Laboratório da UFPE se oferece para executar testes do coronavírus mas é ignorado por autoridades, revela o JC

Antonio Carlos de Freitas é chefe Laboratório de Estudos Moleculares e Terapia Experimental (LEMTE) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE

Matéria de Maria Lígia Barros para o Jornal do Commercio revela que o Laboratório de Estudos Moleculares e Terapia Experimental (LEMTE) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) ofereceu aos governos estadual e federal sua infraestrutura para executar testes para o coronavírus, mas até agora não teve retorno. Segundono JC, o campus possui a maior parte do equipamento necessário e a mão de obra qualificada para rodar os kit diagnósticos. A informação foi repassada ao Portal pelo chefe do LEMTE, Antonio Carlos de Freitas.

De acordo com o pesquisador, vários laboratórios da instituição colocaram à disposição as máquinas capazes de fazer a testagem em tempo real. A técnica, chamada RT-PCR, é utilizada para identificar o coronavírus no Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen) de Pernambuco, onde são realizados os diagnósticos no Estado que poderia ser desafogado com a ajuda da UFPE.

Pernambuco é um dos Estados onde há grande subnotificação, justamente em razão da baixa testagem, levando a uma desproporção entre os dados sobre infectados e óbitos, que chega a apresentar uma taxa de letalidade mais de dez vezes superior à taxa nacional, conforme vem sendo apontado frequentemente pelo Blog da Noelia Brito.

As subnotificações foram destacadas pelo pesquisador da UFPE ao JC: “(O apoio dos laboratórios) iria aumentar a possibilidade de emitir os diagnósticos. É bem provável que, devido às dificuldades em efetuá-los, tenhamos uma subnotificação dos casos. A demora para determinar ou não se é covid-19 influencia nos números que são divulgados diariamente. Se você consegue melhorar isso, vai haver uma triagem melhor em Pernambuco e isso pode dar um cenário real para o governo estadual tomar medidas mais certeiras”.

Para Freitas "a utilização da estrutura das federais seria mais viável que comprar novos aparelhos, montar um laboratório e capacitar a mão de obra", disse o JC.. 

O coordenador entregou há cerca de doze dias o orçamento para a operação no LEMTE. "O que a gente pode contribuir para o Estado é o fato de já termos equipamento e pessoal treinado. Precisa dos insumos para iniciar a rodar", disse. O cálculo inicial define um investimento de R$ 250 mil para o laboratório.

A proposta foi encaminhada ao Governo de Pernambuco, ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (Mctic) e ao Ministério da Educação (MEC). A reportagem do JC entrou em contato com os governos mas, até o momento da publicação, não recebeu resposta. 


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