"Tem bolsista passando fome", denunciam alunos da UFPE que ainda questionam o destino dos recursos do Restaurante Universitário que está fechado. Procurada pelo Blog, UFPE silencia

Restaurante Universitário da UFPE antes de seu fechamento em razão da pandemia (Foto: Leia Já)

"O dinheiro destinado ao restaurante universitário continua chegando e por que para chegar aos bolsistas ele nao existe? Ele nao chega?", questiona bolsista.

Estudantes da UFPE, que gozam de isenção para utilização do Restaurante Universitário - que se encontra fechado em razão da pandemia do novo coronavírus -, denunciam que estariam passando fome porque apenas uma pequena parte desses estudantes, que têm que comprovar sua hipossuficiência financeira, a cada dois anos, estariam sendo beneficiados com o auxílio emergencial Covid-19.

De acordo com os relatos de alunos, ao Blog, a UFPE é responsavel pela alimentacao dos estudantes carentes e recebe, inclusive, recursos do MEC para custeio dessa alimentação. 

Como os alunos da Faculdade de Direito do Recife não dispõem de um Restaurante Universitário, a estes é destinado um auxilio de aproximadamente 270 reais. Durante esse periodo de pandemia, os estudantes da FDR continuam recebendo suas bolsas alimentacao, entretanto, segundo relatos, os estudantes do campus da Cidade Universitária estariam jogados à própria sorte, com a limitação do auxilio apenas aos alunos das casas de estudante.

De acordo com os relatos dos estudantes prejudicados, que são bolsistas da assistência estudantil, a maioria dos bolsistas estariam sem receber nem um centavo pra ajudar na alimentação durante esse periodo da pandemia.

"Somos bolsistas, atestamos nossa pobreza a cada 2 anos, nos humilhamos para receber uma bolsa de 300/400 reais pra pagar tudo e contamos com o restaurante universitario para nossa alimentacao. A UFPE já disponivilizou o pagamento para os estudantes das casas de estudantes universitárias, mas os outros bolsistas não tem direito por qué? Se todos tinham acesso ao restaurante universitario, se todos os bolsistas que se alimentavam geravam um custo, cadê esse dinheiro? Por que nao chega pra nós? Estamos passando fome. Muitas familias desempregadas no momento, de férias coletivas, sem receber e a UFPE mais uma vez nos abandona", desabafou uma das bolsistas prejudicadas com o fechamento do RU, ao Blog.

"O dinheiro destinado ao restaurante universitário continua chegando e por que para chegar aos bolsistas ele nao existe? Ele nao chega?", questiona bolsista.

"Tem bolsista passando fome!"

"Tem bolsista passando fome! São bolsistas do programa de assistência estudantil. Os bolsistas são divididos em niveis sócio-econômicos. São estudantes que moram na Regiao Metropolitana do Recife e precisam dessa ajuda",  relata uma bolsista.

Os bolsistas "nível" - como são chamados os bolsistas da assistência estudantil - não têm direito à moradia nas casas do estudante, pois estas são prioritárias para estudantes do interior. A bolsa destinada à assistência estudantil é dividida em 4 niveis de acordo com a renda comprovada e análise feita pelos assistentes sociais.

A maioria dos bolsistas são do nivel 3 e 4 em que recebm respectivamente 300 e 400 reais. Os estudantes das casas do estudante, por serem de interior do Estado, recebem 600 reais, recebem a moradia na UFPE e a alimentacao integral no RU, alimentação esta que inclui café da manhã e lanche da noite,  além do almoço e do jantar. Enquanto os bolsistas "níveis" têm direito a almoço e jantar, apenas. Por sua vez, os bolsistas da FDR recebem, além da bolsa, vale alimentação e um auxílio transporte e todos estao em vigor mesmo sem aulas, o que é correto.

O problema não estaria restrito ao Campus do Recife, mas também estaria prejudicado os alunos do Campus de Caruaru.

Os estudantes chegaram a fazer um abaixo-assinado e p DCE da UFPE chegou a encaminhar uma Nota à Reitoria, pedindo providências para que todos os alunos necessitados fossem atendidos e não apenas os da FDR e aqueles da Residência Universitária.

"A Reitoria se nega a atender um direito básico de manutenção de um direito fundamental: a alimentação. E continua servindo quentinhas que, além de não ter higiene nenhuma no transporte, muitas vezes vem estragada, principalmente a do jantar. Oferecer quentinhas e não viabilizar o auxílio emergencial COVID-19 para todos os isentos dos RUs é expor os estudantes ao risco de contaminação pelo vírus ao obrigar que estes precisem sair para garantir alimentação, relatou outro estudante ao Blog.

Nota do DCE-UFPE acusou a Reitoria da UFPE de desrespeitar os estudantes, ao limitar a abertura de auxílio emergencial COVID-19 apenas para uma pequena parcela dos estudantes que dependem da assistência estudantil, no valor de 274 reais. 

Segundo a nota, um processo foi aberto no SIPAC, mas para colocar que apenas estudantes do auxílio-moradia e residentes das Casas do Estudante (CEUs) dos três campi da UFPE terão acesso ao Auxílio Emergencial COVID-19, o que totaliza o número de 784 estudantes. Um número irrisório, segundo o DCE, comparado aos 5934 bolsistas nos três campi da UFPE, dos quais 3540 são bolsistas no Recife, 1660 são bolsistas no CAA e 734 são bolsistas no CAV. 

A nota aponta que apenas 13% dos estudantes eatariam sendo contemplados da Assistência Estudantil, desconsiderando os mais de 1800 isentos que possuem acesso ao Restaurante Universitário da UFPE, por não terem conseguido as bolsas, mas que também estão em condição de vulnerabilidade social.

O DCE chegou a chamar de  "inconsequente e insustentável" a medida.

A Nota, ainda, aponta que "apesar da Universidade vender sempre uma imagem de que o orçamento é o maior complicador na hora de disponibilizar ressarcimentos e compreendermos que o condicionamento do orçamento PNAES da UFPE em 41,61% para nova aprovação do Congresso Nacional (3), devemos lembrar que a partir de 16 de abril, o contrato com a empresa Verde Mar do RU/UFPE estará encerrado, onde o valor médio mensal atual de 400 mil reais (4) deveria ser utilizado integralmente para esse ressarcimento. É importante ressaltar que, com a nova licitação para o RU/UFPE, o valor anual do investimento no Restaurante Universitário passará de R$ 4.800.000,00 para R$ 5.993.064,00 (R$ 17.979.192,00 durante os três anos de licitação), conforme listado no Compras.NET (5) , o que irá estabelecer que a Universidade separe cerca de 500 mil reais mensalmente para o RU. Contudo, o que vimos é um auxílio que, mensalmente, utilizará o valor mensal do recurso financeiro da Universidade em 784 estudantes x 274 reais, resultando o valor de R$ 214.816,00, o que seria algo em torno de 52% do que é investido no RU com a empresa Verde Mar e, em torno de 42% do que seria investido se já estivéssemos com a empresa J M C Refeições Coletivas, ganhadora da licitação do RU/UFPE. Ou seja, não podemos deixar de colocar que de forma alguma o orçamento é uma justificativa para não viabilizar o ressarcimento para todas e todos. Ainda dentro da temática de orçamento, ressaltamos que, com a suspensão das atividades acadêmicas e fechamento dos prédios, as despesas de custeio com água, energia, telefone, serviços de impressão e uso de demais recursos com certeza foram reduzidas de forma que o valor economizado poderia suprir qualquer excedente no ressarcimento, caso houvesse. É decepcionante como desconsideram o abaixo-assinado de isentos do RU, onde pedimos o ressarcimento dos dias que o RU passará fechado, garantindo assim a segurança e o resguardo de todas e todos. Nesse documento, pedíamos que atendessem as/os estudantes isentas/os de acordo a frequência de uso do RU, colocamos em debate uma série de critérios como proposta, pensamos coletivamente também no contexto orçamentário e outros elementos. Este processo, de número 23076.013305/2020-23 no SIPAC/UFPE, não foi respondido, onde sequer consideraram que o proposto no documento atenderia de cerca de 2000 estudantes (em detrimento da frequência estipulada de estudantes que utilizam o RU/UFPE) e que, ao valor de 274 reais, corresponderia ao uso de R$ 548.000,00, valor que se enquadra dentro da margem de orçamento da Universidade."

Ainda ontem questionamos em nossas Redes Sociais o porquê dessa postura da UFPE, reportando-nos as denúncias que recebemos, denúncias estas que também teriam sido encaminhadas a diversos órgãos de imprensa. Além disso, enviamos ainda pela manhã, questionamentos à Assessoria de comunicação da UFPE, sobre as razões dessa discriminação, sobre a destinação dos recursos que não estão sendo gastos com a empresa gestora do RU e qual a posição da Universidade diante de tão graves denúncias. Até a conclusão desta matéria e apesar da repercussão do caso, a Universidade não se manifestou.

Recebemos ainda a informação de que após se reunir com a direção do DCE, a UFPE teria decidido aumentar em 500 o número de bolsistas que receberiam o auxilio Covid-19, o que permanece bem abaixo do número de pessoas que estão passando necessidade por causa do fechamento do RU. 

Após o anúncio de que a UFPE iria aumentar em 500 o número de alunos beneficiários, bolsistas continuaram questionando o porquê de apenas uma porcentagem ínfima estar sendo contemplada. Vejam o print abaixo, do qual cobrimos os nomes e telefones dos alunos, para preservá-los de eventuais perseguições.




Lembramos à UFPE, nos questionamentos encaminhados a sua asseasoria e até agora sem resposta, que prefeituras e até o governo de Pernambuco estão fazendo esforços e distribuindo cestas básicas e até cartão alimentação, a todos os alunos que ficariam sem a merenda escolar em razão  do fechamento das escolas, durante a pandemia. Lamentavelmente, a mesma postura não está sendo adotada pela Universidade e, pior, sem dar as necessárias explicações sobre o destino dos recursos que deveriam estar sendo gastos com a alimentacão de seus alunos, muitos dos quais estão passando fome, segundo seus próprios relatos.


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