Operação faz buscas na casa do ex-comandante da PM mineira suspeito de vazar informações sobre Operação Acrônimo ao ex-governador Fernando Pimentel




Por Fernando Zuba, TV Globo — Belo Horizonte


A Polícia Federal (PF) faz, na manhã desta quarta-feira (24), uma operação no bairro Santo Agostinho, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, na residência de um coronel reformado da Polícia Militar (PM).
De acordo com a PF, o coronel reformado Helbert Figueiró de Lourdes é investigado por tentar embaraçar ou obstruir mandados judiciais em decorrência da Operação Acrônimo. Ele foi comandante-geral da PM no governo de Fernando Pimentel.


Ainda segundo a Polícia Federal, Figueiró avisava ao então governador sobre movimentação do efetivo da PF pela cidade, inclusive sobre voos da própria corporação com policiais que vinham de Brasília.

A investigação tenta descobrir com o ex-comandante-geral da PM obtinha informações dentro da PF. A ação desta quarta-feira está sendo feita com mandados de busca e apreensão.

O advogado Eugênio Pacelli, que atende o ex-governador Fernando Pimentel, disse à TV Globo que não atua neste processo e que, por isso, desconhece qualquer informação a respeito do fato que motivou a operação da Polícia Federal desta quarta-feira.

Entenda o caso

A apreensão de R$ 113 mil em um jatinho, em outubro de 2014, deu início às investigações da operação "Acrônimo", que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro e desvio de recursos públicos para financiamento de campanhas eleitorais. Na ocasião, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) autorizou abertura de inquérito para apurar suposto elo com Pimentel.

No dia 7 de outubro de 2014, a Polícia Federal apreendeu mais de R$ 110 mil com passageiros de uma aeronave que pousou no Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek, em Brasília. De acordo com a corporação, o jatinho pertencia a uma empresa de táxi aéreo e estava com três passageiros, vindos de Belo Horizonte.

De acordo com PF, os três passageiros da aeronave eram Marcier Trombiere Moreira, que trabalhou na campanha do governador eleito de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), o empresário Benedito Rodrigues de Oliveira Neto, dono de uma gráfica que também prestou serviço para o petista, e um homem identificado como Pedro Medeiros.

No dia seguinte à apreensão, a corporação abriu um inquérito e iniciou as investigações.

Primeira fase

Em 29 de maio de 2015, a Polícia Federal iniciou a primeira fase da Operação Acrônimo, em Goiás, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Distrito Federal. A corporação apreendeu documentos em um apartamento em Brasília da primeira-dama do governo de Minas, Carolina de Oliveira.

O delegado regional de Investigação e Combate ao Crime Organizado, Dennis Cali, disse, na ocasião, que não havia nenhuma autoridade com prerrogativa de foro ou partido político sendo investigado.

No dia 30 de maio de 2015, o governador do Minas, Fernando Pimentel, fez um pronunciamento e declarou que o envolvimento da mulher na investigação se trata de um “equívoco”. “Ocorre, o mandado de busca e apreensão foi expedido com base numa alegação, numa definição inverídica, absolutamente inverídica”, disse, na ocasião.

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