Exclusivo: Polícia Civil de Pernambuco prende maior estelionatário do Nordeste. Hacker, que estava foragido, foi preso pela Delegacia do Cordeirro. Golpes ultrapassam a casa dos R$ 100 milhões

Hacker Hugo Lima é considerado o maior estelionatário do Nordeste

Foragido há nove meses, o hacker Hugo José Santos Pereira Lima, que é apontado como o maior estelionatário do Nordeste, foi preso preventivamente, ontem, 10, pela Delegacia do Cordeiro, que tem como titular o Delegado João Gustavo Godoy.


Denúncia do Ministério Público de Pernambuco aponta Hugo Lima como chefe de uma organização criminosa e responsável pela aplicação de golpes com cartões clonados em valores milionários que, segundo fontes do Blog, superariam a casa dos R$ 100 milhões aplicados por meio do envio de e-mails.

Pelo menos 27 integrantes da ORCRIM já foram denunciados pelo Promotor de Justiça José Paulo Cavalcanti Xavier Filho, do Ministério Público de Pernambuco, em processo que tramita perante a 2ª Vara Criminal da Capital, cuja titular é a Juíza Socorro Britto Alves, que decretou as prisões preventivas de Hugo Lima e de outros seis integrantes do bando.

As prisões foram decretadas em setembro do ano passado e executadas também pela Delegacia do Cordeiro, no âmbito da Operação Chargeback. Na ocasião, porém, Hugo Lima conseguiu se evadir até que finalmente foi localizado pela Polícia em um flat de luxo na Praia de Barra de Jangada, nas proximidades da Reserva do Paiva.






Durante as investigações, a Polícia constatou que Hugo Lima e seus "associados" usufruíam de uma vida de alto luxo que incluía viagens ao exterior ´na primeira classe, aquisição de roupas e relógios de grifes, passeios de lancha, compras de camarotes no Carnaval de Salvador, além da compra de um apartamento por mais de R$ 1 milhão no edifício Le Park, no Bairro do Ipsep. Hugo Lima também seria dono de 21 apartamentos em outro prédio no Ipsep e de 8 taxis, além de uma locadora de veículos, pelos quais seriam "lavados" os recursos furtados de suas vítimas.

Durante as investigações da Operação Chargeback, a Polícia Civil constatou que os criminosos usavam e-mails falsos para atrair as vítimas. Ao clicar nos vírus através da armadilha, chamada de phishing, os clientes de bancos permitiam, sem saber, o acesso dos hackers às contas por meio de Aplicativos.

Segundo o delegado João Gustavo Godoy, que chefia as investigações dos delitos atribuídos ao grupo, o golpe consiste no disparo de milhões de e-mails contendo vírus, de uma única vez. Ainda segundo o delegado, que explicou o "modus operandi" da ORCRIM, em coletiva quando da deflagração da Chargeback, se pelo menos 1% das pessoas que recebem os e-mails contaminados os abrissem, já seria suficiente para que os criminosos obtivesses um lucro milionário.

As investigações tiveram início quando o Bradesco apresentou uma representação criminal denunciando que a ação de hackers comandados por Hugo Lima teriam aplicado golpes que resultaram num prejuízo de R$ 848 mil. Além do Bradesco, o HSBC teria sido alvo de golpes pela mesma quadrilha que importaram em prejuízos de cerca de R$ 7 milhões, pelos quais Hugo Lima já teve outra prisão preventiva decretada em outro processo. A organização criminosa estaria em atividade criminosa desde 2012, sempre com os mesmos golpes envolvendo hackeamento de contas bancárias e furto de "milhas" aéreas, sempre utilizando uma rede gigantesca de "laranjas" que emprestam suas contas para as transferências dos recursos subtraídos das contas das vítimas.





Além disso, a organização criminosa se utilizaria de boletos bancários fraudulentos para operar a lavagem de capitais.

Além dos crimes de lavagem de capitais,
furto mediante fraude e organização criminosa, a Polícia Civil também suspeita do envolvimento dos criminosos com o tráfico de drogas. Segundo Godoy, foi encontrado dinheiro de pessoas que já respondem por tráfico com os investigados.

Além do furto de dinheiro, os criminosos também compravam passagens aéreas com milhas roubadas, fazendo revenda por preços abaixo do mercado. “Eles ostentavam com viagens na classe executiva ao exterior, festas e passeios de lancha”, diz o delegado responsável pelas investigações.


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