão Geraldo Julio tem se apropriado todos os anos de valores salariais devidos aos professores. Pois só reajusta em dezembro e sem retroativos  o piso que deveria ter sido reajustado em janeiro  gerando uma defasagem vergonhosa e insolúvel, já que em janeiro de 2021 haverá novo reajuste do piso que obviamente não será pago de imediato, mas empurrado para o final do ano, gerando uma espécie de bola de neve sem solução.

Ora, será que o tal prédio será pago com o dinheiro dos professores? A Justiça pernambucana que costuma ser bastante generosa consigo mesma, quando distribui pagamentos retroativos, bem que poderia refletir sobre isso.

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