Policiais Civis denunciam que governo de Pernambuco não fornece equipamentos de proteção e condições de higiene para categoria atender o público


Foto: Divulgação 

Quatro entidades que representam milhares de policiais civis em Pernambuco informam, nesta quarta (18), que o efetivo é vítima de omissão com relação às medidas anunciadas pelo Governo Estadual para conter a transmissão comunitária do coronavírus. O motivo é a falta de higiene nas Delegacias e o não fornecimento de máscaras, álcool gel, luvas e sabão necessários para atender o público e controlar a pandemia. Entre os servidores, há um grupo de risco formado por policiais civis maiores de 60 anos de idade, grávidas e portadores de doenças graves. De acordo com o presidente da Associação dos Delegados de Polícia de Pernambuco (Adeppe), Bruno Bezerra, caso a situação não seja corrigida, a Vigilância Sanitária e a Delegacia do Trabalho poderão ser acionadas para solucionar a insalubridade nas unidades. Em comunicado dirigido aos peritos papiloscopitas, o presidente da Associação dos Peritos Papiloscopistas Policiais Civis de Pernambuco (Asppape), Carlos Eduardo Maia, afirma que “acompanhará diuturnamente todas as medidas publicadas” e enfatiza que “não economizará esforços havendo a necessidade de intervenção do Ministério Público ou demanda judicial.”

O presidente da Asppape também pede que o Governo “reveja suas medidas recentemente publicadas, atualmente na contramão daquelas estabelecidas pelo Governo Federal, Poder Judiciário de Pernambuco, Ministério Público de Pernambuco e muitas prefeituras no Estado de Pernambuco (Ex: Prefeitura da Cidade do Recife)”. O presidente da União dos Escrivães de Polícia de Pernambuco (Uneppe), Marcos Rodrigues, solicita a “suspensão de todos os procedimentos cartorários que não sejam de urgência. Ficando apenas os de flagrante delito”. O pedido de revisão das medidas de prevenção é reforçado pelo presidente da Associação dos Comissários de Polícia Civil de Pernambuco (ACOMP/PE), George Fernandes Ribeiro Neto.

Falta d’água em Delegacias

Segundo o presidente da Adeppe, a negligência do Governo Estadual “põe em risco os policiais e toda a população, uma vez que o vírus é altamente contagioso e muitas Delegacias não oferecem condições mínimas de higiene, sendo comum faltar água por até três dias”. “O Governo foi omisso em relação ao grupo de risco. Até o momento, não foram distribuídos álcool em gel, máscaras, luvas e sabão líquido. Como será possível adotar medidas de higiene se esses itens não foram oferecidos?”, questionou Bezerra.

Recomendações para grupo de risco

Com o objetivo de ajudar na prevenção e controle do coronavírus, a Adeppe emitiu uma série de recomendações para a categoria. As medidas abrangem, entre outros pontos, que delegadas e delegados maiores de 60 anos de idade, grávidas e portadores de doenças graves solicitem ao superior imediato dispensa ao trabalho e que lhe seja concedido o desempenho das funções em regime de home office.



Também foi recomendado que seja solicitado à gestão da Polícia Civil de Pernambuco o “imediato incremento de limpeza em todas as delegacias do Estado”, a “disponibilização de álcool em gel (70%), máscaras, luvas e sabão líquido”, e “a limitação de atendimento nas Delegacias a casos urgentes, a critério do delegado de Polícia”. A Adeppe informa que, todos os dias, as Delegacias de Polícia do Estado atendem milhares de pessoas, além dos milhares de policiais que trabalham em escalas ordinárias e de plantão no Estado. A Associação enfatiza que as medidas anunciadas até o momento pela gestão estadual são insuficientes para a contenção do vírus.

O Blog entrou em contato com a assessoria da Polícia Civil de Pernambuco, mas até o momento da publicação desta matéria não houve retorno.

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