Governo de Pernambuco comprou hidroxicloroquina para tratamento da Covid-19. Hospital Português exclui medicamento do protocolo para a doença


Vários áudios que circulam em grupos de WhatsAPP, atribuídos a médicos que atuariam na linha de frente do combate à pandemia de Covid-19, na rede pública de Pernambuco, queixando-se da falta de oferta, nessa rede, de medicamentos que estariam sendo utilizados pela rede privada, a exemplo do polêmico Sulfato de Hidroxicloroquina, da Ivermectina e da Azitromicina, fizeram surgir acusações, oriundas da oposição bolsonarista ao governador Paulo Câmara, de que este estaria politizando o combate à pandemia ao não adquirir o Sulfato de Hidroxicloroquina por este ser "receitado" pelo presidente Bolsonaro. 

A polêmica, em si, já beira o absurdo, já que não cabe ao presidente, que não é médico, sair por aí recomendando este ou aquele medicamento, da mesma forma que não cabe ao governador vetar eventual prescrição, porque também não é médico. Em nota, ontem, o governador, que testou positivo para o vírus, afirmou que quanto à Cloroquina e hidroxicloroquina, o Governo de Pernambuco segue as recomendações do próprio Ministério da Saúde que recomenda o uso do medicamento apenas em casos graves da doença

Apesar da polêmica criada pela oposição, a verdade é que a Secretaria de Saúde de Pernambuco comprou a medicação hidroxicloroquina para disponibilizá-la na rede pública.

A compra foi de 86.400 comprimidos de 400mg, ao custo unitário de R$ 1,17, totalizando R$ 100.656,00 à empresa UNI HOSPITALAR, "para atender toda a rede pública de saúde de Pernambuco". O empenho pode ser consultado no Portal da Transparência de Pernambuco, onde estão listadas todas as compras COVID-19.

Além do hidroxicloroquina, a Secretaria de Saúde também adquiriu Azitromicina. Não conseguimos, porém, localizar compras da Ivermecina.

Na manhã de ontem, solicitamos, por e-mail, à assessoria da SES que confirmasse as compras desses medicamentos e que nos informasse quais os medicamentos que estão sendo ministrados aos pacientes da rede pública de Pernambuco, mas até a publicação desta matéria, aquela secretaria não havia nos respondido.

A polêmica foi reforçada pela divulgação de que hospitais particulares, a exemplo do Hospital Real Português e da Unimed teriam adotado protocolos com a inclusão da hidroxicloroquina para pacientes com Covid-19, mesmo no início da doença.

Entretanto, o Hospital Real Português, em novo Protocolo divulgado ontem, 18, em que aponta o uso do antiviral Tamiflu, aliado a Azitromicina e a anticoagulantes, como protocolo para tratar a doença, decidiu excluir a Hidroxicloroquina do tratamento: "Diante dos novos artigos publicados em conceituados periódicos médicos, e seguindo as orientações de instituições que regem as condutas mais atuais das doenças infecciosas no Brasil e no mundo, como Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), o Conters of Disease Control and Prevention (CDC), National Institutes of Health - USA (NH) e Infectious Disease Society of América (IDSA) não recomendamos a utilização da hidroxicloroquina para tratamento de Covid/19." Leia o Protocolo completo ao final da matéria.

Já Planos de Saúde, como a Unimed Fortaleza, divulgaram que distribuirão Cloroquina e Ivermectina, a cada um dos usuários do Plano que apresentar receita médica.

Parecer científico divulgado, ontem, pela Sociedade Brasileira de Infectologia chama de "precoce" a utilização da hidroxicloroquina e cloroquina contr  Covid-19: "Baseados nas evidências atuais que avaliaram a utilização da hidroxicloroquina para a terapêutica da COVID-19, a Sociedade Brasileira de Imunologia conclui que ainda é precoce a recomendação de uso deste medicamento na COVID-19, visto que diferentes estudos mostram não haver benefícios para os pacientes que utilizaram hidroxicloroquina. Além disto, trata-se de um medicamento com efeitos adversos graves que devem ser levados em consideração. Desta forma, a SBI fortemente recomenda que sejam aguardados os resultados dos estudos randomizados multicêntricos em andamento, incluindo o estudo coordenado pela OMS, para obter uma melhor conclusão quanto à real eficácia da hidroxicloroquina e suas associações para o tratamento da COVID-19."

316669-4 - HIDROXICLOROQUINA, SULFATO - CONCENTRACAO/DOSAGEM 400 MG,FORMA FARMACEUTICA COMPRIMIDO,VIA DE ADMINISTRACAO ORALUNIDADE07484373000124 - UNI HOSPITALAR LTDA86.400,001,17100.656,00
Item de gasto da despesa
33903206 - MEDICAMENTOS
Ação
3126 - AQUISIÇÃO DE MEDICAMENTOS E INSUMOS FARMACÊUTICOS
Unidade Gestora
530401 - FES-PE
Número do Empenho
2020NE004167
Observação do Empenho
SEI: 2300000386.000112/2020-11, MEMO DGAF 075/20, PROC.1641/18, PE.0674/18-DATA/ASSINAT.24/11/19, MEDICAMENTOS PADRONIZADOS A FIM DE ATENDER TODA A REDE PUBLICA ESTADUAL DE SAUDE DE PERNAMBUCO
Fonte de Recurso
0116 - RECURSOS DO FUNDO ESTADUAL DE COMBATE E ERRADICAÇÃO DA POBREZA - FECEP
Despesa gerencial
8279 - EXECUTIVA - CORONAVÍRUS (COVID-19)






 

MAIS VISITADAS DO MÊS

Entidades ligadas a empresário preso hoje pela PF, por desvios na Saúde, receberam mais de R$ 781 milhões do Estado e de Prefeituras pernambucanas

Mapa da Vergonha: Pernambuco é o Estado com o maior número de irregularidades investigadas na pandemia, aponta documento da Polícia Federal

EXCLUSIVO: PF PRENDE PREFEITO E VICE DE AGRESTINA

Operação Desumano: Orcrim que assalta cofres da Saúde do povo pernambucano há anos é desbaratada em megaoperação da PF, CGU, MPF e MPPE (GAECCO). Prefeituras do Recife e de Jaboatão e empresário, líder da ORCRIM, entre os alvos